Crítica de livros de 8 a 14 de Agosto
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17:30 Sexta feira, 7 de agosto de 2009
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O carteiro conspira sempre duas vezes
Quatro décadas depois, ainda aguardamos o silencioso império de tristero.
Uma modesta mas obstinada cabala tipográfica parece estar em curso. Em 1987, a Editorial Fragmentos publicou uma tradução de "O Leilão do Lote 49". A tradução era competente e, a espaços, inspirada - mas uma frase do texto original foi misteriosamente truncada. A presente edição da Relógio D'Água recupera a mesma tradução; uma revisão competente e, a espaços, inspirada uniformiza alguns tempos verbais anárquicos, corrige lapsos antigos e introduz lapsos novos - mas uma frase do texto original foi misteriosamente truncada. É legítimo assumir que um obscuro consórcio motivado por desígnios inescrutáveis está empenhado em impedir o acesso do público português àquela que já se pode chamar a "frase perdida de Pynchon" (informa-se numerólogos e curiosos que a frase-fantasma é sequestrada da linha 13 na pág. 36).
Que a ocorrência deste vertiginoso acto de prestidigitação tenha ocorrido neste livro específico é particularmente apto: "Lote 49" está saturado em súbitas percepções deslocalizantes - pequenos detalhes grotescos que insinuam um transtornante estado de coisas sob a superfície das mesmas. Uma dessas percepções - a descoberta de uma gralha num selo dos correios - é a primeira intimação da protagonista sobre a críptica premissa central: a possibilidade de um sistema postal alternativo que remonta a 1577 continuar a existir na América dos anos 60. Mas as coisas não são, evidentemente, assim tão simples.
O livro começa quando Oedipa Maas descobre que foi nomeada executora do testamento de um ex-amante, o magnata Pierce Inverarity. A tarefa apresenta-se como colossal. Oedipa dialoga com um excêntrico pelotão de interlocutores - advogados histéricos, encenadores suicidas, filatelistas paranóicos - que apenas parecem afastá-la em direcção a demandas subsidiárias, todas elas, de uma forma ou outra, relacionadas com a existência de uma misteriosa entidade chamada Tristero, que pode ser uma organização ancestral dedicada a contrariar o monopólio postal do Estado ou qualquer coisa ainda mais sinistra.
Descrever a burlesca procissão de incidentes que passa por enredo em "Lote 49" é um exercício aprazível, mas potencialmente infinito. O romance é essencialmente sobre semiótica e interpretação; além de fornecer uma paródia definitiva da história policial, parodia também os próprios esforços hermenêuticos de quem o lê. Alguns temas predilectos são entrechocados: a entropia como metáfora para estagnação afectiva; a noção romântica de que qualquer sistema fechado é, por definição, desumano (ou anti-humano); a conclusão fatalista de que a energia dissipada nas tentativas de organizar a massa de informação que recebemos apenas sucede em tornar o Universo mais caótico e arbitrário. A existência de Tristero, de um sistema de comunicação alternativo que permita o "afastamento calculado da vida da República", pode ser a única forma válida de forjar um patriotismo privado e secreto, sem exilados ou preteridos, que não traia a herança da América "codificada no testamento de Pierce". Ou pode ser apenas uma ilusão cozinhada pela semiótica alarve de Oedipa.
A posição exacta de "Lote 49" na obra pynchoniana é difícil de avaliar. O próprio Pynchon rejeitou explicitamente o romance, denegrindo-o como um fracasso artístico, no qual esquecera "tudo o que tinha aprendido até essa altura". Até que ponto isto é mistificação, não se sabe. Surpreendentemente, para um livro tão imerso na atípica cultura hippie californiana, "Lote 49" envelheceu muito bem. Algumas sequências - o lento striptease de Oedipa pontuado pela lata de aerossol esvoaçante, a extravagante paródia ao drama isabelino, a dança de salão com surdos-mudos que produz um pequeno "milagre anarquista" - continuam a ler-se como prodígios de timing cómico e emocional. E uma passagem (na pág. 10 desta edição) continua a parecer-me o naco de ficção mais bem pontuado de todos os tempos. Como com qualquer obra-prima que exija e recompense leituras repetidas, a última palavra pertence às próximas gerações. Rogério Casanova
O Leilão do Lote 49
Thomas Pynchon
Relógio D'Água
2009
trad. de Manuela Garcia Marques
136 págs.
