"Franceses, abram os olhos, conheçam a verdadeira China! ", era uma das palavras de ordem que mais se ouvia no início da manifestação, ao principio da tarde de hoje, na Praça da República, em Paris.
Os chineses residentes em França abandonaram a sua lendária reserva - a numerosa comunidade chinesa é considerada a mais discreta e "invisível" de todas as comunidades estrangeiras da capital francesa - e ousaram sair dos seus bairros parisienses tradicionais, em Belleville e na zona da Praça de Itália. Pela primeira vez, marcaram uma manifestação para esta tarde numa das praças mais simbólicas de Paris.
"Os franceses tiveram um comportamento indigno por não terem protegido a Tocha Olímpica quando ela passou em Paris", disse um dos manifestantes aos jornalistas.
Com esta manifestação, na qual deverão participar dez mil pessoas, os chineses de França pretendem contestar as criticas gaulesas ao regime chinês e "a visão deturpada que os medias franceses transmitem sobre a China", segundo informou um dos organizadores.
Alguns manifestantes diziam-se particularmente chocados com a ameaça de boicote da França aos Jogos de Pequim. "Os JO não devem ser um muro, mas sim uma ponte!", lia-se num dos cartazes exibidos na Praça da República. "O Tibete é livre e tem comida - Uma única China, uma única família!", lia-se noutro cartaz.
Também em Pequim decorreram hoje manifestações contra a França, designadamente frente a empresas francesas instaladas no pais, tais como a cadeia de supermercados, Carrefour. Desde há vários dias que na China se desenvolve uma campanha pedindo designadamente aos autóctones para boicotarem os produtos franceses.