Tivemos hoje uma visita relâmpago de David Miliband
, o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros. Veio falar com o seu homólogo português, o Ministro de Estado, Luís Amado, sobre as questões do momento - Irão, Afeganistão, Médio Oriente, etc. - e também sobre um tema mais profundo, que foi também o ponto fulcral das intervenções públicas depois da reunião - "making Lisbon work" -, ou seja, que nós, os estados europeus, temos de pôr em prática o Tratado de Lisboa
. Os dois ministros realçaram a importância de fixar prioridades claras para os próximos anos no campo da política externa da União Europeia. O Ministro Miliband falou em três - os nossos vizinhos (por exemplo, a Ucrânia), os centros de tensão e conflito (por exemplo, o Afeganistão e o Paquistão) e os novos actores globais como o Brasil ou a Índia.
Tudo isto é fácil dizer - mas torná-lo realidade é mais complicado porque, dentro dos 27, cada um tem a sua prioridade preferida, e não são sempre iguais. E além do debate sobre prioridades, decorre actualmente uma luta típica de Bruxelas - neste caso, sobre a canalização institucional do Serviço da Acção Externa
; questões que são relevantes mas têm pouco relevo para o resto da Europa, como o equilibrio de poder entre a Comissão Europeia, o Conselho e Estados Membros; por exemplo, quem nomeia os chefes das missões europeias? Quem controla o dinheiro? Será que as prioridades financeiras são alinhadas com as prioridades políticas?
Há um risco de nos perdermos dentro deste debate. Por isso é tão importante e tema central das conversas dos ministros Amado e Miliband - que, além de fixar prioridades, os vinte e sete estados membros da União Europeia apoiem a política europeia. Parece uma banalidade dizê-lo; mas fazê-lo não é. Uma politica externa europeia não pode existir sem a força conjunta de todos; porque, de facto, são os Estados Membros que têm tropas no Afeganistão. São também os Estados Membros que têm as suas polícias naquele território; que dão o dinheiro para a ajuda ao desenvolvimento. Então, cabe ao Reino Unido, a Portugal, a todos não só estabelecer as regras institucionais e fixar as prioridades políticas; mas também têm que viver com elas e apoiar a máquina de Bruxelas, nomeademente a Alta Representante Cathy Ashton, na implementação. Senão, a Europa continuará a ser um gigante em termos de mercado, mas bastante mais pequeno na sua política externa.