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Três pessoas intoxicadas e um morto

Castelo Branco em alerta cogumelo

Na região de Castelo Branco os cogumelos são considerados um pitéu delicioso, mas na apanha todo o cuidado é pouco.

Reconquista- João Carrega
11:00 Segunda feira, 30 de novembro de 2009

Três pessoas intoxicadas por ingestão de cogumelos e uma vítima mortal - que não chegou a ser transportada para uma unidade de saúde -é o registo apresentado pelo Hospital Amato Lusitano (HAL), em Castelo Branco, nos últimos 15 dias.

Dois dos pacientes eram irmãos e outro era esposa do senhor, de 74 anos, que falecera na sua residência.

Os números podem não ser muito elevados, mas revelam bem os perigos de uma ingestão de cogumelos venenosos.

João Gabriel, médico e director da Unidade de Cuidados Intensivos do HAL, lembra que há cerca de 180 cogumelos venenosos e que cada um apresenta níveis de toxicidade diferentes.

Os primeiros sintomas de intoxicação podem ocorrer seis horas depois da ingestão de cogumelos venenosos.

"Mas isso também depende de espécie para espécie, pois por vezes os sintomas aparecem mais tarde", esclarece.

João Gabriel diz que "aos primeiros sinais de intoxicação as pessoas devem deslocar-se para ao Serviço de Urgência do Hospital, onde serão feitos os exames necessários e se desencadeia o processo de tratamento.

Mas mesmo que se verifique que, no momento, não há indícios de intoxicação, as pessoas ficarão sob vigilância médica, pois há casos em que a intoxicação se revela mais tarde".

O Hospital de Castelo Branco está dotado de meios avançados para fazer face a situações de intoxicação.

"Por vezes pode-se fazer todo o esforço para se tratar uma pessoa vítima desse tipo de intoxicação e não ser possível salvar-lhe a vida. 60 a 70 por cento dos casos com intoxicação devido à ingestão de cogumelos venenosos são fatais. Mesmo com o tratamento adequado, as estatísticas a taxa de mortalidade situa-se entre os 10 e os 20 por cento", explica João Gabriel, numa alusão às estatísticas publicadas na comunidade médica.

Uma intoxicação deste tipo afecta, desde logo, o fígado, o sangue e os rins, seguindo-se o aparelho respiratório.

O tratamento poderá passar, depois da lavagem aos estômagos e da aspiração contínua do suco gástrico, pela ingestão de carvão activado (que evitará a reabsorção tóxica nos intestinos), pela ingestão de medicamentos adequados e pela técnica de diálise, denominada Hemocarbo profusão.

Uma técnica recente, em que o sangue passa por um filtro de carvão para ser "limpo".

 

Erro de casting


Desde 1994 que o Hospital já tratou 28 casos de intoxicação por cogumelos.

Na maioria dos casos, diz João Gabriel, "as pessoas que sofreram intoxicações asseguram saber distinguir muito bem os cogumelos venenosos dos comestíveis. Todos eles me dizem o mesmo", sublinha.

No entender do director da Unidade de Cuidados Intensivos nesta matéria todo o cuidado é pouco.

"Os cogumelos são selvagens, logo não são avaliados por especialistas. Por vezes basta um pequeno cogumelo venenoso estar entre os bons, não se reparar nele e cozinharem-se todos juntos, para que aconteçam casos de intoxicação".

Na dúvida, o melhor é mesmo não se comer.

João Gabriel diz que "por aquilo que vi na minha vida profissional, cogumelos só como mesmo enlatados".

Por isso, é da opinião que "as pessoas não devem ir ao campo apanhar cogumelos. Os comestíveis vivem ao lado dos tóxicos e muitos deles são extremamente parecidos". Outro conselho passa pela "própria produção de cogumelos. Quem gosta e tem possibilidade, opte por fazer cultivos, com o apoio de especialistas".

A velha história de dar a comer cogumelos aos animais para ver se eles são comestíveis ou não também não é uma boa solução, no entender de João Gabriel.

"Não devemos ligar a esse tipo de fábulas, pois os cogumelos podem não ser tóxicos para os animais e serem para os humanos".

A idade das vítimas de intoxicação também varia.

"O senhor que apareceu sem vida, este ano, tinha 74 anos, mas o que se verifica é que há muitos jovens a aparecerem intoxicados".

Gente na casa dos 30 e poucos anos, onde por "vezes o sentimento de aventura e uma afirmação de demonstrar que os sabem escolher, pode ser fatal".

O facto de este ano terem aparecido, não só na região, mas no resto do país, casos de intoxicação por cogumelos, pode dever-se também à crise económica que o país atravessa.

"As dificuldades financeiras das pessoas podem levá-las a irem ao campo colher cogumelos para comer", diz.

Quem gosta de uma boa "tortulhada" deve ter em atenção na origem dos ditos.

De preferência opte por produtos avalizados, como os que são vendidos no comércio, ou então assegure-se de que quem os colheu sabe o que está a fazer...

 Mais informação no Jornal Reconquista

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