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Gripe A: Newsmap e mapa mundial com actualização permanente

17:40 Terça feira, 14 de julho de 2009

Para facilitar o acompanhamento da evolução da gripe suína, quer nos casos registados quer no noticiário de língua portuguesa, apresentam-se abaixo dois mapas. O newsmap mostra as notícias sublinhando a sua importância (dimensão do título) e a frescura (mais claro = mais recente). O mapa mundial, um Google map, exibe os casos confirmados, suspeitos, negativos e mortes confirmadas. Cada marca contém informação sobre o local.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ ESPECIAL GRIPE A (H1N1)



(Ver Gripe A no mapa original)


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Nuvem de reacções à entrevista de José Sócrates

22:57 Terça feira, 21 de abril de 2009

O Twitter veio dar uma nova dimensão aos grandes directos televisivos. A entrevista do Primeiro Ministro José Sócrates à RTP, esta noite, registou uma nuvem de reacções sem precedentes.
Contabilizámos 1.659 comentários por 244 autores usando a hashtag combinada para o debate público, que foi #entPM.
Arquivei os comentários contabilizados aqui: http://cli.gs/entPM .
Ficam abaixo as nuvens das reacções. A primeira diz respeito às palavras usadas nos comentários. A segunda contém os autores, sendo que o tamanho das palavras corresponde à frequência da repetição, isto é, quanto maior a palavra, mais vezes usada.

 

 

Paulo Querido , jornalista

A "praga" da Internet vitima agora os informáticos

23:16 Domingo, 15 de março de 2009

A primeira vítima da partilha digital foi a indústria musical, já lá vai uma década. O cinema temeu o pior e, talvez por ter reagido cedo, escapou. A seguir foram os jornais a declararem-se vítimas da Internet, essa "praga" que supostamente destrói a capacidade de lucro das indústrias culturais.

A próxima vítima chama-se indústria da informática.

Mais propriamente, os técnicos e programadores. Os despedimentos na indústria informática dispararam. Despede-se mais que nos meios de comunicação social, só que, ao contrário deste sector, há algum novo emprego. Da Microsoft à IBM à Google passando pela Texas Instruments, Philips, Cisco, Pioneer e Dell, nos dois últimos meses foi um corropio de despedimentos (um quadro possível aqui ). Sub-noticiados, em função do seu menor apelo mediático.

É claro que "a crise" é apontada como a grande responsável por este ajustamento. Mas olhar assim para o problema equivale a ter a mesma atitude que custou o domínio do mercado mundial da música às antigas editoras majors: ignorar os avisos, como faz a avestruz, não é boa ideia.

Na verdade, à medida que os serviços informáticos se espalham pela Internet, os programadores estão cada vez mais no mesmo barco que os outros produtores de conteúdos culturais e de entretenimento. Um barco chamado "de onde virá o próximo salário".

A praga da Internet decorre do seu extraordinário poder produtivo enquanto fábrica colectiva global que é simultaneamente rede de distribuição. Com milhões de processadores incansáveis e grátis, software de fábula grátis e milhões de seres humanos a usá-los, a Internet gera abundância nunca vista.

Primeiro, veio a abundância da cópia. Músicas aos milhões, puxáveis por ínfimas fracções de euro (a ligação à Internet tem, apesar de tudo, um preço).

Depois, veio a abundância de informação e entretenimento. Recolher os elementos, produzir uma notícia E DIVULGÁ-LA tornaram-se actividades ao alcance económico de qualquer pessoa. Para editar um blog nem é preciso saber escrever, basta saber apontar um rato e carregar num dos dois botões. Os media gemeram.

O Caterpillar da abundância atinge agora a programação de software. Como nos blogs, basta saber usar o rato para juntar peças e criar um "programa" para produzir resultados. Um programa partilhável, que outros poderão utilizar, reutilizar, manobrar. Sem que nenhum programador tenha de mexer um dos seus bem pagos dedos.

Não falo apenas de sistemas como o fantástico Pipes , da Yahoo!, ou o arsenal de aplicações da Google prontas a enfiar em qualquer página ou site. Várias empresas competem na arena das widgets - pequenas "caixas" com conteúdos ou serviços que são distribuidas e redistribuidas pelos próprios utilizadores.