€14
Dois Verões
Erik Orsenna
Teorema
2009
trad. de Luís Ruivo Domingos
164 págs.
€13
Romance Um grupo de ilhéus ajuda tradutor na tarefa de verter livro de Nabokov para francês.
Em meados dos anos 60, instala-se em Bréhat, na Bretanha, um tradutor com "ares de fauno". Chama-se Gilles Chahine e encontra naquela ilha "que mete medo às nuvens" o refúgio ideal para ultrapassar a morte do amigo Jean Cocteau, para quem tocava, ao piano, peças de Couperin. Com uma velha máquina de escrever Remington e rodeado por 47 gatos, entrega-se ao seu ofício, semelhante ao dos corsários: "Quando um barco estrangeiro lhe agrada, aborda-o. Atira a tripulação ao mar e põe lá os amigos. Depois iça a bandeira nacional no topo do mastro grande." Um belo dia, em Outubro de 1969, a editora Arthème Fayard pede-lhe que traduza Ada ou Ardor, o maior e mais ambicioso dos romances de Vladimir Nabokov (publicado em Nova Iorque uns meses antes). Ele responde logo que sim, ainda perplexo com o generoso e inesperado adiantamento de honorários. Ao ler o livro, porém, apercebe-se do sarilho em que se meteu: "Como fazer para pôr em francês o passeio alado da narração (...), como transmitir aquela leveza, aquela liberdade, aquela fantasia de borboleta a debicar pelo mundo?" Seguem-se bloqueios, procrastinação e impaciência editorial. Como Nabokov é todos os anos candidato ao Nobel, a Fayard não pode dar-se ao luxo da espera. E por isso pressiona, avisa, ameaça. Quando o fio da espada de Dâmocles está quase a partir, Gilles confessa o seu desespero a uma vizinha (familiar de Saint-Exupéry) e é então que a ilha inteira se mobiliza para o ajudar, tanto por solidariedade como por "ódio a Paris". Criam-se pequenos comités de tradução, dividem-se capítulos, cada um ajuda com o que pode e sabe (há mesmo um fotógrafo argentino que se oferece para sintonizar, quando a ionosfera ajuda, a voz de radioamadores de todo o mundo e respectivas achegas). Esta é uma bela história verídica, contada vinte anos mais tarde, com extraordinária delicadeza e num tom elegíaco sempre justo, por Erik Orsenna - a quem couberam, naqueles dois verões de empenhamento colectivo em prol da literatura, as passagens "mais atrevidas" da obra-prima nabokoviana. A história real, essa, teve um desfecho menos feliz do que a sua versão romanesca. Insatisfeita com o resultado do trabalho de Chahine e seus cúmplices, a Fayard entregou o material a Jean-Bernard Blandenier, a quem coube concluir a atribulada viagem de "Ada" até à língua francesa. José Mário Silva
Buracos Negros
Lázaro Covadlo
Livros de Areia
2009
trad. de F. J. Carvalho
157 págs.
€15
Contos Histórias de espanto e inquietação.
Quem leu, e não esqueceu, "Criaturas da Noite", de Lázaro Covadlo (Argentina, 1937), publicado nesta mesma editora, tem agora a oportunidade de continuar em território estranho, entrando por um destes pequenos buracos negros, histórias insólitas e desafiadoras da lógica comum, que apontam para um entendimento alternativo das coisas, onde o espanto e o terror matizado se manifesta nos pequenos pormenores que são, dizem, uma coisa dos diabos. O autor, que vive em Espanha, depois de ter saído do seu país devido à situação política durante a ditadura militar, começou a publicar histórias relativamente tarde, o que pouca importância tem para o caso. Ainda não traduzidos estão "Remington Road", "Conversación com el Monstruo", "La Casa de Patrick Childers" e "Animalitos de Dios". Neste livro, são 13 em número, mas contêm inúmeras possibilidades de perder a cabeça, como na primeira delas, acompanhando personagens vulgares colocadas em situações inusitadas, sem nunca perder de vista que do outro lado do quotidiano esperam as dimensões oníricas do horror, da estupefacção, ou simplesmente do mais apurado desvario. Para ter uma ideia do que está em questão, vejam-se os casos de "Ninguém Desaparece Completamente", "Cetim Vermelho", "Muito Couro", "Preparação para o Abismo". Mas as mais interessantes são, sem dúvida alguma, "Buracos Negros", "As Correntes do Mal" e "Herren Krisna", sem desmerecer das restantes. Um exemplo do estilo, retirado de "Nunca Apagava a Luz!": "Se alguma vez existiu algo ou alguém ali fora, eu esperei-o em vão, pois passaram muitos anos e nunca me veio procurar. Acabei convencendo-me que o que tinha julgado ver só existia na minha imaginação." Ora, a imaginação é, como se sabe, a fonte de todos os pesadelos. Tudo somado, pode dizer-se que se trata de um livro para quem padece de insónias e que não quer mesmo deixar de as cultivar com denodo. José Guardado Moreira
A Mão Esquerda de Deus
Pedro Almeida Vieira
Dom Quixote
2009
320 págs.
