O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, saudou hoje a proposta da china de retomar o diálogo para ajudar a resolver a crise no Tibete, mas sublinhou que quer "discussões sérias" com Pequim.
"Ainda não recebi informações pormenorizadas (sobre este diálogo), mas de maneira geral é bom falar", declarou o chefe espiritual tibetano, quando regressava, de uma viagem de duas semanas aos Estados Unidos, a Dharamsala, no norte da Índia, onde vive no exílio.
Em declarações aos jornalistas, o Dalai Lama sublinhou que quer "discussões sérias sobre a forma de apaziguar o ressentimento dos tibetanos" e um "debate exaustivo" sobre os problemas do Tibete.
Um encontro destinado unicamente a acalmar as inquietações da comunidade internacional não teria "qualquer sentido", adiantou.
Imprensa oficial chinesa reitera acusações
Entretanto, um dia depois de ter proposto a retomada de diálogo com o líder espiritual tibetano, Pequim reiterou hoje os ataques contra o Dalai Lama, com a imprensa oficial a acusá-lo, de novo, de ter destabilizado o Tibete.
Sexta-feira a China propôs retomar o diálogo com um representante do Dalai Lama, um anúncio surpreendente depois dos confrontos de Março no Tibete e a menos de quatro meses dos Jogos Olímpicos de Pequim.
"Tendo em consideração os repetidos pedidos do Dalai Lama para uma retomada das negociações, os departamentos envolvidos do governo central terão contactos e consultas com um representante privado do Dalai Lama nos próximos dias", indicou a agência Nova China, citando uma fonte oficial anónima.
Apesar deste apelo para o diálogo, o Diário do Povo continuou hoje a lançar uma série de ataques contra o Dalai Lama ao considerar este como o "chefe religioso 'auto-proclamado', autor de actividades que visam sabotar a ordem religiosa do Tibete".