O Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, apelou hoje à comunidade internacional para ajudar a resolver a crise no Tibete.
"Nós não temos qualquer poder, salvo a justiça, a verdade e a sinceridade... e é por isso que apelo à comunidade internacional a ajudar, por favor", disse numa conferência de imprensa.
"Estou aqui impotente, só posso pedir", acrescentou o Dalai Lama, que participou no sábado, em Nova Deli, na Índia, numa sessão de orações e meditações com vários responsáveis religiosos para rezar pelas vítimas dos motins no Tibete.
O Dalai Lama reiterou também o seu apoio à realização dos Jogos Olímpicos em Pequim, apesar da situação no Tibete.
"Disse que eles (os chineses) merecem acolher os famosos jogos porque são a nação mais populosa do mundo. A minha posição é a mesma, pese a supressão (da revolta) no Tibete", declarou o Dalai Lama.
Dalai Lama admite reformar-se
Exilado na Índia, admitiu hoje que poderá vir a abdicar da sua liderança e que deseja dispor de mais tempo para preparar a sua "vida futura".
"É possível que dentro de mais algum tempo me demita, voluntariamente e de maneira feliz", declarou o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, numa conferência de imprensa, sem especificar em que data poderá vir a retirarse da liderança.
"Já estou numa posição de semi-reforma", declarou o dignitário, de 72 anos.
O chefe espiritual do Tibete, onde actualmente decorre uma forte acção repressiva por parte das autoridades chinesas, disse que pretende consagrar mais tempo à "preparação da sua vida futura".
O líder tibetano ameaçara recentemente abandonar o seu cargo de líder espiritual do budismo, que tem inerente uma forte carga política, justificando essa atitude pelo agravamento da situação no Tibete, agitado há duas semanas por violentos tumultos e repressão chinesa.
Sobre eventuais sucessores, disse "não estar preocupado", mas que gostaria de ver o Parlamento tibetano, igualmente no exílio em Dharamsala, no norte da Índia, a desempenhar um maior papel político na questão tibetana.
84 detidos no Nepal em manifestação contra violência em Lassa
A polícia do Nepal deteve hoje 84 tibetanos
que se manifestavam em frente à secção consular da embaixada da China em Katmandu, anunciou fonte policial. Activistas tibetanos no Nepal asseguraram que a maioria dos detidos
são monges budistas.
Nas últimas semanas, a polícia nepalesa tem detido dezenas de pessoas
diariamente durante protestos de exilados tibetanos no Nepal em solidariedade
com a revolta no Tibete contra a administração chinesa. Os detidos são postos em liberdade horas depois, segundo a polícia.
O Nepal, país fundamental para os tibetanos que fogem do domínio chinês,
tem sido criticado por não permitir manifestações pacíficas contra a recente
reacção violenta a manifestações no Tibete. Milhares de refugiados vivem, com familiares, na região dos Himalaias
ou em campos aí instalados por agências humanitárias.
Desde 10 de Março, monges budistas apoiados pela população civil protagonizaram
protestos no Tibete para recordar o aniversário da fracassada rebelião tibetana
contra o comando chinês, em 1959, que causou a fuga para o exílio do líder
espiritual dos budistas tibetanos, o Dalai Lama. As manifestações do início do mês terminaram na cidade de Lassa em tumultos
que custaram a vida a 19 pessoas, segundo a China, e a 140, de acordo com
o governo tibetano no exílio na Índia.
O Nepal reconhece a soberania da China sobre o Tibete, apesar de cerca
de 20.000 tibetanos viverem neste reino hinduísta entre a China e a Índia.