€16
Romance História do homem que ascendeu no reinado de D. João III à custa de burlas e falsificações.
É, em minha opinião, o romance a levar para férias. Vou na quarta visita - desta feita salteada -, apenas pelo gosto de reler determinadas passagens, e, de cada vez que o reencontro, acontece dar por mim quase incrédula com a relativamente discreta recepção ao livro desde que foi publicado. Se somos apenas distraídos ou descaradamente invejosos, pelo menos que nos sirva de lição o exemplo de Ruiz Zafón, cujo romance "A Sombra do Vento" obrigou o mercado espanhol a referir-se-lhe quando, de boca em boca, o romance excedeu as expectativas dos críticos e distribuidores. Enquanto espero que o fenómeno aconteça, abster-me-ei de contar a história, receosa de dizer de mais, mas, sobretudo, de ficar aquém dela própria. Referirei apenas que se situa temporalmente na primeira metade do século XVI e que vai muito mais longe do que a reconstituição ficcionada sobre as pretensas confissões de Alonso Pérez de Saavedra, que teria sido núncio apostólico em Lisboa e inquisidor-geral do Reino de Portugal, no reinado de D. João III. Para além da perfeita história de amor que condimenta o romance, há todo um contexto muito rigoroso em que todas as personagens que rodeiam o protagonista são verdadeiras no sentido histórico, começando pelo seu primeiro protector, Frei Hernando de Talavera, co-governador de Granada e bispo-confessor de Isabel de Castela. Mas não só: também são rigorosos os contornos político-sociais, em particular a sucessão ao trono após a morte da rainha e a coincidência biográfica com D. Rodrigo Ponce de Léon, duque de Arcos, de quem terá sido espião na corte de D. Fernando. Absolutamente crucial para o envolvimento do leitor na trama é a descoberta de que Saavedra vivia quase em permanência com uma luva na mão esquerda; e que essa mão era, por si só, prodigiosa: deformada, aleijada, aparentemente inútil, mas que sabia pulsar e aquecer quando em contacto com homens de coração perfeito, e gelar, enrijecer como uma pedra, em presença da malignidade. Outros dons assombrosos vivem nesta personagem trazida pela lenda, ambígua na força da sua incomensurável dor. Luísa Mellid-Franco
Os paradoxos da violência
Zizek analisa as grandes ilusões ideológicas do presente.
A produção teórica e filosófica de Slavoj Zizek é um volumoso caudal, à altura do sucesso e da sobre-exposição irradiante deste autor. Eis mais dois títulos editados pela Relógio d'Água: "O Sujeito Incómodo" (1999) e "Violência" (2008). Zizek é um filósofo comprometido com a factualidade do presente, mas que reivindica a sua inscrição no idealismo alemão - dois pólos que estão bem representados por estes dois livros. O primeiro está do lado do Conceito, com maiúsculas, à medida da convocação hegeliana, e o subtítulo tem peso para nos introduzir a um tratado: "O Centro Ausente da Ontologia Política". O segundo corresponde ao Zizek mais profano e interventivo. Sobre a violência, há os indeclináveis textos de Walter Benjamin e Hannah Arendt. Obviamente, Zizek não os ignora, mas a sua reflexão incide sobre as manifestações da ideologia contemporânea do capitalismo liberal. E, para isso, ele faz uma distinção fundamental entre violência subjectiva e violência objectiva. A primeira, ao contrário do que a designação possa sugerir, é a violência visível, com as suas emergências bem reais (no fanatismo religioso islâmico, nos motins de jovens dos subúrbios de Paris, na desordem em New Orleans depois da passagem do furacão Katrina, etc.). Ora, segundo Zizek, estamos tão concentados nessa violência subjectiva que não somos capazes de dar um passo para apreender e assunir a responsabilidade pela violência objectiva, invisível, que é a violência simbólica encarnada na linguagem e a violência sistémica do sistema económico e político. É a estas que Zizek consagra a sua análise, identificando paradoxos em todo o lado (por exemplo, o paradoxo da "tolerância multicultural" que alimenta a violência objectiva), e chega à conclusão de que nada do que parece é. Entre o modelo heremenêutico da psicanálise e a desocultação das mentiras da ideologia, move-se Zizek com uma desenvoltura fascinante, mas arriscando-se cada vez mais a que, do seu discurso, já só sobressaia o expediente mecanizado da análise ideológica. António Guerreiro
Violência
Slavoj Zizek
Relógio D'Água
2009
trad. de Miguel Serras Pereira
200 págs.