Subindo um pouco - mas não muito - na escala do conhecimento: hoje um programador amador ou hóbista (como é o meu caso) pega em conjuntos de rotinas previamente empacotadas e produz aplicações que até meses atrás só estavam acessíveis a profissionais de alto nível.

Assim, tarefas que antes da Internet estavam profissionalizadas e podiam render bons salários, são hoje acessíveis, a custo zero virtual, a praticamente qualquer QI acima de macaco.

Duas consequências, a primeira observável desde logo, a segunda a médio prazo.
Primeira: as respectivas classes profissionais sofrem no ego a degradação do reconhecimento social e na carteira a degradação da economia das respectivas indústrias. Quanto mais inflacionado estivesse o nível do ego colectivo, pior (muitos jornalistas ainda se acham deuses superiores, apesar de em muitos casos não se distinguirem do cidadão informado e de raciocínio capaz).

Segunda, ocorrerá uma triagem, que separará tais classes em vários níveis conforme o seu grau de adaptabilidade às novas circunstâncias. Que comportam tanto de ameaça quanto de oportunidade. Programadores que hoje se acham parte de uma elite terão de procurar o ganha-pão nas zonas do fraco valor acrescentado, na parte nada nobre da programação a retalho, assim ao nível do ajudante de mecânico, comparando com o mundo automóvel. Isto a maioria, enquanto as minorias subirão na escada do valor passando aos macro-serviços.

Tal como sucede na indústria da música e no jornalismo, actividades onde continuamos a assistir ao pungente fingimento de que tudo está na mesma, também entre a indústria da informática teremos, não tarda, o grupo dos negacionistas - os que dirão que "a crise" é a única responsável pelos despedimentos e restruturações e que, mal o dinheiro volte a jorrar, retomarão os antigos privilégios.

Más notícias para eles: não, não retomarão privilégios. O tsunami do amadorismo varrerá também essa praia.

Paulo Querido , jornalista

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O mais social dos congressos

22:27 Domingo, 1 de março de 2009

O congresso do Partido Socialista que hoje terminou em Espinho foi o mais social de quantos congressos partidários já se realizaram em Portugal. Social de redes sociais, entenda-se. A cobertura dos cidadãos, armados em jornalistas ocasionais ou nem por isso, terá mesmo ultrapassado a dos órgãos de comunicação.

Escrevo "terá" por precaução. Por um lado é difícil contabilizar estas acções de forma objectiva. Os minutos de televisão podem ser contados e o espaço nos principais jornais também - mas da rádio em diante, passando pelos jornais locais e terminando na rede, fica muito difícil rastrear numericamente as intervenções. Por outro, não estive lá e obtive números apenas aproximados. Apurei que entre jornalistas e bloggers - ou, como prefiro em casos de cobertura de eventos, profissionais e não-profissionais - acreditados, o número esteve entre os 50 e os 65. Sendo que a fatia dos não-profissionais está entre um quarto a um terço desse número.

Importa também que a cobertura dos não-profissionais já deixou a era da novidade, em que dois ou três pioneiros iam para os congressos sobretudo falar sobre si próprios e a importância de lá estarem. A rivalidade provocou não diria maior isenção, mas mais rigor e atenção aos pormenores.


Acresce ainda o impacto, sentido pela primeira vez neste congresso do PS, das redes sociais. As primeiras reacções que li sobre a surpresa Vital Moreira foram... no Facebook, de pessoas que o conhecem desde os tempos do Partido Comunista.


Mas a novidade maior é mesmo o Twitter. Pelo menos 155 pessoas escreveram activamente sobre o Congresso, uma boa parte das quais, como se depreende das conversas, o fizeram a partir do pavilhão. Ou seja, um número de cidadãos não acreditados observou, comentou e analisou os trabalhos, reportando para as suas audiências - dispensando completamente a intermediação dos órgãos de comunicação social que antes monopolizavam a cobertura directa, a cobertura informativa e até a cobertura analítica e opinativa.


Reforçando a independência: seguindo a emissão web no site do próprio partido, lendo os comentários em directo do pavilhão e as análises em diferido nos blogs, a completa cobertura do congresso pde ser operada sem o recurso a um único órgão tradicional e nem mesmo aos portais agregadores de conteúdos, que em Portugal souberam roubar as audiências naturais dos jornais.


