"Mais vale prevenir do que remediar", diz o velho provérbio. E nas finanças lá de casa, a frase também se aplica. Desemprego, divórcio, uma doença inesperada: são várias as situações que podem provocar um corte ou redução dos rendimentos mensais da sua família. "A prevenção ao nível financeiro permite responder, por um período limitado, às quebras no rendimento (desemprego e divórcio) ou aos aumentos da despesa (subida das taxas de juro)", diz Sandra Lopes, Gabinete de Orientação ao Endividamento dos Consumidores
(GOEC).
Todas as famílias devem elaborar mensalmente o seu orçamento. Natália Nunes, do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco
- Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores não tem dúvidas: "é fácil e é o melhor instrumento de controle das despesas". Basta pegar numa folha em branco, dividi-la em duas partes: de um lado as receitas (vencimentos, subsídios, pensões) e do outro, as despesas.
Além disso, devem contemplar um valor mensal para poupar. "A poupança tem que ser encarada como um objectivo e não como o que sobra no final de cada mês (muitas vezes não sobra nada) e deve representar 5 a 6 vezes o rendimento mensal da família", acrescenta.
Para Susana Albuquerque, secretária-geral da ASFAC
- Associação de Instituições de Crédito Especializado, a poupança feita com regularidade é "importante e valiosa". "Dá-nos estabilidade para gerirmos a nossa situação financeira e deixamos de o fazer com base em emoções fortes de medo ou culpa, que aparecem quando não existe uma almofada financeira e nos sentimos mais à mercê de gastos inesperados ou de súbitas diminuições de rendimento", explica.
Como deve constituir esta poupança? Regra geral, os especialistas aconselham uma poupança de 10% do rendimento mensal. "A garantia de sucesso da poupança existe sempre que a fazemos à cabeça e de forma automatizada. A ideia é retirar este valor assim que entre na nossa conta corrente", explica Susana Albuquerque. Se poupar apenas o que sobra no final do mês, não conseguirá fazer qualquer poupança, de acordo com Natália Nunes.
Sandra Lopes acrescenta que esta poupança deve ser aplicada em produtos sem ou de baixo risco, que renda juro e que tenha uma liquidez assegurada. Não se esqueça: o objectivo é que faça frente a situações imprevistas de redução dos rendimentos.
Saber agir
Quando as situações de ruptura surgem, é importante que reduza ou elimine as despesas supérfluas e tenha "extremo cuidado" na gestão das despesas correntes, segundo Sandra Lopes.
Natália Nunes alerta para outro aspecto: o orçamento deve envolver toda a família. "É possível gastar menos com a adopção de alguns comportamentos, por exemplo, em casa, que levam a uma diminuição da factura da água, electricidade, gás, entre outras." Ao elaborá-lo, consegue controlar os gastos e decidir onde quer gastar o seu dinheiro, Também permite que sistematize ou divida os recursos por categorias de despesas e poupanças, além de que convida toda a família a participar e a discutir as prioridades. Assim, os consumidores também conhecem, com rigor, o estado das suas finanças.
Susana Albuquerque também considera que fazer um inventário das despesas e rendimentos é importante para diagnosticar as suas finanças pessoais. Deve aproveitar para verificar onde pode poupar, distinguindo o necessário do supérfluo. Não recorrer ao crédito nem gastar como "forma de terapia" são outros dos conselhos de Susana Albuquerque. Em situações de ruptura, deve continuar a poupar, nem que sejam 10 euros, "porque reforça o seu sentimento de segurança financeira".