O Presidente da República, Cavaco Silva, afastou hoje Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a comunicação social, que passará a ser desempenhado por José Carlos Vieira.
Segundo disse à Lusa uma fonte oficial da Presidência da República, trata-se de uma "decisão do Presidente da República".
No 'site' da Presidência da República o nome de José Carlos Vieira já se encontra como o assessor para a Comunicação Social
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Fernando Lima era responsável pela assessoria para a Comunicação Social da Presidência da República desde Março de 2006, ocasião em que Cavaco Silva tomou posse como Presidente da República.
A Agência Lusa tentou contactar Fernando Lima, mas tal não foi possível até ao momento.
Fernando Lima tem sido assessor e conselheiro de Cavaco Silva desde que este chegou a primeiro-ministro pela primeira vez, em 1985.
Na sexta-feira, o Diário de Notícias (DN) noticiou que Fernando Lima foi a fonte do diário "Público" nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.
Essa suspeita foi formulada a propósito de críticas do PS à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD. Na notícia do "Público", uma fonte de Belém questionava a forma como os socialistas poderiam saber dessa participação: "Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem, ou não fazem, os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta, ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?"
Antes, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, já tinha adiantado o nome de Fernando Lima como a fonte da notícia do "Público" em entrevista à "SIC".
Foi na sequência desta manchete que o "Público" noticiou que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.
O DN publicou uma alegada mensagem de correio electrónico entre o editor de política do Público, Luciano Alvarez, e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.
O director do "Público", José Manuel Fernandes, depois de, numa primeira reacção, ter envolvido a "secreta" portuguesa numa alegada violação da correspondência entre os dois jornalistas, revelou na "SIC Notícias" não haver "nenhum indício que tenha havido violação externa" das mensagens electrónicas.
Quem é Fernando Lima
Fernando Lima, o ex-assessor para a Comunicação Social do Presidente da República, é um jornalista que trabalhou com Cavaco Silva durante praticamente 24 anos.
O "homem-sombra" do Presidente, como era chamado, foi assessor de Cavaco Silva nos seus três governos constitucionais, entre 1985 e 1995 e, depois, acompanhou-o quando se candidatou a Belém e foi eleito em 2006.
Entretanto, foi assessor nas Necessidades do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martim da Cruz (Governo de Durão Barroso, 2003) e dirigiu o Diário De Notícias num período muito contestado, que durou menos de um ano (Dezembro de 2003 e Outubro de 2004).
Oriundo dos Açores (ilha do Pico), Fernando Lima, de 59 anos, iniciou-se no jornalismo no Comércio do Porto, tendo trabalhado depois no Primeiro de Janeiro e no Jornal de Notícias, cuja delegação dirigiu.
Fernando Lima esteve também em Macau (1974-1976) e esteve à frente da antiga agência de notícias ANOP.
Luísa Meireles