E não estou a falar de um cenário hipotético ou futurista, mas do que aconteceu este fim de semana em Portugal, usando as redes sociais e ferramentas de distribuição de conteúdos acessíveis a qualquer pessoa.


Voltando ao Twitter, que é peça central disto: organizados ad-hoc em torno de uma simples expressão, #CongressoPS (o cardinal é a forma encontrada pelas pessoas para formar as hashtags, mecanismos de seguir assuntos tão simples quanto poderosos), jornalistas profissionais (incluindo 1 director de 1 diário), bloggers presentes no congresso, congressistas, ministros, políticos e cidadãos interressados ou ocasionais construíram um ambiente relativamente formal de divulgação de informação, debate, análise e até algum calor já erradicado dos media convencionais. E embora eu tenha centrado a minha atenção na tag #CongressoPS, esta não foi a única tag - e muitas pessoas nem sequer as sabem, ainda, usar. ("Ensinei" 3 ou 4 congressistas a fazê-lo no sábado.)


Não se pense que essa comunidade só funcionava em circuito fechado. O Twitter serve, isso sim, de plataforma mínima e rápida, cujas mensagens puderam ser lidas nos vários blogs (como o meu) que quiseram retransmitir o debate em tempo real, e que dispararam em todas as direcções, dos blogs ao Facebook passando pelas televisões (foi a TVI24 que lançou a hashtag #CongressoPS, aliás) e jornais.


Não foi certamente apenas do meu posto de observação que este congresso foi seguido quase exclusivamente pela Internet e, dentro desta, através dos canais das redes sociais, que não dos agregadores convencionais (e insípidos).

Top 10 mais prolixos

Da lista, fixada às 22:15 de domingo, dos 10 twitters mais activos sobre o congresso, conto 1 jornalista, 1 congressista do PS e dois bloggers acreditados.

@jovemsocialista 200
@tiagoms 63
@goncalovaz 62
@CatPereira 49
@vascocampilho 49
@designerferro 40
@jota21 39
@mfrancopt 39
@Diz_se 36
@G_L 36

 


Paulo Querido , jornalista. Siga-me no Twitter

Na net toda a gente sabe que és um deputado

3:40 Sexta feira, 20 de fevereiro de 2009

Em Julho de 1993 um cartoon de Peter Steiner para The New Yorker tinha a legenda que ficou como um símbolo de muitas coisas, do vandalismo à irresponsabilidade à impunidade: "na Internet, ninguém sabe que és um cão". Mas não foram precisos muitos anos para a frase se virar ao contrário. Na versão 2.0, a web das pessoas, "toda a gente sabe que és um cão" passou a ser o lema.

Não sei se o deputado Pedro Duarte pensou nessa frase esta semana - mas eu pensei, a propósito dele. E não, não tem NADA a ver com a parte do cão. A verdade é que na Internet toda a gente sabe que ele é um deputado.

A história em dois tempos, para quem não sabe. Houve um debate em tempo real, via Twitter, acerca do Prós & Contras desta semana sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Às tantas, da conta de Pedro Duarte - um da dúzia e meia de deputados que já usa aquela ferramenta de proximidade com os cidadãos - sai uma frase politicamente incorrecta e mal educada acerca de uma das senhoras que estava na televisão. Caiu o Carmo e a Trindade - e, se forem ver, continuam a cair, que as redes sociais têm esse condão, perpetuam alguns assuntos quase tanto como as televisões passam as imagens (do YouTube, sem direitos) da cena do telemóvel na sala de aula. Pedro Duarte pediu desculpa, disse-se vítima de uma violação da sua conta no Twitter e apagou-a.

O problema com Pedro Duarte é o problema de tantas pessoas, sobretudo da esfera pública, quando mudam de paradigma de comunicação às massas.

No antigamente, Pedro Duarte teria proferido aquela frase para um conjunto de jornalistas que iriam levar o que ele pensa para os seus jornais. Naturalmente, os jornalistas filtrariam o discurso, de forma automática. Claro que há sempre o risco de alguém se armar em esperto: calculo em 1 em 25 as probabilidades de um neófito desejoso de aparecer ou um de cor política diferente lhe passar a rasteira e apresentar a frase ipsis verbis.

