A tradição e a inovação no bordado de Castelo Branco deram as mãos para comemorar o I Centenário do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior (MFTPJ), que se assinala a 17 de Abril e que contará com a presença da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.
Antes de revelar o programa o museu deu a conhecer uma colcha produzida na Oficina Escola de Bordados Regionais, que representa a tradição.
Mas foi apresentado também um relógio, cujo esboço o Reconquista já tinha mostrado em primeira mão, lançado pelo projecto Terra Lusa, distribuído pela empresa Horas & Colecções Lda que, nestas comemorações, representa a vertente da inovação.
Aida Rechena, directora do MFTPJ, sobre esta colcha, que demorou 160 dias a ficar pronta, pelas mãos de uma única bordadeira, explica que "a investigação conduziu à conclusão de que o bordado de Castelo Branco tem uma matriz histórica, cuja tipologia se tentou representar nesta colcha. Mas tem também uma paleta de cores carregadas, como as do século XVIII".
Adiantou ainda que esta colcha não vai ser para venda, pois vai integrar a colecção do Museu, sendo incorporada simbolicamente no dia 17, com o nome 2010.
Para a inovação, Aida Rechena sublinha que "é necessária a colaboração dos artistas plásticos, na criação dos desenhos", uma ideia corroborada por Fernando Gaspar, do Instituto de Emprego e Formação Profissional que reitera que "só dessa forma a inovação pode ter a qualidade que lhe é exigida".
Maria Manuel, da Terra Lusa, explicou que os relógios com motivos tradicionais, começou por ser uma ideia ligada ao Turismo, pois o objectivo era "criar cartões de visita de Portugal".
O contacto com o Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT), alargou o leque de sugestões, como a do Bordado de Castelo Branco, que foi idealizada em 2007, com o apoio da Associação de Desenvolvimento Regional da Raia Centro Sul (ADRACES) e do Museu.
"Como pensamos que em 2008 a certificação avançaria, esperámos, mas como ainda está em projecto, decidimos que seria apresentado esta Primavera, a estação mais adequada para o fazer, pelo motivo usado, as cores, por tudo", refere, sublinhando que "o apoio do MFTPJ e do CRAT dão-nos a garantia que este relógio agora a ser lançado, apresenta um pormenor de um pano de armar, com desenho e gramática decorativa particularmente característica do bordado de Castelo Branco".
O relógio Bordado de Castelo Branco, o 21.º da colecção, está à venda desde 7 de Abril em 400 estações de correio, onde vai ser o destaque do Dia da Mãe, mas também em lojas de artesanato e alguns museus, com um preço recomendado de venda ao público de 25 euros.
Quanto à certificação, Fernando Gaspar explica que "o pior já foi feito", estando já concluído e validado o caderno de especificações, faltando agora demarcar a área geográfica onde é feito este bordado, junto do Instituto da Propriedade Industrial.
Depois disto "é necessário que alguma entidade lidere a parte técnica da certificação", ou seja, "no fundo falta implementar a certificação no terreno", mostrando disponibilidade do IEFP para continuar a colaborar neste processo.
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