Apoiantes dos presos políticos cubanos iniciaram ontem em Havana as comemorações da "primavera negra", num clima de tensão devido à morte recente de um detido e à hospitalização de um dissidente em greve de fome.
A "primavera negra", uma vaga de 75 detenções em março de 2003, será comemorada este ano ao longo de uma semana.
O primeiro ato foi um desfile de cerca de meia centena de mulheres vestidas de branco - mulheres, irmãs ou mães de presos políticos - no centro de Havana, entre a casa de uma delas e uma igreja nas proximidades.
Durante a caminhada, pararam uma única vez para gritar "Viva Zapata!", o preso político Orlando Zapata, 42 anos, que morreu a 23 de fevereiro no seguimento de uma greve de fome de dois meses e meio.
No desfile participou a mãe de Zapata, Reina Luisa Tamayo, que reclamou a "exumação do cadáver" do filho, sepultado na cidade de Banes, para proceder a uma autópsia independente.
Hoje, "as mulheres de branco" homenageiam o jornalista Guillermo Farinas, 48 anos, hospitalizado desde quinta feira na unidade de cuidados intensivos do hospital de Santa Clara, após 15 dias de greve de fome e de sede para reclamar a libertação de 26 presos políticos doentes.
O governo de Raul Castro nega a detenção de presos políticos (num total de 200 segundo os dissidentes), alegando que são "mercenários" a soldo dos Estados Unidos, que desde há 48 anos impõem um embargo a Cuba.
A detenção de 75 opositores em março de 2003, 53 dos quais continuam presos, esteve na origem da suspensão durante cinco anos da cooperação com a União Europeia.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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