Stavros Dimas: 'O novo tratado climático tem de conter elementos construídos com base nos fundamentos de Quioto'
O planeta precisa de um novo tratado climático "construído com base nos fundamentos do Protocolo de Quioto" em Junho de 2010, afirmou Stavros Dimas, comissário europeu do Ambiente, em entrevista à publicação online EurActiv.
O comissário fez este prognóstico quando confrontado com o facto de ser hoje claro que a Cimeira de Copenhaga, que arrancou no dia 7 de Dezembro, só aprovará, na melhor das hipóteses, um acordo de natureza política e não um documento legal, vinculativo, para os 192 países envolvidos nas negociações climáticas.
Mesmo assim, para esse acordo político ser bem sucedido, tem de satisfazer quatro requisitos, segundo Dimas:
- "Compromissos quantificados dos países desenvolvidos para reduzirem as suas emissões" de gases com efeito de estufa, "e acções quantificadas dos países em desenvolvimento para abrandarem o ritmo de crescimento das suas emissões". E estes compromissos e acções têm de assegurar que a temperatura global do planeta não subirá mais de dois graus centígrados.
- Aprovação de um pacote de medidas de apoio aos países em desenvolvimento "de aplicação quase imediata, incluindo meios financeiros que os ajudem a definir acções de adaptação e mitigação" do aquecimento global.
- "Acordo sobre a necessidade de um documento legal sob a forma de tratado, e de que maneira esse tratado pode estar pronto em meados de 2010".
- Assegurar que o tratado contém elementos construídos com base nos fundamentos do Protocolo de Quioto.
As declarações de Stavros Dimas surgem depois de se saber nas negociações de Copenhaga que quatro grandes economias emergentes, que representam 30% das emissões mundiais - China, Índia, Brasil e África do Sul - estão a preparar um proposta para a conclusão de um tratado climático global em Junho de 2010.
Curiosamente, o comissário admitiu nesta entrevista que reduzir gases poluentes como o ozono e o negro de carbono (ou negro de fumo) "pode ser mais eficaz no curto prazo do que controlar as emissões de CO2", no que diz respeito à redução do aquecimento global.
"Além disso, há conflitos entre as duas medidas, porque as políticas climáticas promovem o aumento da combustão de biomassa, resultando daí elevadas emissões de negro de carbono".
O negro de carbono é geralmente considerado a terceira maior causa do aquecimento global, e a sua principal fonte é a queima de florestas para limpar terrenos para a agricultura, em especial no Brasil, Indonésia e África Central.
Sites oficiais da Cimeira de Copenhaga: