Tudo é possível?
Contou, certo dia um militar, que durante a guerra atravessou um dos maiores rios do mundo a correr.... Escapava, então, à perseguição do inimigo. De um total de cem homens que procuravam salvação, só sobreviveram três... exclusivamente os que não sabiam nadar...
Este episódio ilustra a necessidade de reflectir sobre quais as reais capacidades e talentos que se possui, para com discernimento, se identificar o que é possível ou não concretizar.
Acreditar na capacidade individual de superação das dificuldades é um imperativo, contudo, admitir que não existem limitações individuais é demagógico, para além de ser equívoco e frustrante.
Por maioria de razão, o mesmo princípio é aplicável às Organizações tendo por base que são essencialmente constituídas por pessoas.
É assim, tão importante saber o que está ao nosso alcance como o que não se consegue e nem sequer se deve tentar.
A "moda" da necessidade de inovar para acrescentar valor como solução para sair da actual crise económica, pode conduzir ao discurso fácil de que todos podemos e devemos atingir a excelência em múltiplas áreas.
De um dia para o outro o mote passou a ser Inovar, sem se perceber muito bem o que está subjacente a este conceito, por um lado, e por outro, sem enunciar os custos e as limitações .
Tudo é possível, pensam alguns.
No entanto, a capacidade de reacção de uma Organização, depende essencialmente, da qualificação dos seus indivíduos. Logo, o desenvolvimento da Organização passa pelo desenvolvimento individual que apesar de exercitado numa perspectiva Humanísta e global não pode deixar de ter em conta as reais capacidades de cada individuo.
A necessidade de crescer economicamente é uma realidade, contudo, é necessário manter o foco e de uma forma pragmática, procurar correr... sempre que não se sabe nadar.
À semelhança da sobrevivência dos três combatentes assegurada à custa de troncos de árvore que os auxiliaram, simultaneamente, a flutuar e a esconderem-se das balas , os actores de cada Organização devem procurar soluções que tenham por base as suas "reais" capacidades para manter o Sonho: Que tudo é possível.
Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL
e Presidente do Conselho de Administração da Holos