O défice orçamental português poderá ter o seu pior registo dos últimos 24 anos caso atinja os oito por cento projectados pela
Comissão Europeia
para 2009 e 2010, podendo mesmo atingir o pior valor de sempre em 2011, ano em que Bruxelas prevê 8,7%.
É preciso recuar até 1985 para encontrar um valor pior do que o previsto hoje pela Comissão Europeia, quando o saldo orçamental fechado no final do ano atingiu um défice de 8,6%
As anteriores projecções da Comissão Europeia, divulgadas em Maio, apontavam para um défice orçamental de 6,5%em 2009 e de 6,7% em 2010.
Caso se atinjam os 8,7% de défice projectados para 2011, com Bruxelas a sublinhar que esta é feita para um cenário de políticas económicas inalteradas, o valor será o maior de sempre, sendo que existem registos desde 1977. O maior défice orçamental da democracia foi de 8,68%,
em 1981.
Governo aponta défice de 5,9%
As projecções revistas, divulgadas hoje, apontam para uma maior deterioração das contas públicas do que o esperado, sendo que o Governo continua a manter a meta dos 5,9% de défice para o final deste ano.
Apesar de manter esta meta, o próprio ministro das Finanças já tinha assumido que 2010 não será o ano da consolidação orçamental e que os apoios à economia (que aumentam a despesa pública e, por conseguinte, o défice) devem manter-se até existirem sinais "firmes e seguros" de crescimento sustentado.
O programa de Governo sustenta as afirmações de
Teixeira dos Santos
, empurrando a consolidação orçamental para quando os indicadores de retoma forem mais sustentáveis e garantindo que o Estado vai continuar a intervir na economia.
O Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, também já defendeu publicamente a manutenção dos apoios à economia em 2010 e que a consolidação orçamental só deve acontecer quando existirem sinais de recuperação seguros, sob pena de uma "recaída" numa nova recessão, numa altura em que as estratégias de saída da crise começam a ser foco central da discussão económica a nível mundial.