As aulas supostamente começaram no dia 10 de Setembro. O Ministério da Educação determinou, e bem, que as aulas, para os estabelecimentos de ensino Básico e Secundário, tivessem início entre os dias 10 e 15 de Setembro. Mas não conheço nenhuma escola que leve a sério o desiderato. Na melhor das hipóteses a partir do dia 21 de Setembro as aulas já decorrerão com asseada normalidade.
O início deste ano lectivo tem novas e higiénicas especiosidades. Os professores andam a ser formados para ensinar os meninos a não serem porquinhos. Prevê-se que as escolas venham a andar numa azáfama a transmitir noções básicas de higiene para evitar a propagação da pandemia de gripe suína. Vão ser gastos seis milhões de euros em gel antibacteriano, desinfectantes, pulverizadores, máscaras, luvas. Tudo para combater o H1N1.
É preciso não criar falsas expectativas. Com muito mais dinheiro Queiroz não conseguiu o antídoto para evitar o P1D1. E Portugal corre o risco de nem sequer poder contactar outros vírus na África do Sul, em 2010.
As habituais visitas, acompanhadas, dos alunos para conhecerem a sua escola vão começar por um lugar onde toda a vaidade se acaba, a casa de banho. Estas instalações sanitárias, pelo menos quatro vezes por dia, vão ser limpas. A gente imagina como deveriam andar as 'water closet' escolares em anos anteriores!
Um ínfimo vírus tem um poder incomensurável de mudar hábitos seculares. O ancestral "limpa com o dedo" cairá definitivamente em desuso. Corrimãos e puxadores das portas vão ser desinfectados em todos os intervalos das aulas.
Tenho esperança de que esta campanha seja mais eficaz do que a operação "mãos limpas" em Itália. Em Oeiras, Gondomar, Felgueiras, é que tenho dúvidas. Os corrimãos devem continuar muito ensebados. E não deve haver sabão azul e branco que valha. Nem Jorge Nuno o emprestava.
Enquanto as aulas começam e não começam eu tranquilizo a minha Laura, impaciente por frequentar o 8º ano: "Ó filha, calma! Não tenhas pressa. À cautela, vai lavando daí as tuas mãos!"