13/02/2012 atualizado às 1:11
Página Inicial » Opinião » Editorial » Casados de fresco?

Casados de fresco?

Em tempo de guerra não se limpam armas, eis a divisa de um acordo PS/PSD para o Orçamento do Estado. O entendimento, mais do que uma preferência, é uma necessidade.

(www.expresso.pt)
0:00 Quarta feira, 13 de janeiro de 2010

À volta do Orçamento do Estado para 2010 começou um subtil entendimento entre o PS e o PSD que nem o epifenómeno do casamento gay parece abalar. Num momento de humor raro, o líder da bancada do PCP chamou-lhe "casamento entre partidos do mesmo género" e tem razão. PS e PSD são - para o bem e para o mal (o mal, infelizmente, esteve bem presente nos últimos 10 anos) dois partidos do mesmo género.

Sendo também os partidos, de longe, mais votados, acarretam as maiores responsabilidades. E, perante o desenho da crise que o país atravessa, têm de reconhecer humildemente que não vivem um sem o outro - pelo menos na miséria e na doença, visto que na riqueza e na saúde podem ir cada um para seu lado.

Aqui reside o drama. O entendimento não é uma preferência ou uma aposta. É uma necessidade. Voltando à metáfora do casamento, é motivado não pelo amor mas pela necessidade.

Há oito meses, muito antes das eleições, neste espaço do Editorial escrevemos o seguinte: "a política é a arte do possível e quase nunca aquilo que é possível é o mais desejável (...) o Bloco Central é apenas reconhecer que o mau é, ainda assim, melhor do que o péssimo". Reafirmamos hoje, depois de todos os discursos sobre essa impossibilidade, essas palavras. Do que o país precisa não se consegue sem maioria: redução das despesas para não sermos obrigados a pagar mais impostos; reformas seguras e profundas em diversos sectores, a começar pela Justiça; atenção cuidada às verdadeiras vítimas desta crise, aos desempregados; combate ao desperdício e aos subsídiodependentes.

É um programa difícil que necessita responsabilidade e estabilidade. Os líderes parlamentares socialista e social-democrata demonstraram ter essa vontade. Será que os líderes dos respectivos partidos os acompanharão nesse caminho? Assim esperamos.

Palavras-chave  opinião
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Casados de fresco?
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:32 | Quarta feira, 13 de janeiro de 2010
Mas quantas vezes já casaram e já se divorciaram. Se eu fosse o Batista Sácristão diria, casa, descasa, não casa. É claro como não tenho esse privilégio não me resta senão desejar aos noivos muitas felicidades, sabendo que não pode durar muito esta união, porque será amor de pouca dura. Como diria um amigo meu, cujo sogro de vez enquando saía de casa e a sogra chorosa ele a consolava dizendo-lhe que logo que lhe arrefecessem os pés ou se acabasse o dinheiro já regressava como sempre acontecia.
 
 Regras da comunidade
Pois...%)))
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 17:21 | Quarta feira, 13 de janeiro de 2010
“Um Governo democrático tem por missão dirigir um país de acordo com a vontade da maioria. Se essa maioria não existe, o seu dever é, precisamente, encontrá-la.”

Ainda a semana passada escreviam neste mesmo sitio isto!
Agora…neste mesmo sitio, ridicularizam o que uma semana antes quase exigiam.
Vá-se lá perceber os critérios jornalísticos desta gente…é um pouco como as regras deste fórum onde perco dois pontos dia sim dia não, quando segundo as regras deles seria um a quatro dias se não participasse (por ter mais de 50pontos).
E se nem as regras que estipulam cumprem quando alguém não os venera e incomoda, realmente nada os impede de querer uma coisa numa semana e o seu inverso na semana seguinte!
A tibieza destes critérios eleitorais é “vomitavel”!!!
 
 Regras da comunidade
    errata    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 18:02 | Quarta feira, 13 de janeiro de 2010
Boda ou festim?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 12:06 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
O que parece ser uma boda não passa de um festim para se banquetearem com o produto dos tachos conseguidos nas últimas campanhas eleitorais. Os arrufos que façam à volta disso é só para que os eleitores pensem que os seus eleitos estão a defender os seus (dos eleitores) interesses, mas na verdade não estão a fazer mais do que qualquer mortal faria: defender os seus (deles) interesses.
Os assuntos fracturantes da sociedade não são a repartição da "massa", que já se sabe quem paga, nem a dívida descomunal acumulada, que também se sabe quem pagará, mas o aborto, o casamento gay, a adopção, a igualdade do que é desigual e tudo o que tenha a ver com preconceitos.
 
 Regras da comunidade
Muito mais é o que os une...
JCCC (seguir utilizador), 1 ponto , 16:08 | Quarta feira, 13 de janeiro de 2010
... do que aquilo que os separa.
Pelo menos em ideologia e na aplicação de políticas.
No entanto, não acredito que o "casamento" seja para durar.
A tentação de tirar proveito próprio e de chamar a si o protagonismo, tão essencial para eles, ditará o "divórcio" ainda antes de algo resultar dessa "união".
Que drama vivemos. Se por um lado não queremos conviver com maioria absoluta devido aos tiques de poder que daí advêm, por outro, parece que a maioria relativa tem o condão de transformar coragem em medo.
Isto assim é difícil...
 
 Regras da comunidade
Heráclito´de candeia acesa
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Quarta feira, 13 de janeiro de 2010
O PSD não tem uma liderança forte, capaz de aplicar ao País o ditado "para grandes males grandes remédios" galvanizador da cidade e dos cidadãos.Encostado á parede por Sócrates e publicamente aconselhado por Cavaco-já a pensar em Belém de novo-o PSD vê-se assim obrigado a deixar passar um orçamento que não seja de duodécimos e desse modo também facilite a vida ás Autarquias sociais democratas.Toda a gente sabe que o problema do País é politico e os politicos são cada vez mais raros.Heráclito andava,em pleno dia com uma candeia acesa á procura de um homem(politico9,lembram-se?
 
 Regras da comunidade
Maioria em mãos erradas
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 11:22 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Atenção que as maiorias em determinados partidos é muito perigoso.
Para se governar não é necessário maiorias absolutas, é preciso é saber governar, o que não tem acontecido com Sócrates.
 
 Regras da comunidade
bom português
AntiFar2 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:17 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
!?
A este artigo chama-se, em bom português, chover no molhado!
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
PUB




Grécia e nós
0:00 Sábado, 11 de fevereiro de 2012,
Mais pobres mas seguros
0:00 Sábado, 4 de fevereiro de 2012,
O abismo, outra vez
0:00 Sábado, 28 de janeiro de 2012,
Quem ganha com o acordo?
0:00 Sábado, 21 de janeiro de 2012,
Sinais errados
0:00 Sábado, 14 de janeiro de 2012,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP