Vejamos: pediu-se um Congresso para permitir o aparecimento de novas candidaturas, mas já há três candidatos no terreno. Defendeu-se um Congresso para debater o País, mas nem sequer foi prevista a discussão de propostas temáticas. Atribuiu-se ao Congresso poderes estatutários, mas todos reconhecem que não é a duas semanas de eleições que se alteram as regras internas.
A questão subsiste, portanto: para que servirá este Congresso? Para travar a marcha de Passos Coelho? Até esse desiderato - tantas vezes segredado pelos entusiastas do Congresso extraordinário - acabou gorado pela expressiva votação que obtiveram os apoiantes do candidato que Ferreira Leite não quis no Parlamento.
Recuso-me a aceitar, todavia, que o Congresso de Mafra seja completamente inútil. Desde logo pelo convívio, que em qualquer partido é um dos grandes atractivos destas reuniões. Mas também pela transformação do órgão supremo do PSD em grande sessão de esclarecimento conjunta, que embora insólita, terá a sua utilidade.
A cereja em cima do bolo, porém, é outra: se for cumprida a praxe, está já garantido um momento memorável na história da democracia portuguesa. Será quando o Eng.º Ministro dos Santos, Presidente da Câmara de Mafra e mandatário distrital de Paulo Rangel, se dirigir aos Congressistas para lhes dar as boas-vindas ao pavilhão Eng.º Ministro dos Santos. Só por isso já terá valido a pena.