"Peço aos analistas externos que analisem com imparcialidade e com rigor os indicadores relativos a Portugal e concluirão que não há qualquer comparação entre Portugal e a Grécia", afirmou o Presidente da República
. (Veja vídeo SIC no final do texto)
Cavaco Silva garantiu que a conjuntura económica portuguesa não tem comparação com a grega
Luiz Carvalho
O Presidente da República, Cavaco Silva
, defendeu hoje não haver "qualquer comparação" entre a situação das finanças públicas portuguesas e gregas, considerando "infeliz e incorreto" o paralelismo sugerido pela Comissão Europeia.
Em Castelo Branco, onde cumpre o primeiro dia do segundo Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras, o Chefe de Estado afirmou ainda que "o mais importante" no momento em que o país está sob escrutínio dos mercados internacionais é a aprovação do Orçamento do Estado.
"Peço aos analistas externos que analisem com imparcialidade e com rigor os indicadores relativos a Portugal e concluirão, sem fazer qualquer esforço, que não há qualquer comparação entre Portugal e a Grécia", disse, rejeitando em seguida a apreciação feita pelo comissário europeu Joaquin Almunia.
Declaração "infeliz e incorreta"
"Eu confio que os analistas externos que olham para Portugal e a própria Comissão - que fez através de um seu comissário uma declaração que eu considero infeliz e incorreta - espero que rapidamente corrijam essa apreciação em relação a Portugal. Porque não é só uma questão de injustiça, é uma questão de incorreção e eu posso afirmar isso corretamente", frisou.
Para Cavaco Silva, o mais importante no momento atual, no qual Portugal "está sujeito a uma observação atenta dos mercados internacionais", é "sublinhar a garantia de aprovação do Orçamento do Estado, um documento muito importante para o país
"É importante sublinhar de forma clara que o caso português não se confunde de forma nenhuma com o caso grego", insistiu.
Défice público português é muito inferior
E detalhou: "Eu conheço bem os indicadores de Portugal e os da Grécia. Portugal tem uma dívida pública muito menor do que a grega, o nosso défice público é muito inferior, Portugal foi sempre um país cumpridor das suas obrigações em relação às entidades externas, em Portugal existe um consenso político alargado de que é preciso enfrentar os problemas".
"Eu, que sou professor de economia, posso dizer aos observadores externos que eles estão errados na análise que estão a fazer da situação portuguesa e eu espero que possam corrigir, que olhem para os indicadores portugueses, que os comparem com os outros países e chegarão, como eu chego, à conclusão de que a sustentabilidade das finanças públicas portuguesas, tal como a sustentabilidade das nossas responsabilidades externas é bem mais forte que a sustentabilidade de outros países", sublinhou.
Escudando comentar a declaração feita na quinta-feira pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, a propósito da Lei das Finanças Regionais, o Chefe de Estado considerou apenas "normal em democracia" que "os ministros às vezes não gostem de certas leis que são aprovadas no Parlamento".
"A Assembleia da República é o centro por excelência da democracia, os deputados são os representantes do povo. Sempre acontecerem casos em que os ministros não gostam das leis aprovadas na Assembleia. Eu recordo-me disso no meu tempo. É a democracia a funcionar. E eu respeito as regras da democracia", disse, considerando que nesta fase não deve dizer mais nada sobre uma lei ainda por votar na AR.
Aprovação do OE 2010 é essencial
Para o chefe de Estado, "é importante que todos façam contas com todo o rigor. Mas o assunto mais importante é a garantia da aprovação do Orçamento do Estado", são as contas do Estado que "merecem a atenção dos observadores externos" e "é isso em grande parte que vai levar à correção da análise que têm vindo a fazer".
"Portugal está num caminho de estabilidade política, tenho vindo a fazer tudo e continuarei a fazê-lo para que ela se mantenha, ainda no outro dia o Conselho de Estado mandou uma mensagem que considero muito correta a todos os agentes políticos. A vida em Portugal ao nível político desenvolve-se com aquela normalidade típica das democracias, que às vezes são mais dinâmicas e outras vezes menos", comentou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar, a partir de amanhã, o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
...que Portugal tem um português à frente da Comissão Europeia que, como se disse na altura, é crucial para a defesa dos interesses portugueses na Europa.
Esta boca da Comissão Europeia está a provocar quedas na bolsa, destruindo valor dos investidores, e o aumento dos juros pagos por todos os portugueses, mas até nem deve ser culpa dele, creio eu.
Deus lhe dê saúde para continuar a defender os interesses portugueses por muitos e muitos anos, e que nunca seja obrigado a explicar ao povo (ou à justiça) portugueses quais foram afinal as provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque que ele jurou que tinha visto com os seus próprios olhos, esclarecendo de uma vez por todas se foi "naïf" ou mentiroso.
Se bem que esse esclarecimento até pudesse ser útil para perceber esta embrulhada.
ANO1933 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 18:56 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
Falou quem sabe do "oficio"
Por mais que que tentem denegrir a imagem de Cavaco Silva nunca o conseguirão.
Aqueles que o vilependiam, ainda vão ter saudades dele.
Esta sua intervenção foi simplemente BRILHANTE, e não ao alcance de qualquer um!
Saibam reconhecer o mérito de quem o tem, ao menos.
Eu, por exemplo reconheço tal atributo a A. José Seguro, Jaime Gama e A. Vitorino, todos do PS.
O dono a seu dono.
.... por anda, o que diz a isto, não faz nada, não acrescenta nada?
Confirma-se, infelizmente, aquilo que muitos dizem de Durão Barroso, não passa de um "verbo de encher" a quem, em "paga" do favor dos Açores, arranjaram esse tacho.
Quanto a Cavaco, os meus parabéns, é para isto que precisamos de um Presidente da República.
Falou "alto e bom som", de um assunto que sabe, seguramente muito mais do que os "eurocrates" encabeçados pelo "nosso" Durão.....
JCCC (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 19:16 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
... Cavaco Silva pronunciar-se sobre esta matéria, ele que geralmente não prima pela espontaneidade.
Quanto a mim, julgo que devia ser mais interventivo e não tão "cerebral". Parece sempre um pouco mecanizado.
Aparentemente, e a fazer fé nas suas palavras, fomos injustiçados no que se refere à analise económica feita por pessoas que dificilmente podem estar munidas de informação suficiente para fazer tais diagnósticos.
Em todo o caso fico satisfeito com estas declarações e acredito que elas possam ter o poder de mudar algo.
Vivemos um período muito volátil em que qualquer declaração ganha um peso extraordinário sobre a vida do país.
Quanto a Durão, não me surpreende (nem nunca tive ilusões) que não se pronuncie.
Esta já não é a sua "guerra" há muito.
Mas "à mulher de César não basta ser, tem de parecer".
A imagem que passamos é um desastre: um governo fraco, uma oposição desnorteada, défice incontrolável e despesimo.
Para melhorar a situação, a agitação laboral está na rua.
O resultado está à vista: quase tivemos um crash na Bolsa de Valores pela falta de confiança.
Só falta que as empresas que restam por cá se mudem para onde haja mais estabilidade.
A situação pode não ser igual à da Grécia, mas parece que nos esforçamos para a alcançar!
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 23:07 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
Portugal tem muitas e variadas fragilidades que concorrem para as dificulades que atravessa. Todos eles já foram dissecados de forma exaustiva por especialistas e politólogos da praça. Não me lembro porém de alguém ter tocado em cheio na ferida.
Os argumentos da falta de competitvidade, atraso estrutural, desequilibrio entre importações e exportações, deficiente formação profissional, baixa escolaridade, entre outros, já são bem nossos conhecidos. São invariavemente citados com uma regularidade que qualquer homem do campo, já os sabe de cor e salteado.
Quanto a mim porém, o maior problema é o da falta de credibilidade.
Os problemas do país tendem a avolumar-se e a tomar dimensões preocupantes porque Portugal nos últimos anos tem sido "governado" por uma clientela partidária (em regime de alternância) sem qualquer categoria. E isso paga-se caro. Os indicadores até podem não ser tão maus como os pintam. O problema é que as pessoas que estão à frente do País não têm qualquer credibilidade. Por cá ainda vão passando. Têm honras de primeiras páginas e aberturas de notciários, o que os envaidece, mesmo que seja pelos piores motivos. O pior é quando somos analisados à lupa por instituições internacionais. Aí, deixa de haver contemplações e levamos forte e feio. O paradoxo que ilustra isto que escrevo traduz-se no facto de, apesar de Portugal estar literalmente de tanga, os responsáveis por esta triste situação, prosperam e enriquecem escandalosamente.
... ainda não apareceram para elogiar Cavaco pelos seus conhecimentos e serviço prestado ao País. Devem estar a elaborar com todo o requinte. Vá lá, não exagerem nos elogios, que o "capataz" não vai gostar...
Cavaco toma a única posição digna que podia tomar ao fazer estas afirmações que se destinam a ser ouvidas no exterior. Infelizmente não tem razão. A situação de Portugal está muito bem estudada pelas agências de notação, pelo FMI, Pela UE, pela OCDE. Quem não sabe de nada é o povo português porque tudo lhe tem sido escondido. O próprio Cavaco não vai sair muito bem na fotografia pois pode ser acusado de fraqueza e falta de coragem para actuar quando devia.
O PR tomou posição sobre a 'tentativa' das agências de rating internacionais e da imprensa especializada - sobretudo (?) anglo-saxónica - de colocarem Portugal e a Grécia no mesmo saco.
Falou com inegável assertividade e segurança e com propriedade no contexto das ordens de grandeza.
Os indicadores gregos são bem mais gravosos do que os portugueses.
Além disso, Portugal sempre cumpriu as suas obrigações externas e tem serviços estatísticos até hoje respeitados e credíveis interna e externamente.
Havendo muitas diferenças entre Portugal e a Grécia, há também algumas semelhanças que não passarão despercebidas a qualquer analista rigoroso.Não cabem aqui no contexto restrito de déficit fiscal e dívida pública.
Enquanto PM o actual PR orgulhou-se de ter feito Portugal ultrapassar a Grécia (marginalmente) relativamente a indicadores chave da análise comparativa entre países. Foi sol de pouca dura pelo efeito conjugado dos malabarismos gregos e da relativa estagnação portuguesa após 2000.
Portugal tem de encontrar o seu caminho por si próprio, com equilíbrio, sentido de Estado e autenticidade.
Não por comparação com gregos ou por imposição de Bruxelas...
Afinal, e para exercício em abstracto(?), o crónico problema das finanças públicas portuguesas e das principais variáveis macro-económicas são problemas estruturais carecendo de respostas estruturais.
Ou não serão?