O impasse das negociações na Cimeira de Copenhaga está a ser marcado por uma tentativa dos países em desenvolvimento criarem uma nova ordem mundial onde os países industrializados não sejam o poder dominante.
Esta é a tese de Jo Leinen, chefe da delegação do Parlamento Europeu em Copenhaga, que em declarações à publicação online EurActiv salientou que "estamos no início de uma nova ordem mundial, mas seria lamentável sacrificar a conferência climática devido a problemas de governação global que não estão resolvidos".
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, tinha dito ontem numa conferência de imprensa da UE, que estava "francamente desapontado com o ritmo lento das negociações", tal como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já o salientara antes por diversas vezes.
E hoje, no penúltimo dia da cimeira, a divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento mantém-se.
Durão Barroso: "Financiamento é a chave do sucesso de Copenhaga"
A questão do pacote de financiamento dos países ricos aos países em desenvolvimento, para que estes possam concretizar os seus planos de mitigação e adaptação às alterações climáticas, "é a chave do sucesso de Copenhaga", sublinhava Durão Barroso, acrescentando que "é mais barato proteger o Planeta agora do que reparar os danos do aquecimento global no futuro".
E argumentava que a presença recorde de 135 chefes de Estado e de governo no final da megaconferência era um sinal da importância política que o Mundo dava à obtenção de um acordo "onde nenhum país pode ficar de fora".
As estimativas da UE apontam para que os países em desenvolvimento precisem de 100 mil milhões de euros por ano até 2020 para serem bem sucedidos contra as alterações climáticas, embora as organizações ambientalistas falem em 130 mil milhões.
Mas até agora só a UE deu os primeiros passos no sentido de uma solução, ao aprovar no Conselho Europeu em Bruxelas, no final da semana passada, um pacote de ajudas de emergência de 7,2 mil milhões de euros até 2012 (2,4 milhões/ano), onde Portugal contribui com cerca de 36 milhões de euros.
Em todo o caso, esta iniciativa europeia contempla apenas as necessidades a curto prazo, onde existe quase um consenso entre os 192 países presentes em Copenhaga. Mas permanece em aberto a parte principal do bolo financeiro, que terá de ter atribuída no médio e longo prazo.
Proposta da Etiópia aplaudida pela UE
A última proposta de resolução do problema surgiu ontem por iniciativa do primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zanawi, em nome dos países da União Africana. A União Europeia classificou-a como positiva, por conciliar posições, o que levou a que a conferência de imprensa dada ontem à tarde por Durão Barroso contasse com a participação de Zanawi.
O primeiro-ministro da Etiópia propõe que o financiamento de emergência aos países pobres até 2012 seja de 6,9 mil milhões de euros anuais entre 2010 e 2012, sendo 40% destinados aos países africanos, que são apenas responsáveis por 3% das emissões globais, mas são dos que mais sofrem com o aquecimento global.
Isto significa que a União Europeia se comprometeu no Conselho Europeu da semana passada com cerca de 35% do total do financiamento de curto prazo.
Depois, Zanawi sugere um esquema progressivo a médio e longo prazo: 34 mil milhões de euros por ano até 2015 e 69 mil milhões de euros por ano até 2020.
Sites oficiais da Cimeira de Copenhaga: