Pedro Passos Coelho lá tinha as suas razões para não morrer de amores por este congresso. Passos sai de Mafra mais atento ao verdadeiro adversário - Paulo Rangel - que ganhou gaz para os 15 dias que faltam. E os rangelistas acreditam que o apagamento de Aguiar Branco e o apelo ao voto útil ainda lhes pode permitir virar o jogo.
"Estou muito confiante", afirmou Rangel no fim dos trabalhos. Nos próximos dias vai mergulhar em força na campanha "de proximidade" que lhe deu a vitória nas europeias. "Os presidentes das concelhias não são donos dos votos", avisa José Luís Arnaut, apoiante do eurodeputado. Rangel confia mesmo "no polegar e no dedo indicador com que cada militante de base pega na caneta para votar".
Pedro Passos não vai dar tréguas. O candidato que as sondagens dizem ir à frente vai jogar forte no norte do país onde há a maior concentração de votos e, não por acaso, termina a campanha com um mega-jantar em Famalicão, uma das concelhias mais populosas do PSD. Os passistas estão atentos à crescente afirmação de Rangel em Mafra, mas acreditam que ela não vai chegar para afectar a vantagem do candidato que apoiam. E contam com a não desistência de Aguiar Branco.
O líder parlamentar é acusado pela candidatura de Paulo Rangel de favorecer Passos Coelho, mas nem por isso atira a toalha ao chão. Também cumprirá o seu programa de deslocações pelo país, disposto a ir até ao fim. "É uma questão de honra pessoal", explicam na candidatura.
Até dia 26, os candidatos ainda têm pela frente dois momentos mediáticos importantes: esta semana, cada um deles será entrevistado por Judite de Sousa na RTP; e no dia 22 terão um debate a quatro na mesma estação. As directas são quatro dias depois.
Para a história deste congresso também fica o regresso, 11 anos depois, de Marcelo Rebelo de Sousa. O professor foi super-aplaudido, dominou nas televisões, esbanjou beijos e abraços. E marcou. Deixou conselhos estratégicos para o futuro. Se se confirmar o prognóstico que ele próprio fez num recente entrevista ao Diário Económico - que o próximo líder do partido será "transitório" - quem sabe se ele não está de volta daqui a dois anos.