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Como transformar um embuste numa causa

Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 10 de dezembro de 2009

A agenda da Cimeira Ibero-Americana de Lisboa foi, logo à partida, determinada pela vontade do Brasil em discutir a questão das Honduras. Na ausência de Hugo Chávez, coube a Lula da Silva - que se vem comportando cada vez mais como um seu oficial às ordens - o papel de arauto da "reposição da legalidade constitucional" naquele pequeno país da América Central. No final da Cimeira, não tendo conseguido uma tomada de posição conjunta dos participantes sobre o tema, mas apenas uma declaração (apesar de tudo, favorável ao protegido de Lula e Chávez, o deposto Presidente Manuel Zelaya), um mal-humorado Presidente brasileiro declarou que "a Cimeira não foi convocada para isto. Se tivesse sido, eu não teria vindo" - e antecipou a sua partida. Ou seja: Lula fez do tema o assunto dominante do início dos trabalhos da Cimeira e, quando constatou que as coisas não lhe corriam de feição, protestou contra a ordem de trabalhos que ele próprio tinha imposto aos outros e foi-se embora.

Nenhuma razão assiste ao Presidente do Brasil e vale a pena observar mais de perto a questão, porque ela é sintomática de uma deriva populista em matéria de política externa, na senda de Chávez, a que Lula se vem entregando nos últimos tempos. Cumpridos, e a meu ver com nota bem positiva, os seus dois mandatos presidenciais, é patente em Lula uma vontade de abrir para o Brasil um espaço de liderança internacional, mais do que apenas regional, que culminará, mais tarde ou mais cedo, com a muito justificada filiação como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Mas, para lá chegar, ele parece ter adoptado a via de posicionar o Brasil não apenas como potência dominante na América do Sul e Central, mas também como potência "preocupante". Daí o seu envolvimento nas Honduras, ao melhor estilo da política latino-americana das aventuras de Tintim, ou a sua lua-de-mel com os ditadores venezuelano e iraniano - este recebido em Brasília a semana passada, com afectuosas declarações de Lula de que o Irão tem o direito ao seu programa nuclear. Ao mesmo tempo que o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarava que o Brasil deve avançar para se dotar de armas nucleares, agora que, segundo ele, interesses estrangeiros não deixarão de cobiçar o chamado "pré-sal" - uma extensa zona offshore, para lá das 200 milhas, onde acabam de ser descobertos grandes lençóis de petróleo e que, obviamente, o Brasil reclama como seus. Mas vamos, então, às Honduras.

O Presidente-eleito e em exercício, Manuel Zelaya, congeminou em Junho o clássico plano inventado por Chávez, de fazer um referendo, que lhe permitisse alterar a Constituição, e candidatar-se a um segundo mandato - coisa que Lula, por exemplo, se recusou a fazer no Brasil, ao contrário do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Depois dos golpes de Estado clássicos, a alternativa da emenda constitucional com a prorrogação dos mandatos presidenciais, tornou-se, aliás, a nova via "democrática" para perpetuar presidentes no poder, na América Latina. Conscientes disso, os constituintes hondurenhos não só o proibiram expressamente, como escreveram uma "cláusula fechada": quem intentasse alterar a regra constitucional cometeria crime e, se cometido pelo Presidente em exercício, daria motivo à sua destituição. Foi isso que Manuel Zelaya quis fazer e a sua tentativa foi repudiada pelo Parlamento e objecto de uma queixa-crime intentada pelo ministério público hondurenho, que culminou com uma sentença de destituição do Presidente, decretada pelo Supremo Tribunal. Em consequência, o Supremo Tribunal ordenou às Forças Armadas que executassem a sentença, depondo o Presidente - o que os militares fizeram, removendo-o do poder e embarcando-o para o exílio. Ou seja: o tal "presidente legítimo" de que fala Lula, foi deposto por decisão unânime dos outros poderes constitucionais, o legislativo e o judicial, por ter tentado alterar abusivamente a Constituição a seu favor. A isto chama Lula "vandalismo político e golpismo".

Deposto e exilado Zelaya, tomou posse, de acordo com a Constituição, o vice-presidente, o qual convocou eleições, que tiveram lugar domingo passado. Subitamente, em Setembro, o deposto e exilado Presidente Zelaya apareceu, para usar a expressão do ministro dos Estrangeiros brasileiro, "materializado" na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Rapidamente se tornou claro que essa 'aparição' surpreendente fora o resultado de uma operação logístico-diplomática cozinhada entre Chávez e Lula, com o apoio da Nicarágua. Mas o 'amigo' Zelaya não se limitou a materializar-se e ser acolhido na Embaixada brasileira: juntou lá dentro uns duzentos apaniguados (que só a pedido da ONU deixaram que lhes recolhessem as armas com que tinham entrado), e, desde então, tem feito da Embaixada o quartel-general de uma tentativa de sublevação ou guerra civil contra o poder legitimado pelo Parlamento e pelo Supremo Tribunal. Ou seja, facto jamais visto nos anais diplomáticos, o Brasil patrocinou o regresso clandestino de um presidente deposto num país estrangeiro ao abrigo da Constituição e por quem tinha poder legítimo para o fazer, e emprestou a sua Embaixada para servir como centro de operações para derrubar o governo do país onde essa Embaixada está acreditada. O que diria Chávez se uma potência estrangeira fizesse isto na Venezuela? O que diria Lula ou o mundo se os Estados Unidos tentassem fazer isto num qualquer país latino-americano?

Resta acrescentar que as eleições convocadas pelo Presidente em exercício se realizaram domingo passado e, segundo todos os relatos independentes, foram livres e isentas. Ganhou, com cerca de 61% dos votos, o candidato da oposição a Zelaya - o qual, assim como o Presidente em exercício, decidiu não se candidatar. Três países da América Central reconheceram já o novo Presidente; os restantes, fiéis discípulos de Chávez, continuam a reclamar o regresso ao poder do "presidente legítimo" e acusam o líder da Costa Rica e ex-Prémio Nobel da Paz, Óscar Árias (célebre pelo seu inabalável, e aqui raro, respeito pelas regras democráticas), de submissão aos interesses americanos. De facto, e depois de ter alinhado pela posição politicamente correcta e dominante de apoio ao restabelecimento no poder de Zelaya, Obama mudou de posição após as eleições de domingo passado - farto, seguramente, de dar cobertura a este embuste engendrado por Chávez e Lula.

Todavia, e apesar da irritação de Lula, a cimeira de Lisboa acabou por aprovar um "comunicado" (que muito satisfez e encheu de "orgulho" José Sócrates), onde se capitula, sem vergonha, perante a doutrina Chávez-Lula do golpe de Estado. Fazendo de conta que não tomou conhecimento, sequer, da realização de eleições, a maioria dos distintos líderes, encabeçada pelo país anfitrião, Portugal, condenou "as graves violações dos direitos e liberdades fundamentais do povo hondurenho" e defendeu a "restituição do Presidente Zelaya ao cargo para que foi democraticamente eleito". Assim se faz política e se escreve a História, num tempo em que os líderes não têm vergonha nem princípios, apenas conveniências e interesses.

Eu penso o contrário. Exactamente porque amo o Brasil como uma outra pátria e tenho admiração pelo desempenho de Lula da Silva e respeito por uma obra que tirou da miséria milhões e milhões de pessoas e lançou o Brasil no caminho do justíssimo reconhecimento e admiração internacionais, é que entendo que este estertor final do seu mandato, em matéria de política externa, não honra o Brasil.

Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Dezembro de 2009

 

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GATO POR LEBRE
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 10:18 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Parabéns pela forma objectiva e clara com que narrou a sequencia dos acontecimentos verificados nas Honduras. A informação sempre esteve disponível mas alguns insistiam em não ver o evidente… agora até os mais cegos já não podem dizer que não conseguem ver! Os planos do golpista patrocinado pelo Circo Chavez foram desmacarados e o processo democrático hondurenho triunfou.

Sobre Zelaya já mais nada há para dizer… pertence ao passado, já era! Quanto ao Chavez… o circo não pára, contínua e o que me espanta é como ainda não o puseram a andar… Cuba fica ali tão perto! Já o Lula é que me espanta. (Confesso que também tenho admiração pela sua obra social). É natural que na recta final do seu consulado presidencial tente dar nas vistas. A opção pela afirmação do nacionalismo da havaiana (chinelo) é algo que não acolhe simpatia nas elites brasileiras. Lula nunca foi “gramado” nem pelo exército na pela elite industrial. Lula sabe que não pode esticar muito a corda… internamente qualquer aventura contra os interesses instalados custar-lhe-iam muitos dissabores. O carnaval é algo sempre muito presente na cultura brasileira. Brincar com coisas serias é uma arte que todos os brasileiros sabem fazer e Lula, como bom brasileiro, anda só a brincar com as regras de um estado soberano que por acaso também é uma democracia… com um processo de democratização em tudo parecido com o brasileiro. As Honduras têm um Estado de Direito que se manifestou e que torpedeou as tentativas grosseiras ...
 
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    Re: GATO POR LEBRE (CONT)    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 10:26 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Faz saudade, patrão!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 1:57 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Finalmente, um artigo do MST bem fundamentado, com qualidade informativa e formativa.

Já não era sem tempo.
 
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PARABÉNS...!!!
4 DE DEZEMBRO (seguir utilizador), 1 ponto , 3:15 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Regresso para felicitar MST.

Livre de compromissos e distante da obediencia ao sistema, MST sabe honrar a sua herança.

As Honduras deram uma lição institucional ao mundo inteiro. Raramente constatamos assim o funcionamento de um Estado de Direito.

Parabéns...!!!
 
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A generosidade e a hipocrisia
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 8:32 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
No início da crise hondurenha achei que mesmo que Zelaya defendesse melhor que ninguém os mais desfavorecidos do seu país era um incompetente por ter deixado as coisas chegarem ao ponto de ser destituido de forma tão pouco digna.
Depois, ao ver todo o folclore que montou para chamar a atenção sobre a triste figura que fez, passei a designá-lo por cow-boy populista desarmado.
Surpreendeu-me muito que tivesse conseguido transformar a embaixada do Brasil em quartel general com o apoio de Lula, um presidente que tinha demonstrado bastante bom senso até hoje. Acho que Lula 'foi comido' neste caso tal como o foram a maioria dos lideres democráticos do mundo. A diferença é que Lula, sendo um homem generoso, foi consequente com as palavras e os outros limitaram-se à customeira hipocrisia. Agora, claro, custa-lhe mais a recuar.
Apesar dos diferentes matizes, considero que Miguel Sousa Tavares faz aqui um excelente artigo de opinião. Os meus parabéns.
 
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Muito bem
rui dinis (seguir utilizador), 1 ponto , 11:11 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Excelente artigo de opinião,a simplicidade de análise não engana nem distorce esclare-se,parabens.
 
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Os "embustes" habituais de MST
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 11:30 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Factos: 27/11/2005 - Manuel Zelaya é eleito presidente. 2 meses depois, após o Partido Nacional, o do candidato derrotado ter contestado os resultados, Zelaya toma posse do cargo; 11/11/2008 – Zelaya propõe um referendo de carácter não-vinculativo, sobre, entre outras coisas, uma 2.a hipótese de candidaturas às presidenciais, que deveria realizar-se ao mesmo tempo que as eleições presidenciais/legislativas/locais (29/09/09); 24/03/2009 – Zelaya propõe que haja um referendo a 28/06. Entre este dia e o final do mês, o Procurador Público, o Tribunal de Contencioso, e o Tribunal Eleitoral Supremo, ameaçam e proibem Zelaya de tentar mudar a constituição através de referendo; 23/06 – o Congresso aprova uma lei a proibir eleições, referendos e plebiscitos a menos de 180 dias antes das próximas eleições gerais. O chefe das Forças Armadas, Romeo Vasquez Velásquez, recusa-se a distribuir as urnas porque o referendo é ilegal; 26/06 – perante comentários de que o que Zelaya queria era concorrer por uma 2.a vez, o próprio veio desmontar a falsa questão, perguntando como é que ele poderia concorrer se a actual constituição o proíbe; No dia seguinte, o congresso discute a demissão de Zelaya por, entre outras coisas, “instabilidade mental”, ao mesmo tempo que Micheletti escreve ao gen. Velásquez para cumprir a sua função para com a constitução; 28/06 – golpe de estado
 
