13/02/2012 atualizado às 10:29

Crise ajuda transportes públicos

Preço do combustível e situação económica aumentam procura do Metro, comboio e autocarros.

Helder C. Martins
20:00 Quinta feira, 30 de abril de 2009

O aumento dos combustíveis e a crise económica "fizeram mais pelos transportes públicos do que décadas de discursos ambientalistas de diabolização do automóvel, a favor dos meios de transporte colectivo". A opinião é de Fernando Nunes da Silva, professor no Instituto Superior Técnico, e sintetiza o pensamento de muitos especialistas.

De 2007 para 2008, assistiu-se a menos trânsito nas estradas e nas entradas das cidades e a uma maior procura do transporte público (ver infografia).As seis empresas públicas de Lisboa e Porto e a Fertagus transportaram mais 11,4 milhões de passageiros. Quase metade dos mais 24 milhões de passageiros ganhos nos últimos quatro anos. Sinal dos tempos é também o aumento do número de passes em detrimento dos bilhetes, o que não só denota alguma preocupação em poupar mas também uma fidelização ao transporte colectivo.

"Os operadores privados acompanham a tendência dos públicos com um aumento sustentado da procura em 2008, para o que também contribuiu a manutenção dos preços em Julho e Dezembro", nota Carlos Correia, vogal do Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT).

O aumento da procura dos transportes públicos pelos combustíveis e pela crise "é evidente, mas não linear", diz o presidente da CP. Cardoso dos Reis explica que é a conjugação do factor necessidade das pessoas com o aumento da qualidade dos transportes públicos que induz a procura. Mas adverte que uma descida do preço dos combustíveis poderá inverter a tendência.

Desde Setembro de 2008, Cardoso dos Reis nota que o crescimento no tráfego de longo curso está a ser feito à custa da transferência para serviços menos caros, com um crescimento superior a 10% no Intercidades e manutenção no serviço Alfa. Associa à crise uma corrida aos passes em detrimento dos bilhetes ocasionais, muito associados ao lazer. Porém, a crise tem um reverso da medalha para os transportes. Álvaro Costa, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), salienta que o aumento do desemprego faz perder passageiros. Em zonas do interior como no Vale do Ave, exemplifica, o fecho de fábricas está a afectar negativamente os operadores.

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Mas os transportes públicos...
Xico Taxista (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 8:43 | Sexta feira, 1 de maio de 2009

... não ajudam o utente.

Pelo contrário.

CARRIS:

Quem, por volta das 22:00h estiver em S. Apolónia e queira dirigir-se para Terreiro do Paço (5 minutos de viagem), espera de 30 a 50 minutos por um autocarro. A pé era mais rápido. (O que vale é que já há metro).

CP:

- Na Linha de Cascais, as carruagens devem ter mais de 30 anos.
- Na Linha de Sintra os comboios são modernos mas, quem trabalhe até mais tarde, e precise de regressar a casa, supondo que está na estação do Rossio e quer ir para a Damaia (15 minutos de viagem), caso perca um comboio, espera 30 minutos pelo seguinte. Ou seja gasta 45 minutos quando apenas 15 são utilizados na viagem.
- Quem morar para os lados de Sta. Iria da Azóia / Alverca / etc. é tão mal servido de comboios, que nem há comentários que definam a ineficácia do transporte.

FERTAGUS:

Quem estiver na estação de Campolide, queira ir para o Pragal (Almada) e perca o comboio das 21:50, tem de esperar até às 22:20 (meia hora), para depois fazer uma viagem que dura 9 minutos.

Depois temos várias empresas de transportes rodoviários suburbanos, que nem merecem um comentário, dada a total falta de qualidade e desrespeito pelos utentes.

São elas:

Rodoviária de Lisboa
Lisboa Transportes (grupo Vimeca)
SCOTTURB
TST

Como excepção à regra, temos o METRO (Lisboa), que é a única empresa que eu conheço em toda a área metropolitana de Lisboa, que funciona com um mínimo de qualidade.

 
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Mas o inverso não acontece
Malekas (seguir utilizador), 1 ponto , 21:58 | Quinta feira, 30 de abril de 2009
Uma vez que a crise ajudou os transportes públicos, também os TP deviam ajudar quem está em crise e não tratar as pessoas como porcos. Até os animais que são transportados para o matadouro têm que ir em condições dignas. Os transportes públicos são, regra geral, de péssima qualidade. Chega a ser chocante como é feito o transporte de pessoas (ai a Linha de Sintra, meu Deus...). Se os TP fossem utilizados por gente importante e com estatuto, outro galo cantaria. Como são normalmente utilizados por emigrantes, desempregados, gente pobre, assalariados miseráveis, quaisquer vagons servem.
 
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    Concordo plenamente consigo, Malekas    Ver comentário
algumasletras (seguir utilizador), 1 ponto , 0:42 | Sexta feira, 1 de maio de 2009
Os transportes públicos
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:28 | Sexta feira, 1 de maio de 2009
Um dos efeitos positivos da crise poderia ser, de facto, a reeducação do cidadão português para o valor, ecológico e social, do transporte partilhado. O desenvolvimento das redes de transporte nas cidades, entre as cidades, entre as cidades e os outros lugares habitados, é de grande importância e devia ser uma das grandes prioridades dos governos de Portugal. Mas para que esta tendência se consolide são necessárias, em meu entender várias coisas: desenvolvimento adequado dos horários e frequências; aumento do índice de pontualidade; limpeza e segurança. Quanto a estes dois últimos pontos, penso que, entre outras coisas, é absolutamente necessário criar medidas fortemente, e convincentemente, dissuasivas de toda e qualquer forma de abuso ou de atentado contra a integridade dos meios de transporte e, sobretudo, das pessoas que os utilizam. De facto, não percebo como é que se pode tolerar todo o grafitismo que se vê em tantos dos nossos comboios e estações, um pouco por todo o lado. Se alguém sujou, alguém deve limpar. De imediato. E, sobretudo, devem ser criadas condições de vigilância para que os indivíduos com esses comportamentos anti-sociais sejam apanhados e feitos pagar, a alto preço, seja qual for a forma, desde que adequada, a "borrada" que fizeram. Desde logo, deveriam começar por ser forçados a limpar o que outros como eles fizeram.
 
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