Hoje, Pedro Duarte dirige-se ele próprio às massas no ambiente de circo onde estas pagam o bilhete, são o speaker, a plateia e vendem o algodão doce à porta. É uma figura pública no arame com os holofotes todos apontados. Não tem os jornalistas a mediarem, maquilharem, comporem.

Na web social, um político é uma pessoa como qualquer outra, com a diferença que é um político.

Se o vizinho do lado dissesse o que ele escreveu, 10 pessoas teriam protestado, 5 pessoas teriam batido palmas (eu vi 2 apagarem os seus apoios à tirada machista, na sequência da caça ao deputado que se seguiu) e a grande maioria teria encolhido os ombros e passado ao próximo assunto.

Mas não foi o vizinho do lado. Foi ele, deputado da Nação. E um deputado da Nação não pode dizer daquilo em público sem pagar a factura.

A lição do caso, espera-se que fique. O Twitter e as redes sociais são espantosas para fazer política, diz-me cada convertido que nelas mergulha. Mas nelas tudo está exposto e nada nos pertence, excepto a nossa reputação. E (ainda) não há assessores. Não há mediadores. Somos o que formos capazes de dizer e de ouvir. E de assumir.

Paulo Querido , jornalista. Siga-me no Twitter .

Voto electrónico: do ciberdebate para a agenda eleitoral?

2:47 Quinta feira, 12 de fevereiro de 2009

Trinta e quatro cidadãos debateram online as vantagens e desvantagens do voto electrónico. Mas não foi um debate vulgar.
Desde logo porque se tratou de um debate espontâneo. Depois, porque durou dois dias. Em terceiro lugar, porque decorreu sem moderador nem espaço organizado. Não houve conclusões oficiais - o que está mais perto disso será, eventualmente, este levantamento para o Expresso.
Tudo começou ao início da noite do dia 4 de Fevereiro último, no Twitter , na sequência de uma das muitas notícias sobre o voto dos emigrantes. Um comentário, ou tweet, de Diogo Vasconcelos teve resposta e em poucos minutos gerou-se o debate através daquela rede social.

Apesar de a imaginação ultrapassar a realidade, as vulnerabilidades dos sistemas informáticos continuam a ser um item - em especial quando exista centralidade.
Foram evocados diversos exemplos, desde o caso brasileiro às experiências nas últimas eleições europeias - passando pelo ocorrido em Portugal nas legislativas de 2005. Aliás, o debate contou com o ex-presidente da UMIC, que impulsionou as experiências nacionais.
No final notava-se sobretudo contentamento e a esperança de que o debate pudesse contribuir, de algum modo, para colocar a questão do voto electrónico na agenda eleitoral deste ano.
Já terminado o debate no Twitter Diogo Vasconcelos referiu-me, numa troca de e-mails, alguns números esquecidos. "Os dois círculos de eleitores internacionais existentes têm já muito poucos registados: círculo da Europa (75.764 eleitores) e fora da Europa (72.395 eleitores). Quem vive no estrangeiro sabe como nada é feito para estimular a participação nas eleições portuguesas. Os quase quatro mil emigrantes que participaram na experiência de 2005 viram nesta iniciativa um sinal muito positivo (cf dados nos estudos com link abaixo). Lembro-me de inúmeras entrevistas dadas a rádios locais de emigrantes, onde se valorizou (e muito) esta vontade de envolvimento e participação.
Investe-se (e bem) no "óbito na hora", no "casamento electrónico", etc - melhorar a participação devia ser uma prioridade: voto electrónico presencial com mobilidade em Portugal, voto electrónico nas Comunidades
".


Documentos (em PDF)
FEUP voto electrónico 2005: relatório final
FCUL relatório final auditoria
FEUP (Voto Electrónico 2005) relatório Unisys

Debate:





Paulo Querido , jornalista

Cavaco 2.0: Presidência adere a Youtube e Flickr

13:16 Segunda feira, 26 de janeiro de 2009

Depois do Twitter, na semana passada, a Presidência da República anunciou esta segunda-feira que passa a dispôr de mais canais nas redes sociais. A partir de hoje podemos ver as fotos do presidente Cavaco Silva no Flickr e os videos da presidência no YouTube e também no português Sapo Videos.

A actualidade, a agenda, as intervenções, as mensagens, as visitas e outras iniciativas do Presidente da República passam, assim, a poder ser acompanhadas pelo público nos próprios espaços onde "habitam" e comunicam, dentro da Internet.
"O rápido desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação coloca-nos constantemente novos desafios. São disponibilizados novos meios para melhor dialogarmos nas sociedades modernas. Temos de estar atentos para responder a esses desafios e encontrar novas soluções para as necessidades de comunicação que todos partilhamos" - justifica a mensagem pessoal de Cavaco Silva difundida pelo sítio da presidência e retransmitida pelos outros canais.
Os canais partilham o mesmo objectivo: disponibilizar informação actualizada sobre as actividades do Presidente da República a cada vez maior número de utilizadores das novas ferramentas de partilha na Internet.

Além da página oficial, a Presidência da República Portuguesa passa a estar presente em duas comunidades de partilha de audiovisual - os canais YouTube, em http://youtube.com/presidenciarepublica , e Sapo Vídeos, em http://videos.sapo.pt/presidencia - bem como na rede social Twitter, em http://twitter.com/presidencia , e no Flickr, em http://flickr.com/photos/presidencia , um sítio de hospedagem e partilha de fotografias.

Este exemplo da Presidência da República DEVIA fazer pensar outras instituições, nomeadamente a Assembleia da República. A actividade dos deputados continua a ser muito difícil de seguir na Internet. Seja para efeitos de escrutínio, seja para estar a par das iniciativas, seja para tentar estabelecer diálogos, os cibercidadãos só dispõem de um sítio oficial que está concebido para dificultar o acesso à informação. Isto, claro, para além da comunicação social online.

Por iniciativa pessoal, um punhado de deputados aderiu ao Twitter nas últimas semanas (ver lista aqui ). Louvável - mas não suprime a lacuna informativa das instituições, cada vez mais gritante.

Paulo Querido , jornalista

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Twitter: prós e contras em 140 caracteres (ou menos)

9:23 Quinta feira, 8 de janeiro de 2009

Nos primeiros dias do ano assisti a um surto de novas inscrições no Twitter, o serviço de microblogging mais usado no mundo. Refiro-me a inscrições de portugueses - nos Estados Unidos a notícia já não é o surto, mas sim se o Twitter se tornará mainstream em 2009.

Também li e comentei posts cépticos sobre a evolução do Twitter, em particular o do João Pedro Pereira no Tecnopolis (aqui ).

Mas porquê? O que é que o Twitter tem?

Há dias chegou-me o desafio de explicar o que é o Twitter num post no jugular - um dos blogs mais badalados da actualidade. Sem grandes preciosismos, listei algumas das razões para o interesse no serviço, ao mesmo tempo que explicam onde é que ele atrai as pessoas.

Fi-lo, muito apropriadamente, em frases de 140 caracteres, ou menos, para provar desde logo ser falaciosa uma das "críticas" que se costuma ler: a de que "140 caracteres não dão para nada!". É que cada post, ou mensagem, ou "pio", ou "tweet" no Twitter tem a limitação de um máximo de 140 caracteres. Essa limitação só é um obstáculo para quem o aceite. Na verdade, é ela que torna o Twitter tão valioso: obriga ao essencial, num mundo hiper-mega-ultra repleto de acessório.

Citando João Pinto e Castro , um dos mais recentes bloggers (bl-g- -x-st- e jugular) da blogosfera "histórica", ou central, a aderir ao Twitter: "É espantoso a conversa da treta que cabe em 140 caracteres" (59).
Republico aqui essa lista, revista e aumentada com uma secção com os perigos e os contras do uso do serviço.

Para que serve o Twitter?

Para que serve o telefone? Para milhentas coisas, não é? Vejam no Twitter o telefone no início de século. Não se enganarão. (124 caracteres)

O uso pelos portugueses tem mudado. Hoje, 35% usa-o via browser (isto é, escreve directamente). Só 19% do uso é envio de posts via feeds. (138)

Nem sempre foi assim. Há 3 meses o uso era maioritariamente (mais de 1/3) como 2º canal de divulgação via feed (com o Twitterfeed.com). (136)


Isto significa evolução. Os espanhóis, que usam + intensamente, + depressa e em maior número, tb têm diminuído como 2º canal. (126)

Lendo de outra forma: apesar da utilidade como 2º canal, o Twitter é cada vez mais olhado como o canal principal, o blog é o secundário. (137)

Fechem as bocas de surpresa E perguntem: porque é que metade da lista dos top 100 bloggers do Technorati tem intensa actividade ali? (136)

Respondo (em 140). 2 razões. 1ª testam importância de 1 tema antes de escrever, recolhem info e reacções. 2ª a curiosidade atrai leitores (138!!)

Reputação. Algumas "celebridades" do Twitter revelaram-se ali. Outras já existiam na blogosfera e cresceram as reputações no Twitter. (134)

Networking. Pageviews. Renovação dos leitores de um blog. Angariação de leitores brasileiros. (94)

É preciso algum cuidado mas consegue-se converter a actividade ali em leitores no blog. O Twitter é, hoje, a minha 3ª fonte de tráfego. (136)

Extraordinário manancial de informação. Embora com áreas sobrevalorizadas, sim: a web social, a tecnologia e a política americana são must. (140)

Ñ há melhor forma de seguir um acontecimento em tempo real. Entenda-se: + completa, com + pontos de vista. Links multimedia complementares. (140)

Extraordinária riqueza de links sobre qualquer coisa. Seguir as pessoas certas de um sector é a melhor maneira de saber TUDO sobre o sector (140)

É redutor escrever em 140 car? Há piores formatações! É o segredo. Simplificar. Avalio a importância de um assunto num olhar e clico ou não (140)

Conselhos? 1, apenas. Vão devagar. Da mesma forma que um blog não se faz numa semana, não se constrói nada no Twitter sem tempo. (129)

Ah, a menos que usem de forma passiva, isto é, explorando apenas o lado (soberbo, sem rival) de caudaloso rio de informação riquíssima (135)

Bastante informação aqui: http://is.gd/eEvP . Num só artigo? Este: http://tinyurl.com/ser-alguem-no-twitter (108)

Perigos e contras do Twitter

É altamente aditivo. Um paraíso para os news junkies. (54)

É desmoralizante para quem busca o sucesso rápido ou fácil: demora imenso tempo a construir uma rede de leitores (chamados followers). (136)

Estimula a procrastinação. Quase não vi pessoas incólumes. Mas a maioria reagiu rápido no controlo da doença. (110)

Nos primeiros dias não se passa nada, um problema para os impetuosos. O retorno nunca é imediato ou garantido. (111)

É frustrante para quem pretenda estabelecer ali uma actividade puramente comercial ou propagandística. (103)

Como a vantagem do Twitter varia quase de indivíduo para indivíduo,pode demorar que tempos até perceber onde está o valor. Eu demorei meses (140)

Apesar, ou por causa, da simplicidade, a curva de aprendizagem não é rápida. Não há botões nem menus com os "comandos". Vale a entre-ajuda (139)

Sem alguma experiência de utilização e muita dedicação, o Twitter não serve para a auto-promoção, ao contrário do que se pensa (133)

Os followers não são necessariamente friends. Podem, até, ser inimigos. Não é fácil adivinhar as intenções, evite expor-se (123)

Seguir muitas pessoas traz, por cortesia delas, muitos followers, mas um grande número de followers nem o ego compensa. (120)

Considerações pessoais

Há quem diga, carinhosamente, que eu sou um "adepto" e um "apaixonado" do Twitter. São simpáticas, as pessoas, mas abusam um pouco dos termos: não confundo a pertença ou a paixão com aprofundar conhecimentos mais ou menos activo e participado. Sei que os jornalistas não se devem envolver - mas nem a atitude social da classe está imune às evoluções (e involuções), nem estamos aqui a falar propriamente de envolvência num partido, numa empresa, numa organização, num clube (sou adepto de dois ou três, a começar pelo Sporting e passando pelo Manchester) ou mesmo na junta de freguesia local.

