Um desfile de independência tão animado que nem o próprio casal presidencial resistiu a, no final, gingar ao som de uma música dos "Tubarões", o célebre grupo musical de Cabo Verde.
Mãos dadas no ar, lado a lado com o seu homólogo cabo-verdiano Pedro Pires, o Presidente Cavaco Silva, a mulher, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, vibraram com os acordes de uma conhecida música do grupo que soou no final do cortejo que assinalou na tarde de hoje os 35 anos de independência de Cabo Verde.
Um cortejo informal que viu desfilar não só as tropas e polícias mas também toda uma série de associações, grupos e escolas, cada uma com os seus sons e ritmos, numa típica animação africana. Não faltaram também os grupos de batukada - "batuko", como aqui se diz.
Mas um cortejo original também, porque "abrilhantado" pela primeira vez com o desfile de um pelotão de cadetes e uma exibição de paraquedistas portugueses. "Um espetáculo!", dizia um cabo-verdiano, José Sanches, que desde as quatro horas não arredou pé da avenida.
José Sanches é professor de Filosofia na Universidade de Cabo Verde e não esconde que o seu país tem de "aprender com o que há de bom em Portugal. Se os portugueses estão hoje aqui significa que não há remorsos de parte a parte e que há maturidade ao nível dos dois povos que permite que se juntem para celebrarem esta data".
Também o major Luís Mamão, que comandava a pequena equipa dos "Falcões Negros" (paraquedistas) que fez a exibição, disse que teve "imenso gosto em participar e que faz todo o sentido o intercâmbio" entre os dois países.
Foi a primeira vez que Cabo Verde convidou tropas portugueses para estar presente no desfile das comemorações da independência.