Tudo estará por escrever sobre o tema. Por outro lado, é como se tudo estivesse já escrito. As paisagens que pouco têm para fascinar são assim mesmo. Rangel tem qualquer coisa de MRPP. Quem tem idade para chegar com a memória a 75 entende o que digo: o timbre da voz, a indelével certeza de quase tudo, a repetição do jargão ("ruptura"), a flutuação de circunstância e até o tipo de óculos fazem evocar a cinematografia 'Eme-erre'. E, no entanto, o discurso sobre educação que pronuncia não deixa de ser substantivo. Aguiar Branco tem dificuldade em posicionar o próprio nome (Rangel sempre remete para outros Rangéis). Além do mais, todo ele é fleuma, rio a planar na foz, pouco atrito, nenhum brilho ou vivacidade. A radiografia de um líder às avessas: sem carisma, sem voo, sem sinal de mobilização. Nada a dizer sobre a simpatia, claro. O homem afinal quer é unir (não se sabe bem o quê). Por fim, Pedro Passos Coelho, o António José Seguro do PSD. Verniz, escolinha partidária, graciosas intenções liberais e a imagem segura de quem nunca saiu do adro do partido, esse "largo" - como diria Manuel da Fonseca - que dita o real tamanho do seu mundo. Uma pena.