Depois da confissão de que o défice orçamental seria da ordem dos 8%, percebe-se que o problema não é o seu valor numérico mas as questões preocupantes que lhe estão subjacentes como despesas não contabilizadas, pagamentos adiados, ou receitas irrepetíveis.
Ou seja, o grande problema é que não se conhece a verdadeira situação das contas públicas.
Sabe-se que o seu agravamento resultou de uma quebra na receita, mas também se sabe que o nível desta ainda vai baixar porque um elevado montante de que se dispôs até a data, não só não se repetirá, como ainda dará origem a um aumento de despesa.
Refiro-me, por exemplo, à decisão de vender património do Estado.
O momento é seguramente inoportuno, uma vez que o mercado imobiliário tem estado em baixa.
Mas nos casos mais significativos, o Estado vendeu edifícios para ficar a pagar elevadíssimas rendas ao novo proprietário, isto é, obteve receita a curto prazo e aumentou a despesa em rendas para o futuro.
Passar de senhorio a inquilino é uma decisão que, em qualquer família, daria uma acesa discussão.
Entre nós, o Governo toma decisões lesivas do património nacional e sobre elas não presta quaisquer contas aos cidadãos, o que é no mínimo abusivo.
Texto publicado na edição do Expresso de 12 de Dezembro de 2009