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    Os "embustes" habituais de MST (continuação)    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 2 pontos , 11:33 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
    Re: Os    Ver comentário
antespelocontrario (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
    Re: Os    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 16:32 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Posições que começaram a mudar
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 11:35 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Tal como a generalidade dos países democráticos, Espanha aceitou desde o início que Zalaya tinha sido destituido de forma ilegal e não podia pactuar com essa ilegalidade.
Depois dos EUA, Espanha já começou a anunciar a mudança de posição quando o ministro Moratinos disse em Lisboa que "Espanha não dá por boas as eleições nas Honduras mas também não as ignora".
Em pior situação para mudar de posição está Lula pois entalou-se até ao pescoço com o embuste.
 
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FINALMENTE
PresidenteDaJunta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:56 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Alguém conta a história do que se passou em Honduras com todos os factos e com o que realmente motivou a destituição (não golpe de estado) do Zelaya.
 
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Hondurras
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 16:27 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Bem haja a quem conhece e sabe expor o problema das Hondurras! Agradeço a Durruti Blak.

De MST já sobre o último artigo fiz o comentário devido! Parece que MST, mais uma vez se informou junto de um amigo, um americano, seria o Negroponte!?

Ao MST devo dizer que uma moeda tem sempre duas faces, pode-se escolher entre uma ou outra, mas quem informa tem de ler as duas faces da moeda!

MST escolha amiigos nos dois lados e depois ouça-os, e então exponha!

 
 
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    Re: Hondurras    Ver comentário
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Quinta feira, 10 de dezembro de 2009
Obrigado MST!
chinchila (seguir utilizador), 1 ponto , 18:44 | Sexta feira, 11 de dezembro de 2009
Parabéns pelo lúdido e importante artigo e obrigado pelo mesmo!
Sem papas na língua, livre e sem compromissos MST faz honras à sua ascendência e, tal como o pai, corta a direito, fala e escreve desassombradamente e diz-nos o que muitos escondem.
Eu não conhecia a versão que nos apresenta sobra as Honduras e fico-lhe grato por ela!
Obrigado dr. Miguel Sousa Tavares e continue!
(Pena essa "doença" pelo FCP mas isso só prova que não há pessoas perfeitas...)
 
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vendo bem
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Sábado, 12 de dezembro de 2009
tanto mst como o caro durruti contribuem para esclarecer a questão, o busilis que permanece é que o presidente queria altera a constituição para haver 2 mandatos, parece mau dito pelo mst, agora como foi posto pelo caro o problema e que o referendo seria feito nas proximas eleiçoes legislativas do pais, que funcionando ainda sobre o jugo da consitituição inalterada não permitiriam ao zelyane candidatar-se?? afinal qual era o plano? o que é que está em causa? a visao de um presidente que considera como em todos os paises democraticos viável um presidente exercer 2 mandatos, num projecto de continuidade...ou um projecto de ditador, que pelos factos AQUI apresentados nem poderia participar nas eleiçoes onde se daria o referendo? isto é mesmo muito estranho no minimo
 
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GOSTEI E CONTINUAREI A LER E A COMENTAR OS SEUS BO
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 0:54 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
..Parabéns ....Gostei demais;deste seu artigo..Se fosse para o classificar;lhe daria pontuação máxima Dr.Sousa Tavares..Só quem apostou na vitória antecipada;é que achava as Honduras;já faziam parte do sistema á lá chaves;e ao estilo do fidel..FELIZMENTE A DEMOCRACIA VENCEU..Obrigado.E ainda bem que o chaves e todos aqueles que pensavam que as Honduras eram favas contadas;o tiro saíu-lhes pela culatra... viva a democracia.. hoje é só..cumpts..kantiflas..
 
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