Se espera que os bancos se tornem mais meigos na hora de conceder um empréstimo, desengane-se. Os critérios de concessão de crédito a particulares estão, e vão continuar apertados, de acordo com um inquérito realizado pelo Banco de Portugal
(BdP) a cinco grupos bancários portugueses em Janeiro.
"Para o primeiro trimestre de 2010, os bancos inquiridos perspectivam, em média, manter globalmente inalterados os critérios de concessão de empréstimos a empresas, tendo apenas um banco indicado um aumento da exigência dos critérios aplicados aos empréstimos de longo prazo e aos empréstimos a grandes empresas", lê-se no documento que explana as conclusões do questionário aos bancos. Porém, nos créditos a particulares, não será bem assim. "É antecipado um ligeiro aumento da exigência dos critérios de aprovação de empréstimos para aquisição de habitação e a manutenção praticamente sem alterações no caso dos empréstimos para consumo e outros fins", diz o documento. Segundo as instituições inquiridas, a deterioração dos riscos inerentes aos créditos, o aumento dos custos de capital e das restrições de balanço dos mesmos são alguns dos factores indicados para a actual realidade no mercado de crédito.
O inquérito conclui também que há cada vez mais pessoas a recorrerem a poupanças pessoais para evitar recorrer ao crédito ao consumo, o que se traduziu numa redução da procura de empréstimos bancários. Esta situação deverá mudar ao longo de 2010, segundo os bancos inquiridos.
Crédito à habitação mais difícil
De acordo com as respostas apuradas, os bancos terão aumentado a exigência dos critérios de concessão de empréstimos dos particulares para aquisição de habitação durante o último trimestre de 2009, embora não de forma tão acentuada como nos trimestres anteriores. "As instituições inquiridas justificaram este aumento de exigência dos critérios com a deterioração das perspectivas para o mercado de habitação e das expectativas quanto à evolução da actividade económica em geral e, em menor grau, com o aumento do custo de financiamento e das restrições de balanço." Uma das instituições sondadas apontou as expectativas para o aumento do desemprego como factor-chave.
Por aumento da exigência de critérios deve ler-se aumento dos spread
praticados, em particular nos empréstimos com maior risco, e diminuição do rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia.
O estudo também refere que duas das instituições bancárias assumiram uma desaceleração na procura de crédito à habitação no último trimestre, motivada pela deterioração da confiança dos consumidores e variação das despesas de consumo não relacionadas com a aquisição de habitação.
"Para o primeiro trimestre de 2010, dois bancos antecipam adoptar critérios mais restritivos de concessão de empréstimos para aquisição de habitação, sendo que os restantes antecipam a sua manutenção sem alterações significativas. Para o mesmo período, o saldo das respostas apuradas antecipa um ligeiro aumento da procura de empréstimos para aquisição de habitação para três das instituições inquiridas", lê-se no documento resumo do inquérito.
Crédito ao consumo
No que diz respeito ao crédito para consumo, os critérios de concessão também se tornaram mais restritivos, mais uma vez reflectindo-se em spread
mais elevados. A razão prende-se com a menor capacidade dos consumidores em assegurarem o pagamento da dívida, a deterioração das expectativas da actividade económica em geral e um aumento dos riscos associados às garantias exigidas.
Para o primeiro trimestre de 2010, os bancos esperam manter inalterados os critérios aplicados à concessão de empréstimos a este segmento. As respostas apuradas sugerem ainda que, para o mesmo período, três dos bancos inquiridos antecipam um ligeiro aumento da procura de crédito para consumo.