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Carta para o Pai Natal

Adelina Barradas de Oliveira
4:16 Segunda feira, 28 de dezembro de 2009
Ré em causa própria - Carta para o Pai Natal

Querido Pai Natal

 

Eu sei que esta carta já ultrapassou todos os prazos, até os administrativos e, por outro lado, cresci tanto ( ou tão pouco), que já não tenho capacidade ( provávelmente não tenho legitimidade!) para te escrever uma carta e, ainda por cima fora de prazo.

Mas, como dizem que Natal é quando um homem quiser, com esta coisa da igualdade dos sexos, digo, com a igualdade de direitos dos sexos, Natal é quando uma mulher quiser. E, sendo assim, decidi escrever mesmo já com os prazos ultrapassados e taxas para pagar.

Eu queria escrever ao Menino Jesus mas, ele é pequenino e, ainda acredita nos Homens. Ainda não sabe o que é a maldade, o desinteresse e a negligência. Também, acho que não sabe ler ...Pois.

Querido Pai Natal

Se tu recebesses esta carta queria que soubesses que para o ano que aí vem a chegar,  os homens que não têm dinheiro para ir à Lapónia, gostavam que os que têm,tivessem tido no sapatinho: - coragem, frontalidade, honestidade e humildade para mudar o Mundo que, ao que dizem, é uma aldeia global.

Eu não acredito no que eles dizem, Pai Natal. Basta pôr os olhos em Kioto, Bali e Copenhaga e no financiamento que não vem nem vai para o que interessa.

 A União Europeia estima que os países em desenvolvimento vão precisar de 100 mil milhões de euros anuais de financiamento a partir de 2020. Repara pai Natal, só a partir de 2020 e nós, estamos já no final da primeira década e não fizemos nada.

 De onde virá o dinheiro e como será gerido é algo que está sobre a mesa...qual mesa Pai Natal?

E depois atiram-nos com aquela das emissões históricas de cada país. Ai Pai Natal!! Deixaste-lhes coragem no sapatinho?

Em coisas mais pequenas como a Justiça ( embora, segundo dizem os "entendidos" - em Portugal, o problema maior é o péssimo funcionamento da justiça que corrói a confiança no estado de direito democrático), queria pedir-te humildade para reconhecerem os erros e confessarem que afinal, não valia a pena alterar o que foi alterado, e que voltar atrás não é fraqueza é inteligência. E Humildade para reconhecerem que a Justiça não é, como a preguiça, a mãe de todos os vícios.

Nos sapatinhos da ONU, também faz falta alguma coragem e frontalidade para seguirem os princípios que são apregoados e que, ao que consta, são extensíveis a todo o ser humano.

A ONU foi fundada em 1945 após uma guerra Mundial destruidora e implacável,  com o objetivo de deter outras guerras entre países e povos e, para fornecer uma plataforma para o diálogo. Mas falta-lhes coragem. Têm seis idiomas oficiais :- o Árabe, o Chinês, o Inglês, o Francês, o Russo e o Espanhol. Só não tem o Português. Será por isso que não se entendem?

Faz falta muita humildade Pai Natal, muita humildade e muita capacidade auditiva para ouvir o outro.

Esqueci-me de te pedir que deixasses nos sapatinhos de todos nós, muita imaginação, para conseguirmos colocar-nos no lugar do OUTRO. Seja ele quem for.

Se pudesse ter falado contigo a tempo, ter-te-ía dado umas cartas de Direitos Humanos e algumas Constituições - Leis Fundamentais - para distribuires por aí pelos mais necessitados... delas.

Sabes Pai Natal, o que eu queria mesmo era que todos os Homens fossem um Todo e fossem Homens. E que nos interesses de cada um, estivessem os interesses do próximo e, esse próximo fosse o outro e não o próprio,  porque mais próximo.

Era mais fácil olhar o céu e escutar as estrelas.

Dizia o Professor Agostinho  da Silva que "O mundo acaba sempre por fazer o que os poetas querem". Acreditas nele Pai Natal?

ACCB

( Foto Monumento à União dos Povos )

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Carta para o Pai Natal
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:36 | Segunda feira, 28 de dezembro de 2009
Não admira que muitos tenham perdido a esperança no Pai Natal e no Menino Jesus e a confiança nos homens, porque nem umas roupinhas conseguem arranjar para as meninas despidas do computador.
 
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O mundo é feito de mudança...
Jhon Doe (seguir utilizador), 1 ponto , 0:43 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
"O mundo acaba sempre por fazer o que os poetas querem". Como eu gostava que assim fosse... se calhar assim será, só que nós não vivemos o tempo necessário para o ver. Gostei de ler este artigo que me mostra uma face poética dum representante da JUSTIÇA, o que me dá alguma esperança, não na dita, mas nos HOMENS e MULHERES que a administram. Que DEUS a ilumine e votos dum novo ano cheio de força poética.
 
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