€14
Outubro
Rui Bebiano
Angelus Novus
2009
106 págs.
€8,50
Ensaio A Revoluçãode Outubro, do mito à realidade desencantada.
É um livro pequeno, sobriamente ilustrado, cabe no bolso e tem capa vermelha. Chama-se "Outubro" e debruça-se sobre a revolução bolchevique de 1917. O autor, Rui Bebiano (R.B.), professor de História Contemporânea na Faculdade de Letras de Coimbra, mantém um blogue, "A Terceira Noite", e foi lá que estes textos, agora compilados e ligeiramente alterados, apareceram pela primeira vez. Quando comecei a ler "Outubro" lembrei-me de Arthur Koestler, o homem de "O Zero e o Infinito", ex-comunista que desde logo percebeu que a utopia igualitária era, na verdade, uma realidade monstruosa. Koestler escreveria no 1º volume da sua autobiografia, "Arrow in the Blue": "Nos anos 30, a conversão à fé comunista (...) foi a expressão sincera e espontânea de um optimismo nascido do desespero (...). Deixar-se atrair pela nova fé, penso-o ainda, foi um erro louvável. Estávamos enganados pelas boas razões; e continuo a acreditar que, apenas com algumas excepções (...), aqueles que, desde o início, denegriram a revolução russa o fizeram por motivos menos louváveis do que o nosso erro. Existe um mundo entre o amoroso desencantado e os seres incapazes de amar." Entretanto, muito tempo decorreu e muitos cadáveres passaram debaixo das pontes. Como questiona o próprio R.B., a quem interessará hoje Outubro "fora do universo protegido dos prosélitos mais irredutíveis da revolução proletária?". Dir-se-á que, desde logo, aos historiadores, mas porventura também, e concordando com R.B., a todos os "que se não conformam com o mundo tal qual ele é". Abordando aspectos vários - do pragmatismo leninista, levado ao paroxismo por Estaline, aos compagnons de route; da invenção do "realismo socialista" ao Gulag - "Outubro", reflexão sobre o potencial utópico, dimensão simbólica e crimes reais da revolução soviética, será, sobretudo, na sua versão de pequeno ensaio, uma tentativa honesta de pensar o desencantamento. Ana Cristina Leonardo
Aqui na Terra
Miguel Carvalho
Deriva
2009
118 págs.
€13
Reportagem Portugal em estórias curtas.
Comece-se pelo padre, que rabisca numa folha a história das famílias destroçadas em Castelo de Paiva. Ou pelo pastor da serra da Estrela. Mas sem esquecer o autarca que se comparava ao marquês de Pombal, o fadista, ele sim, esquecido nas obras e todos os outros que fazem este país. Na verdade, pouco interessa por onde se começa. Na capa, há seis meninos estendidos num pano vermelho, todos de braços abertos. Sejam bem-vindos ao jornalismo que se faz à estrada. Quando o mundo convida ao sedentarismo, com um piscar de olho à Internet, a sorte é mesmo dos que partem. Miguel Carvalho, 38 anos, grande repórter/redactor principal da revista "Visão", é um desses. As reportagens que publicou nos últimos dez anos surgem aqui "atenuadas de impurezas", mas sem perderem o que é essencial: o contacto com as pessoas, a reflexão sobre os temas e a capacidade de colocar as primeiras no centro dos segundos. A história faz-se, assim, de pequenas estórias. A reportagem, ensina-se nas escolas, é o género mais nobre do jornalismo. E o lugar-comum deve ser evitado no jornalismo. "A reportagem é o género mais nobre do jornalismo" já é um lugar-comum. Mas convém fixá-lo na hora de ler "Aqui na Terra", de Miguel Carvalho, pois terá pela frente 118 páginas da melhor reportagem que se faz em Portugal e nenhum lugar-comum. Apenas retratos de um país onde, mostra o autor, anda mesmo tudo ligado. Ricardo Marques
Obras - Vol. IV
Pedro Nunes
Academia das Ciências de Lisboa/ Fundação Calouste Gulbenkian
2009
805 págs.
