A menina tem um atraso mental ao nível de um bebé de meses, não controla o próprio corpo, tem de ser alimentada por uma sonda, não fala e tem um elevado défice auditivo e visual. Necessita de transporte especial e de um local e de técnicos que a possam estimular.
A mãe, desesperada após ter sido informada da colocação da sua filha no agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, apela à DRELVT para que reconsidere e considere a filha uma excepção à regra que encaminha todas as crianças, mesmo deficientes, para instituições regulares, após os seis anos.
Os pais da menina pretendem que ela se mantenha na Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Santarém, onde, garantem, tem tudo o que necessita e onde, pela primeira vez, a viram evoluir.
A família mudou-se para Santarém há dois anos, precisamente para poderem dar à criança uma maior qualidade de vida. E foi na busca desta melhoria de qualidade de vida para a menina que já tinham passado por Sintra e por Évora.
No ofício que a DRELVT enviou ao Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, no dia 3 de Julho, pode ler-se que "Só em situações excepcionais é que, de acordo com a Lei nº21/2008, de 12 de Maio, se equacionará o encaminhamento de alunos para recursos exteriores..." e que "a menina (...) beneficiará, a todos os níveis, com a frequência de um estabelecimento de ensino comum".
No mesmo documento pode ler-se que o Agrupamento tem um protocolo de colaboração com a APPACDM, facto que a instituição desmente.
Maria do Céu Dias, directora pedagógica da APPACDM garantiu a O Ribatejo que a instituição tem vaga para a menina (que sai agora do jardim-de-infância) e que a irá receber porque "a vontade dos pais é que conta e não consta que ela seja filha do ministério".
"O Ribatejo" pediu esclarecimentos à DRELVT, que, até à hora de fecho desta edição não teve disponibilidade para os prestar.
A mãe da menina do Vale de Santarém procura emprego após 7 anos sem trabalhar, a cuidar dos 3 filhos. Apenas a frequência da menina na APPACDM lhe permite ter tempo livre e procurar emprego. Antes, trabalhava como secretária, mas, garante, aceita qualquer trabalho compatível com os horários da filha.