Estabilidade? "É fundamental para concretizar as mudanças". Crise política? "Se existisse, certamente já haveria uma moção de censura". Eleições? "Só em situação de grave crise política, mas não devemos esquecer a gravidade da situação em que o país se encontra". Programa de Estabilidade e Crescimento? Ainda é cedo para sabermos se ele é credível, "não se conhece versão final".
Em síntese, numa linguagem um pouco cifrada, foram estas algumas das principais mensagens contidas na entrevista que o Presidente da República (PR) deu hoje à noite à RTP.
Cavaco Silva esteve sereno, mas crispou-se perante a pergunta sobre um tema que já se tornou tabu em Belém, o caso das escutas de Setembro: "foi total invenção", o que tinha a dizer já disse.
O Presidente da República falou igualmente sobre o caso PT/TVI. Recusou afirmar se estava ou não esclarecido, mas foi claro a dizer que, no seu tempo, seria impossível o Governo não estar informado, pela importância do sector em causa e pela necessidade de transparência do negócio.
"Ninguém está acima da lei"
"Tem a ver com as regras de jogo da democracia", disse Cavaco Silva, não sem acentuar que haja quem não esteja esclarecido, "senão a Assembleia não estaria a abordar o assunto numa comissão".
E quanto aos restantes processos, nomeadamente o Face Oculta
, foi cristalino: a justiça deve seguir os seus termos, "ninguém está acima da lei".
Mas o Presidente da República rejeita o conceito de instabilidade política: "A Assembleia da República está a exercer a sua função fiscalizadora", "o Governo está a tomar as medidas que considera adequadas", ou seja, está a governar. E o PR não pode demitir um Governo por falta de confiança política...
O Presidente não deixou porém de realçar que as relações entre Governo e Presidência decorrem com normalidade, "a realidade tem pouco a ver com o que se tem dito e escrito", porque são "relações de trabalho". A cooperação estratégica está, aliás, "viva". "Foi um compromisso assumido" e ele será cumprido até ao último dia.
Quando virá esse dia, ou quando se saberá da sua recandidatura, levantou o véu: o anúncio será em Outubro. Pelo menos, se um dos critérios for, como disse, o "timing" cumprido pelos seus antecessores.