€35
Ciência Os 'tratados náuticos' de Pedro Nunes, finalmente traduzidos e editados.
Em Setembro de 1566, a famosa oficina do impressor Heinrich Petri, em Basileia, terminou duas importantes obras científicas: a segunda edição da "Revolução dos Orbes Celestes", de Nicolau Copérnico - onde este apresenta o seu modelo heliocêntrico -, e a primeira da "Opera", de Pedro Nunes. Curiosamente, sabe-se hoje, estas duas edições seriam encadernadas conjuntamente por vários dos seus possuidores originais. Isso aconteceu, por exemplo, com o exemplar agora conservado em Oxford, que pertenceu ao matemático e estudioso do grego Henry Savile. Mas há outros factos a ligarem Copérnico e Nunes nestes livros. Nos "tratados de navegação", que constituem parte importante da "Opera", o cosmógrafo português tece vários comentários ao influente livro de Copérnico e chega a corrigir erros matemáticos do astrónomo polaco. Outro aspecto de grande relevo, que é aprofundado por Pedro Nunes nestes tratados, é o da linha de rumo, ou curva loxodrómica, um conceito central na cartografia e na navegação, que havia sido proposto por Nunes em 1537. Ora são precisamente os "tratados de navegação" que agora vêem a luz do dia, no quarto volume das "Obras" de Pedro Nunes, uma edição planeada pela Universidade de Coimbra há 200 anos mas nunca concluída. Isto apesar de entre 1940 e 1960 a Academia das Ciências ter publicado quatro volumes, com outros trabalhos de Pedro Nunes, e de em 2002 a mesma Universidade de Coimbra ter editado um fac-símile da edição de 1566. Este volumoso livro é uma cuidada e erudita edição crítica de Henrique Leitão com a colaboração de António Canas, Estácio dos Reis, Francisco Contente Domingues, João Filipe Queiró e Luís Semedo de Matos. Contém o texto latino original, a tradução em português - de António Guimarães Pinto -e 278 páginas de anotações e comentários. É um trabalho de edição e investigação histórica de primeira água. No entanto, apesar do recorte académico, boa parte do texto pode ser lida sem conhecimentos matemáticos avançados. Luís Tirapicos
.Bak Gordon
Frederico Tranfa e Ricardo Carvalho
Guimarães Editores
2009
232 págs.
€39
Arquitectura Uma recolha de trabalhos recentes de Bak Gordon.
Tal como o primeiro livro de 2005 (também intitulado ".bak gordon"), esta obra de 2009 apresenta os trabalhos mais recentes do arquitecto Ricardo Bak Gordon (n. 1967). O livro inclui documentos de apoio, uma 'conversa' (com Frederico Tranfa), além de uma sintética biografia, bibliografia passiva e uma cronologia ilustrada das principais obras e projectos. Podemos destacar dois grupos de obras realizadas: as casas, todas com expressão claramente meridional, mas dentro de um desenho erudito e sofisticado, como a dos Pousos (Leiria), a de Terra Queimada (Tavira) e a de Quelfes (Olhão); e as arquitecturas de desenho interior, em espaços repensados e reelaborados, para servir programas específicos, com amplo uso da cor e das formas dinâmicas, como o apartamento da Praça de Londres (2006), a Trienal de Arquitectura de Lisboa (2007) e o Pavilhão de Portugal na Expo Saragoça 2008. Um testemunho de obra com forte personalidade, em plena elaboração e depuração. José Manuel Fernandes
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Palavras-chave Cartaz, Cultura, Lazer, Programação, Tempos livres, Miguel Carvalho, Rui Bebiano, Slavoj Zizek, Pedro Almeida Vieira, Lázaro Covadio, Erik Orsenna, Thomas Pynchon, Pedro Nunes, Frederico Tranfa e Ricardo Carvalho |
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