13/02/2012 atualizado às 1:11
Página Inicial » Opinião » Daniel Bessa » Decisões inadiáveis

Decisões inadiáveis

Daniel Bessa (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 3 de setembro de 2010

A evolução recente da despesa corrente primária (juros e despesas de investimento excluídas) da Administração Central, crescendo a 6% ao ano apesar do propósito enunciado pelo Governo de a fazer diminuir, não pode deixar de motivar uma reflexão.

No essencial, a conclusão a que temos de chegar é que o Governo não controla, nem pode controlar uma parte importante da despesa (rendimentos atribuídos por razões de política social e despesa no âmbito do Serviço Nacional de Saúde). Há situações que não serão muito diferentes na Segurança Social (pensões) e na Administração Regional e Local (despesas que estão a ser suportadas por empresas municipais).

Com a economia enredada num crescimento muito baixo, há mais uma conclusão inevitável: criou-se, em Portugal, um conjunto de direitos que transcendem, hoje, a capacidade de atuação do próprio Governo, e que acarretam um custo que a economia portuguesa não pode suportar.

Aproximam-se dias de verdade. Ou o sistema político (e não apenas o Governo) consegue libertar a economia desta avalancha de custos (que alguns insistem em continuar a ignorar, sob o dogma da intocabilidade do chamado Estado Social), ou a economia portuguesa definhará cada vez mais. Aumentar os impostos, podendo parecer que resolve o problema, não fará mais do que agravá-lo.

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de agosto de 2010

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Decisões inadiáveis... que serão adiadas
ameijoafresca (seguir utilizador), 1 ponto , 0:43 | Sexta feira, 3 de setembro de 2010
I Parte

Este Governo perdido
em acções tão despesistas
segue um rumo fundido
entre ideais laxistas.

Em questões de competência
não tem razões para falar,
tal tem sido a potência
dum despesismo exemplar!

A despesa orçamentada,
que não pára de engrandecer,
é uma forma enquistada
para o país ensandecer!

II Parte

Nesses sofismas entranhados
do nosso Estado social
brilham zeros mal desenhados
e de nulo valor facial.

A verdade deturpada
é, de todo, censurável,
com a nação empapada
de informe miserável.

O respeito inexistente
pelo dinheiro do mexilhão
é uma marca persistente
deste regime tão farfalhão.
(ameijoafresca.blogspot.com)
 
 Regras da comunidade
Daniel Bessa, qual é a melhor solução?
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:14 | Sábado, 4 de setembro de 2010
Daniel Bessa é muito claro em identificar a origem da presente variação da despesa: os compromissos assumidos com o estado social. Não se trata dos investimentos do estado ou das suas despesas correntes (os habituais bombos da festa), mas da redistribuição de parte dos impostos de volta aos Portugueses, seja através de despesas na educação, comparticipações nos medicamentos, nos tratamentos, ajudas sociais, custos de insularidade, etc... explicito alguns porque a hipocrisia abunda: não me espantaria que haja quem acuse o governo de descontrolo da despesa, mas que depois tenha resistido e invectivado contra todo o fecho de escola, urgências, perdas de deduções fiscais e tantas outras medidas de contenção de custos que bem ou mal o governo tem proposto.

O que Bessa está a pedir aqui, é que se reconheça que provavelmente não teremos dinheiro para todos os compromissos e que alguns vão ter que ser esquecidos.

Dou-lhe razão porque onde não há dinheiro, não há. No entanto, antes de fazer esse exercício, parece-me que o aumento da despesa social do estado é uma certeza em tempos difíceis, quando há mais gente a necessitar de apoio. A pergunta que se tem que fazer é se se trata de um problema estrutural ou conjuntural, porque no segundo caso, arriscamos-nos ao absurdo de não termos o estado social quando precisamos dele e vice-versa. E outra pergunta: qual é a melhor solução? Cortes nas categorias ou tecto de despesa com divisão dos montantes pelas necessidades?
 
 Regras da comunidade
A realidade doi, mas é a realidade!
userEX105348 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Ex.mo Sr. Prof. Dr. Daniel Bessa.

V.Exa. toca no ponto de forma correcta e certeira.

Diz no entanto aquilo que pensam os desiludidos deste país, que não votam porque não acreditam nos políticos ou que não vivem de alguma forma da mama do estado.

Os outros, os que votam, também com a complacência de outros factores, incluindo tudo o que rodeia a comunicação social, são suficientes para manterem o PS no poder!

V. Exa. tem obrigação moral, até porque é uma espécie de independente “inclinado” para o PS, assim como alguns outros homens e mulheres com a sua credibilidade que muito considero, de serem mais interventivos, fazendo com que a lúcida visão que tem da situação do país sirva para que cada vez mais portugueses dela tenham a consciência.

Caso contrário andaremos todos a viver de ilusões, chavões e slogans ridículos até cairmos o precipício!

Com a mais elevada consideração, José Carvalho

 
 Regras da comunidade
Reformas/pensões e outros
tronco (seguir utilizador), 1 ponto , 8:24 | Terça feira, 7 de setembro de 2010
O FMI não precisa de vir cá, porque as soluções estão em reduzir, portanto reduzam, pensões acima de 3.500 euros (por casal), salários acima de 5.000 euros, etc. Ou será justo pagarem-se pensões/reformas e quem as recebe fazer um depósito a prazo/aplicação financeira com o que sobra? E cortarem aos mais desfavorecidos a miséria dos subsídios? E na saúde? E no futuro (educação)? Este país sempre foi um "el dourado" para os oportunistas, com a revolução foi um fartar vilanagem, que durou até à crise, mas agora e mais uma vez os mais desfavorecidos que se lixem, porque a solução não está nem no PS nem no PSD, porque a massa (leia-se merda) é a mesma, falta honradez, honestidade, palavra, educação e grandeza. Por mim isto só lá vai quando bater no fundo e quando tivermos (e) finalmente uma "limpeza", é a violência também liberta, às vezes. Porque se fosse a sério, toda a gente devia justificar a proveniência dos rendimentos para aquisição das casas, apartamentos, quintas, etc.etc. que hoje possuem, e começando por aí ( últimos 20-25 anos) devia ser engraçado...não?
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Segundo pacote de ajuda
0:00 Sábado, 11 de fevereiro de 2012,
Há ou não há crédito?
0:00 Sábado, 28 de janeiro de 2012,
"Não pagamos"
0:00 Sábado, 14 de janeiro de 2012, 1
Reformas estruturais
0:00 Sexta feira, 30 de dezembro de 2011,
A folga
0:00 Sábado, 17 de dezembro de 2011,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP