13/02/2012 atualizado às 13:22
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Critérios de transferência mudam em outubro

Ministério da Saúde quer parecer das autarquias sobre a mudança de localização das farmácias. Associação de Municípios garante que a medida não é a solução.

Vera Lúcia Arreigoso (www.expresso.pt)
21:41 Quinta feira, 2 de setembro de 2010
As novas instalações da farmácia em Seia. José Ribeiro, de Torroselo, fez dez quilómetros para comprar medicação
As novas instalações da farmácia em Seia. José Ribeiro, de Torroselo, fez dez quilómetros para comprar medicação
José Ventura

Ministério da Saúde quer parecer das autarquias sobre a mudança de localização das farmácias. Associação de Municípios garante que a medida não é a solução.

Quase dois anos depois de ter dado liberdade às farmácias para mudarem de local dentro do mesmo concelho, o Governo reconhece ser necessário recuar. As 265 localidades que até junho perderam as respetivas farmácias fizeram perceber que é preciso "evitar a deslocalização, de sítios menos para mais povoados, que poderá afetar o acesso ao medicamento nalgumas regiões", explica o Ministério da Saúde (MS). "O processo deverá estar concluído em finais de setembro ou outubro".

A estratégia é, essencialmente, repor o que existia. "Uma dessas alterações passa por conceder às autarquias a emissão de um parecer de mudança. O Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) só poderá dar as devidas autorizações com este parecer", explica o MS. Mas há um detalhe: a apreciação não é vinculativa.

"Os pareceres são bons para os burocratas. Esta alteração não atenua nem resolve o problema", afirma o secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, Artur Trindade. Para o dirigente, "não faz sentido existirem restrições para a instalação de farmácias". E dá um exemplo: " No mesmo prédio podem existirem vários consultórios médicos e por que não farmácias?"

O ministério da Saúde e a Associação Nacional das Farmácias partilham argumentos - "Estes critérios têm por objetivo garantir a cobertura de todo o território nacional no que se refere à acessibilidade das populações aos medicamentos", explica o MS. Por isso, não está prevista nenhuma mexida nas 'barreiras de proteção' salvaguardadas na lei. A saber: uma farmácia por 3500 habitantes e distâncias mínimas de 350 metros entre farmácias e de 100 metros de unidades de saúde.

Mas há já quem diga que o recuo da tutela será compensado com novas formas de financiamento das farmácias, além da margem fixa de 20% sobre as vendas. A ANF confirma as negociações (ver caixa): "Está a ser solicitado ao MS um estudo económico-financeiro das farmácias. É um primeiro passo", diz o vice-presidente, João Silveira.


Três perguntas a

João Silveira, vice-presidente da Associação Nacional das Farmácias


Concorda com os limites que a tutela vai impor à transferência de farmácias?
Estamos de acordo com o regresso ao sistema antigo, que previa um parecer das autarquias. Se o mercado fosse totalmente livre, iríamos assistir à concentração das farmácias nos grandes centros urbanos. As regras que existem, em toda a Europa, protegem a população, garantindo um sistema extraordinário de acesso fácil, seguro e equitativo ao medicamento.

Fala-se cada vez mais nas dívidas das farmácias aos fornecedores. Este já não é um bom negócio?
A imagem era exagerada. A farmácia era uma atividade com alguma estabilidade e não propriamente com rentabilidade. Hoje, 500 das 2700 farmácias nossas associadas têm boa rentabilidade e as outras vão vivendo sem enriquecer. As farmácias têm sido maltratadas, com as margens a serem transferidas para a indústria farmacêutica e os encargos a aumentar, criando algum estrangulamento.

É verdade que vão propor novas formas de financiamento além da margem de 20% sobre os medicamentos?
O que está à venda nas farmácias são os medicamentos mais antigos e mais baratos e os genéricos e os preços baixam a cada seis meses. A tendência no futuro é a farmácia ser remunerada pela margem sobre os medicamentos e pelos serviços prestados, como o aconselhamento.

Farmácias em dívida

Um relatório recente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) revela que em junho existiam 665 estabelecimentos com €151 milhões em atraso aos fornecedores. E mesmo entre as farmácias com as contas em dia há dificuldades: os prazos de pagamento vão além dos 90 dias para 43% das farmácias associadas (2700 num universo de 3000 em Portugal).

O documento revela ainda que o lucro médio do setor sofreu uma redução de 40% entre 2006 e 2008, passando de €59 mil para €35 mil. A ANF atribui esta quebra a uma diminuição de 0,95% na média de vendas e a uma redução de 2,19% na margem bruta.

A par, registaram-se maiores encargos - mais 2% com pessoal e 8,19% nos serviços externos. Atualmente, 168 farmácias estão sob ações judiciais de cobrança coerciva, mais 39% do que em 2009.


 

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de agosto de 2010
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caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:26 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
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