Há algumas ideias feitas na política portuguesa quanto à popularidade. Uma é a de que os ministros dos Negócios Estrangeiros são sempre os mais populares dos executivos que integram. Outra, é que a popularidade dos chefes do Estado é sempre elevada e, sobretudo, muito superior à dos líderes partidários e membros dos governos.
Pois o trambolhão que Cavaco Silva
dá este mês no balanço de opiniões positivas e negativas aos olhos dos portugueses é inédito desde que o Barómetro da Eurosondagem inclui a Presidência da República. E ajuda a desmontar uma verdade até aqui julgada inquestionável.
Em Agosto, a última vez que o Barómetro tinha analisado a popularidade dos principais agentes políticos e instituições públicas (Setembro e Outubro foram meses de eleições, com a interrupção da análise), Aníbal Cavaco Silva
tinha um saldo favorável de 27 pontos na diferença entre os portugueses que viam com bons olhos a sua actuação e aqueles que achavam que tem agido mal.
Agora, não só as opiniões positivas desceram como as negativas cresceram o que faz com que o saldo se fique pelos 3,5 pontos. Apenas uma décima mais que José Sócrates, o primeiro-ministro que falhou a maioria absoluta e agora tem de fazer navegação à vista para aprovar leis no Parlamento.
O que aconteceu entre Agosto e o início de Novembro que possa justificar esta mudança? Houve duas eleições, as legislativas e as autárquicas, e em nenhuma delas o Presidente da República se apresentava a sufrágio. Mas houve, sobretudo, o hiperpolémico caso das escutas no Palácio de Belém.
Recorde-se que em meados de Agosto o "Público" noticiou existirem suspeitas de Belém de que estaria a ser alvo de vigilância por parte de elementos ligados ao Governo socialista. E que, depois disso, em Setembro (em plena campanha eleitoral), o "DN" noticiou que tinha sido Fernando Lima, assessor de Cavaco
, o instigador da polémica. Cavaco
foi obrigado a afastar o seu colaborador de sempre dos holofotes e veio a público fazer uma atabalhoada intervenção justificativa no Palácio de Belém, escassos dias depois das eleições. Um clima azedo entre Belém e São Bento que, a julgar apenas pela opinião popular, enfraqueceu sobretudo o chefe do Estado.
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| Veja a popularidade de Cavaco Silva e dos dirigentes dos principais partidos
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Ficha técnica
Estudo de Opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 29 de Outubro a 03 de Novembro de 2009. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores seleccionados e supervisionados, entre as 19 horas e as 22 horas. O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por Região (Norte - 20,4%; A.M. do Porto - 14,4%; Centro - 28,3%; A.M. de Lisboa - 27,2%; Sul - 9,7%), num total de 1.030 entrevistas validadas. Foram efectuadas 1.252 tentativas de entrevistas e, destas, 222 (17,7%) não aceitaram colaborar Estudo de Opinião. Foram validadas 1.030 entrevistas, correspondendo a 82,3% das tentativas realizadas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (Feminino - 51,8%; Masculino - 48,2%) e, no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 19,0%; dos 31 aos 59 - 54,9%; com 60 anos ou mais - 26,1%). O erro máximo da Amostra é de 3,05%, para um grau de probabilidade de 95,0%. Um exemplar deste Estudo de Opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Novembro de 2009