Os Robôs e o Cinema sempre foi um tema fascinante e alimentou a curiosidade de uma audiência sempre à espera de ser surpreendida por algo de novo. A Sociedade Portuguesa de Robótica congratula-se com facto do Fantasporto ter escolhido o tema Robótica para o Festival de 2010. Não cabe aqui a discussão se os "robô" do cinema são robôs, pelo que ficam desde já convidados a vir debater connosco durante a semana do festival. Também não vamos elencar as dezenas de robôs (ou conceitos de robôs) que o cinema nos proporcionou. O cinema sempre foi muito generoso com a robótica, e sempre expressou um conjunto de ideais através da concepção de sistemas a que facilmente nós chamamos robôs. Desde o início deste primeiro século da história do cinema, os robôs tiveram lugar cativo nos elencos, sem nunca necessitarem de participarem nos castings. Talvez por isso tardam a ganhar um Oscar (nem nomeados têm sido), um Urso de Ouro ou uma Palma de Ouro, mas isso nunca nos tirou o sonho de ver um deles subir ao palco e agradecer, ao "pai" ou à "mãe" por aquele momento de "felicidade". Se com Maria, um robô com forma antropomórfica , em Metropolis de Fritz Lang em 1927, os robôs são utilizados para presumivelmente resolver a conflitualidade laboral, sendo apresentados no seu conceito original, (seguindo as ideias desenvolvidas por Karel Kapek em Rossum's Universal Robots) como sistemas mecânicos, subservientes à vontade de quem os controla e dirige, já, primeiramente com HAL 9000 o ego auto-preservador da nave de 2001 de Kubrick e com C-3PO e R2D2 em Star Wars em 1977, o cinema inova e apresenta robôs com consciência (mas não antropomórficos). Nestes podemos observar capacidade de decisão (e autodeterminação no computador de 2001) ou elevados comportamentos emocionais no C-3PO e um elevado sentido de humor em R2D2 cujos os assobios e os seus sons peculiares não deixam indiferentes a audiência. Este novo fenómeno (robôs com emoções), marca definitivamente a utilização de sistemas robóticos no cinema. Contudo gostaríamos de clarificar, que nem todas as ficções com robôs, são ficções científicas, e são antes viagens ao passado de conceitos científicos do futuro, como é o caso do conceito como o Kitt., o extraordinário carro, da série televisiva Knight Rider de 1982. O facto de os robôs poderem fazer aquilo que os humanos não podem (quer fisicamente, quer racionalmente), sempre permitiu aos realizadores construírem o carácter das personagens (robôs) numa paleta de atributos infinitos, refinando e acrescentando para o bem e para o mal as qualidades e características humanas. De heróis a vilões, de inimigos a cooperantes, as concepções dominantes no cinema dos robôs consiste na perspectiva antropomórfica com o robô visto como um ser artificial e substituto do humano. Muitos dos filmes com robôs abordam as questões da emoção ou mesmo da distinção humano/robot, como no Blade Runner de 1982. Mais recentemente em AI de Spielberg/Kubrick de 2001, esta dialéctica é levada a territórios de conceitos inexplorados em que David um robot criança quer ser humano, ou à discussão de alguns princípios éticos como em I Robot de Alex Proyas de 2004, em que faz emergir alguns fundamentos que Isaac Asimov, introduziu na comunidade científica. Não podíamos esquecer contudo o conceito desenvolvido em WALL-E, em que o robô é o redentor do homem e de forma heróica, tenta resolver as consequências da inconsciência humana.
Contudo no Fantasporto 2010 não vamos querer abordar o que o cinema trouxe à robótica e vice-versa, mas o que a Robótica pode trazer para o futuro Humanidade.
Nota
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