Aliás, o termo "envolvido" já é excessivo. Acontece simplesmente que acompanhei o Twitter desde muito cedo e com índices de curiosidade e atenção acima da média. Se isso me trouxe alguma "posição" enquanto "tuiteiro" (o que é largamente discutível, devo dizer), é uma marginalidade não pretendida.

Por outro lado, a tentativa de estabelecer páginas como a lista de "tuiteiros" de língua portuguesa, como fiz num wiki no meu endereço pessoal, tanto pode ser encarada como um sinal desse envolvimento, como - e eu encaro assim - uma pequena experiência do "jornalismo como um serviço". Este formato adicional, chamemos-lhe assim, do jornalismo está a emergir, ainda em casos isolados e as mais das vezes de iniciativa pessoal (como é o caso), mas os jornais não o enjeitarão a seu tempo. Alguns órgãos de Comunicação Social já o fazem, e de cabeça cito um exemplo recente, o da Al Jazeera no decurso da acção militar na Faixa de Gaza, proporcionando aos leitores um plataforma para a introdução de informações geo-referenciadas.

Abrir uma lista ad-hoc de portugueses e brasileiros com contas no Twitter não é notícia, mas é uma forma de principiar a organizar informação dispersa e caótica (Já agora, está aqui: http://tinyurl.com/jornalistas ).

Da mesma forma que algum jornalismo se preocupa com a cidadania e lhe dá guarida, também na rede algum ciberjornalismo abre espaço à cibercidadania.

O tempo veio, de resto, confirmar a minha aposta (ou perda de tempo, como alguns dirão): o Twitter é o caso mais sério na web social depois do Google, do YouTube e do Facebook.

Paulo Querido , jornalista (Siga-me no Twitter )

Wikipedia recolhe 4,3 milhões em donativos numa semana

15:46 Sexta feira, 2 de janeiro de 2009

Bastou uma semana para a Wikipedia recolher 6 milhões de dólares (4,3 milhões de euro, redondos) em donativos, na sequência de um apelo do seu fundador, Jimmy Wales, publicado por alturas do Natal.
O marco foi ultrapassado hoje, como puderam constatar os leitores da Wikipedia. Em todas as páginas do site surge, no topo, uma mensagem que alterna entre o apelo de Jimmy Wales e o resumo das contas apuradas. Há poucas horas o botão azul (ver imagem) com o montante angariado exibiu, pela primeira vez, um valor superior ao objectivo declarado.
Trata-se, provavelmente, da maior acção de crowdfunding jamais realizada.

A mensagem de Wales, traduzida nas línguas da Wikipedia, refere que o apoio dos leitores através de doacções é essencial para manter "livre e forte" o projecto da maior enciclopédia da história.
A Wikimedia Foundation, uma organização sem fins lucrativos fundada por Wales, é quem assegura os salários dos funcionários pagos da Wikipedia: 23 apenas. Estes são essencialmente técnicos e supra-editores, pois todo o conteúdo é editado livremente por voluntários não-remunerados: 150.000, que ao longo dos últimos anos contribuiram com mais de 11 milhões de artigos em 265 idiomas.
As despesas anuais do projecto centram-se nos servidores e conectividade e são, segundo Wales, inferiores a 6 milhões de dólares.
"A Wikipédia é mais do que um site. Nós compartilhamos uma causa: Imagine um mundo onde qualquer pessoa têm livre acesso à soma de todo o conhecimento humano. Este é o nosso compromisso.
Sua doação nos ajuda de diversas maneiras. Principalmente, você nos ajudará a cobrir os custos crescentes para manter o tráfego a um dos sites mais populares da Internet. Recursos também podem nos ajudar a melhorar o software da Wikipédia. [...] Estamos empenhados em fazer crescer o movimento pela livre circulação do conhecimento ao redor do mundo, através do recrutamento de novos voluntários e da construção de parcerias estratégicas com instituições culturais e de aprendizagem
".

Links:
Wikipedia em português , com 450.000 artigos
O apelo de Jimmy Wales
Lista de alguns dos benfeitores da Wikipedia (com donativo acima dos 1.000 dólares)
Crowdfunding , neologismo que define o recurso ao financiamento por uma cibermultidão.

Paulo Querido , jornalista

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Sabe por quanto se vende o seu perfil na Internet?

