Quem pagava em Novembro do ano passado quase 600 euros por um empréstimo à habitação indexado à Euribor
a 3 meses por 30 anos, com um spread de 0,8 por cento, estará hoje a pagar cerca de 345 euros, praticamente menos 250 euros do que há 13 meses. Se é o seu caso e se manteve o seu poder de compra intacto num período de recessão que já empurrou o desemprego para lá dos 10 por cento da população activa, ter mais 250 euros mensais pode ser um balão de ar.
O problema é que o perfil das taxas de juro mostra que o que desce, acaba por subir e o mercado está já a acreditar que 2010 será o ano para enfrentar a inversão no custo do dinheiro. Se os contratos de futuros negociados com base na Euribor a 3 meses apontavam para uma taxa de juro no mercado interbancário de 0,75 por cento, os contratos realizados para Dezembro de 2010 indicam juros na casa dos 1,70 por cento e os contratos celebrados para Dezembro de 2011 aumentam ainda mais a fasquia da Euribor a 3 meses, nos 2,55 por cento.
Imaginando que os valores do mercado de futuros se ajustavam aos valores reais dos juros naquelas datas, as prestações mensais com créditos à habitação nas condições acima indicadas passariam a ser de 395 euros em Dezembro de 2010 e de 441 euros daqui a 24 meses. Se o prazo dos futuros for ainda mais alargado, Dezembro de 2012, a prestação poderia subir para 470 euros, ainda quase 130 euros abaixo do valor máximo atingido para os mutuários com créditos "presos" à Euribor a 3 meses em Novembro de 2008, mas cerca de 125 euros acima da prestação efectiva actual.
Quem está a fazer orçamentos caseiros anuais e a avaliar as suas despesas não deve descurar este efeito de subida das taxas de juro que deverá ser ajudado pela autoridade monetária europeia. De acordo com os analistas ouvidos pela Bloomberg
, o Banco Central Europeu
vai aumentar os juros de 1 para 1,50 por cento até ao final de 2010.