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De Edmund Burke aos CTT... e etc.

Ruben de Carvalho
8:00 Terça feira, 21 de abril de 2009

Parecerá um tanto estranho que, a uma semana de celebrarmos trinta e cinco anos do 25 de Abril, venha citar Edmund Burke, mas a verdade também é que não consegui reencontrar a sua frase que agora frequentemente recordo. Escreveu algures o radical crítico da Revolução Francesa uma daquelas curtas sínteses que passam à História, sublinhando que a liberdade não consegue sobreviver muito tempo no meio da corrupção. Compreender-se-á porque vêm à memória tais palavras.

Na Assembleia da República, Ricardo Pinheiro, alto funcionário do BPN, revelou que, dois dias antes das diligências da 'Operação Furacão' naquele banco, os responsáveis ordenaram o envio para Cabo Verde, para o tal Banco Insular, de toda a sua documentação relativa a offshores e outras escusas operações. Dois contentores de dossiês cujo apressado enchimento envolveu mais de duas dezenas de funcionários.

Recorde-se que a 'Operação Furacão' foi desencadeada em Março de 2004 a partir de informações das autoridades britânicas sobre a existência em Inglaterra de várias "empresas de vão de escada" cuja única actividade era a emissão de falsas facturas para empresas portuguesas e subsequente recebimento e encaminhamento de vultuosas quantias assim desviadas em Portugal ao fisco. Após primeiro aprofundamento, a investigação transitou para o DCIAP em Janeiro de 2005 e apenas entre 17 e 24 de Outubro se realizaram as buscas iniciais (noventa e duas), entre as quais, no dia 20, a primeira no BPN.

Sendo evidente que a administração de Oliveira Costa teve conhecimento antecipado, não será assim fatal que o aviso signifique uma fuga de informação: as primeiras diligências noutras empresas podem ter feito soar o sinal de alarme. Mas o que já não deixa de ser estranho é que, considerando o gigantismo da 'Operação Furacão' (terabytes de material informático, dezenas de milhar de documentos apreendidos) e mesmo tomando em conta a sua complexidade, tendo as investigações durado mais de dois anos (novas diligências foram realizadas entre Dezembro de 2007 e Junho de 2008), tenha sido precisa a crise actual para que a real situação do BPN aparecesse. Da 'Furacão' não resultaram elementos que, pelo menos, indiciassem a vastidão da fraude?

Claro que perguntas deste género se podem repetir quase quotidianamente. Aparentemente, a administração de então dos CTT também não se apercebeu de que, numa bela manhã de 2003, vendeu a um offshore um seu prédio em Coimbra que, pela tarde, era vendido por mais cinco milhões! Tal como, de resto, o Banco Espírito Santos também não se apercebeu, à tarde, que estava a dar 20 milhões de euros por uma coisa que tinha sido transaccionada, de manhã, por quinze...

Anda toda a gente à procura dos cinco milhões deste extraordinário lucro, parecendo que de um milhão já se encontrou o rasto: um papelinho apreendido em casa do ex-vereador socialista do município coimbrão reza "Amigos dos CTT - sem recibo - um milhão de euros".

Como é que uma pessoa não se há de lembrar do aviso da reflexão de Edmund Burke?

Palavras-chave  opinião, BPN, CTT, DCIAP, Edmund Burke, Corrupção
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A corrupção democratica
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 14:33 | Terça feira, 12 de maio de 2009
A corrupção é um dos valores mais prezados pelo actual regime rotativista (ora PS ora PSD). Pode mesmo dizer-se que é um dos pilares deste regime.

Como poderiam os partidos do regime rotativista (ora PS ora PSD) funcionar sem o compadrio, sem o nepotismo, sem os esquemas, se tivessem de viver das quotas dos seus militantes? Não conseguiam.

Como poderiam muitas empresas funcionar sem esta forma de obter decisões políticas, sem esta maneira de conseguir subsídios e ajudas comunitárias e orçamentais? Obviamente não conseguiriam.

O reverso da medalha é obviamente a pobreza, o atraso e o subdesenvolvimento do País. Porque é verdade a corrupção asfixia o desenvolvimento, impede a correcta alocação de meios (o país precisa de escolas, mas construem-se estradas, o país precisa de hospitais mas erguem-se estádios de futebol, o país precisa de educação gasta-se no TGV, etc.) e promove a escandalosa desigualdade de rendimentos Portugal tem a maior desigualdade na União Europeia).

No caso português a corrupção não mata a democracia, pelo contrário a corrupção é a democracia que temos. A democracia de um só partido que está no poder já há mais de 30 anos. Um partido único com duas facções, o PS e o PSD, que não se destinguem e que agora se vão eventualmente coligar e fundir.

 
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