A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) interpôs uma medida cautelar para suspender os efeitos no Brasil da entrada da brasileira Votorantim no capital da cimenteira portuguesa
Cimpor
, disse hoje à agência Lusa fonte ligada ao processo.
"A CSN defende a suspensão imediata dos efeitos no Brasil da aquisição pela Votorantim da participação da Lafarge na Cimpor", disse à Lusa a mesma fonte.
Segundo adiantou a fonte ligada ao processo, o grupo brasileiro CSN apresentou na segunda feira uma ação cautelar no Conselho Administrativo de Defesa Económica (CADE), que visa condicionar "até melhor análise pela autoridade concorrencial brasileira" a entrada em efeito da compra, pela Votorantim, da participação da Lafarge na Cimpor.
Na passada quarta feira, a Votorantim e a Lafarge anunciaram ter fechado negócio, com a cimenteira francesa a vender ao grupo brasileiro uma participação no capital social equivalente a 17,3% dos direitos de voto na Cimpor.
O acordo entre a Votorantim e a Lafarge prevê, segundo a imprensa brasileira, a troca de quatro fábricas da Votorantim no Brasil pelas acções da Cimpor.
Concentração do mercado cimenteiro
A CSN contesta agora a operação junto das autoridades brasileiras utilizando, segundo a fonte ouvida pela Lusa, "alegações jurídicas e demonstrações de fatos económicos" que apontam para uma concentração no mercado brasileiro de cimento, caso se concretize o negócio entre a Votorantim e a Lafarge.
O Presidente do CADE - órgão do ministério da Justiça do Brasil que tem como função fiscalizar, prevenir e apurar abusos de poder económico - analisou já a ação cautelar e deu 72 horas à Votorantim, Lafarge e Cimpor para tomarem posição sobre a movimentação da CSN.
A CSN lançou uma Operação Pública de Aquisição (OPA) sobre a Cimpor, que decorre até 17 de fevereiro e que a administração da cimenteira portuguesa já rejeitou.
As autoridades brasileiras da concorrência tornaram já públicas suspeitas de concertação de estratégias na corrida à cimenteira portuguesa entre a Votorantim e a Camargo Corrêa - que também demonstrou interesse pela Cimpor - para evitar a entrada da CSN no mercado brasileiro de cimentos.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
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