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Copenhaga - Meios e Fins

Alexander Ellis, Embaixador Britânico
18:25 Sexta feira, 11 de dezembro de 2009

O debate sobre as alterações climáticas que se está a desenrolar em Copenhaga  faz lembrar-me muito do debate sobre a ajuda ao desenvolvimento; nomeadamente, o risco de se confundirem os meios com os fins e, assim, reduzir tudo a uma questão de dinheiro. Não estou com isto a diminuir a importância do dinheiro. Mas não é tudo.

Primeiro, a cimeira de Copenhaga. Alguns países menos desenvolvidos reclamam que, sem um pacote financeiro ambicioso para os ajudar a mitigar e a adaptar às realidades das alterações climáticas, não vai ser possível um acordo global para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Por isso, Reino Unido, França e outros países europeus prometeram um montante substancial no Conselho Europeu de hoje para rapidamente apoiar os tais países em desenvolvimento. Mas vale sempre a pena recordar qual o objectivo - não maximizar o dinheiro gasto mas minimizar o aumento da temperatura do planeta, que já está a acontecer devido à actividade humana, segundo a grande maioria de peritos, através das emissões de gases com efeito de estufa. Gastar dinheiro para alcançar este objectivo é essencial - dinheiro privado para além do público. Mas temos de nos focar no fim a atingir - mitigar as alterações climáticas. E fazemos isto não só com dinheiro mas também com liderança política, objectivos claros e empenho comum, incluindo dos dois maiores emissores globais - a China e os EUA.

Recordo os debates sobre ajuda ao desenvolvimento porque também se resumia o seu sucesso à quantidade de dinheiro envolvida. E, com certeza, a ajuda financeira pode facilitar o desenvolvimento. Mas será incorrecto reduzir desenvolvimento a uma questão orçamental, porque não é - primeiro porque o objectivo não é gastar dinheiro mas promover o progresso de encontro aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio . E segundo porque há vários meios para alcançar este objectivo - entre eles, o comércio. Parece-me que o crescimento da China com base nas exportações tem feito mais para reduzir o número de pessoas pobres no Mundo do que qualquer outra politica, seja ela orçamental, privada ou pública.

Então, quando definimos objectivos fixos para cimeiras, sejam elas europeias ou não, devemos sempre olhar com muito cuidado para como medimos o seu sucesso. Devemos estabelecer um fim, não apenas os meios; porque se conseguirmos alcançar os  meios, mas mesmo assim não atingirmos o fim desejado, todo o esforço feito é posto em causa. Sim, podemos e devemos investir muito dinheiro - mas este investimento tem que ter um retorno, seja em termos de controlo da temperatura do planeta, seja em termos de erradicação de pobreza e miséria. Dinheiro só não chega.

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TUDO BEM, SALVO NUM PORMENOR (ainda que secundário
jvicentepinto (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 19:45 | Segunda feira, 14 de dezembro de 2009
TUDO BEM, SALVO NUM PORMENOR (ainda que secundário, para o tema)

Caro Bife Mal Passado,

Cito do seu escrito:

“Parece-me que o crescimento da China com base nas exportações tem feito mais para reduzir o número de pobres no Mundo do que qualquer outra política.”

É verdade, mas uma verdade que contém uma mentira, ou melhor, uma verdade que não contém toda a verdade!

As exportações da China reduziram, incontestavelmente, em muitos milhões, o número de pobres na CHINA e aumentaram, muito provavelmente, o número de pobres no resto do Mundo.

Cordialmente,

Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com

 
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3S (seguir utilizador), 1 ponto , 10:57 | Sábado, 12 de dezembro de 2009
Parece-me que há que reparar danos já causados indemnizando quem de direito. Mas mais importante é avançar para que a história não se repita. Estabelecer um limite para as emissões – Fim. Aqui a tecnologia vai desempenhar o seu papel - terá que se investir em investigação e disponibilizá-la.
O comércio tem implícito a fabricação de produtos até agora feita de modo ‘convencional’. A China como grande emissor de Gases de Efeito de Estufa beneficiará assim de novas tecnologias que assentem em fontes de energia verde.
Mas então como encaixar as mil e uma peças do puzzle que parece impossível resolver - Pobreza, Fome, Educação, Igualdade Social, Saúde Infantil, Combate à Sida, Ambiente, Parcerias Globais, Guerra, Terrorismo, etc. Qual a lógica subjacente?
Parece-me que o caminho é o indicado pelo Nobel Stiglitz, por exemplo.
Curiosamente, já em 1968 Robert Kennedy afirmou ‘The Gross National Product counts air pollution and cigarette advertising, and … the destruction of the redwood and the loss of our natural wonder in chaotic sprawl… Yet [it] does not allow for the health of our children, the quality of their education, or the joy of their play… the beauty of our poetry or the strength of our marriages… it measures everything, in short, except that which makes life worthwhile.’
Senão mais tarde ou mais cedo estaremos assim: http://www.flickr.com/pho...
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