9:55 Terça feira, 23 de dezembro de 2008


Aceder à informação do seu perfil no Facebook ou no MySpace, ou aos seus dados pessoais no Skype, custa no mercado negro online em geral pouco mais de um euro. O endereço de correio electrónico sai quase de borla: cada milhão de endereços válidos custa apenas 5 euro às empresas que enviam mensagens comerciais não solicitadas ao abrigo de leis anti-spam tão ridículas quanto inúteis. Mais caras são, naturalmente, as informações bancárias, que orçam a partir de 44 euro.
Esta lista de preços dos serviços fornecidos pelos cibercriminosos foi divulgada esta semana pela Trend Micro , uma fornecedora de soluções de segurança de conteúdos para a Internet.
Curioso é que os preços têm alguma sazonalidade. Segundo a investigação da empresa, a "época festiva que atravessamos é crítica a nível de segurança informática e é propícia ao cibercrime. Os ataques online aumentaram 500% entre Setembro e Dezembro de 2007. No período homólogo de 2008 esta tendência fez-se também sentir. Os cibercriminosos conseguem importantes benefícios ao venderem informação pessoal no mercado negro online. É na época natalícia que o crime organizado da Internet prepara a sua lista de vítimas."

Nesta altura os preços variam. Eis um exemplo do que este mercado oferece, segundo a TrendMicro:
Dia 26: Pacote avançado de malware estimado em 1.750 euros.
Dia 27: 10.000 PCs em perigo com spyware instalado com um valor de 875 euros.
Dia 28: Pacote básico de malware, caixa simples com truques e conselhos sobre como obter a informação desejada por 875 euros.
Dia 29: Ficheiros trojanos em janelas pop-up que surgem discretamente no computador e permitem roubar a informação pessoal por 75 euros.
Dia 30: Os dados bancários de um perfil são vendidos por um preço inicial de 44,75 euros.
Dia 31: Informações de cartões de crédito à venda a partir de 31,25 euros.
Dia 1: 30.000 endereços de e-mail para envio de spam são vendidos a 6,25 euros.
Dia 2: 1.000.000 direcções de email estão disponíveis por 5 euros para envio de spam.
Dia 3: Acesso a uma conta de MySpace por 1,25 euros.
Dia 4: Negociar o acesso a um perfil de Skype pode custar 1,25 euros.
Dia 5: Contas de jogos online estão disponíveis a apenas 1,25 euros.
Dia 6: Perfil de Facebook por um preço módico de 1,11 euros, o valor de uma canção no iTunes.

"As pessoas deixam uma grande quantidade de informação em redes sociais, como o Facebook e MySpace. Milhares de cibercriminosos aproveitam-se para levar a cabo acções de roubo de identidade e de dados facilmente disponíveis online", refere Rik Ferguson, consultor da Trend Micro. Endereços de e-mail, nomes e datas de aniversário estão entre os dados que têm valor para o submundo virtual. "Se utiliza o Facebook para fazer compras de Natal ou tem de efectuar operações bancárias, deve ter em conta que as actividades dos hackers estão em alta nestes dias finais do ano. A Trend Micro recomenda aos utilizadores toda a cautela ao acederem a serviços Web em que seja necessária a utilização de informação pessoal", adianta o consultor.

Aumente a sua segurança
A empresa adiciona algumas sugestões para utilizar a Internet com melhor segurança, que aqui reproduzo por as considerar pertinentes.

  • Veja se aparece um cadeado na parte inferior direita do seu browser, pois é uma boa forma de verificar se está a utilizar a Internet com um nível de segurança essencial;
  • Altere as suas senhas de entrada com frequência. É certo que leva a um esforço adicional de memória, mas se alguém descobrir o acesso a uma conta sua, descobre facilmente as restantes. É importante que utilize uma senha diferente para realizar operações de banca e que a mude assiduamente;
  • Utilize configurações privadas nas redes sociais e informe os moderadores caso repare em comportamentos suspeitos que ponham em causa a segurança dos utilizadores;
  • Verifique se o seu computador foi afectado por malware utilizando software de segurança gratuito;
  • Utilize software de segurança para prevenir todo o tipo de ameaças. É recomendável que adquira uma solução que lhe dê as melhores garantias.

Paulo Querido , jornalista

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