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Canalhice?

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 4 de março de 2010

Perante críticas ao ordenamento do território na Madeira, Alberto João Jardim atalhou: são uma canalhice. Perante as perguntas de um jornalista a propósito da decisão de não decretar o Estado de Calamidade, o vice-presidente regional revoltou-se. Perante o que a Madeira tem pela frente, o PS, com o alívio de toda a oposição, desistiu da sua resistência à Lei das Finanças Regionais.

Não é canalhice nenhuma fazer um balanço do que aconteceu para, no processo de reconstrução que agora começa, se fazer melhor. Até porque não faltaram avisos de muitos técnicos. Vale a pena perguntar se fez sentido o estreitamento do leito e a canalização de algumas ribeiras. Se a baixa do Funchal devia ter tanta construção subterrânea. Se era necessária a construção de um centro comercial ao lado da foz de uma ribeira. Se o arquipélago tratou do ordenamento do seu território. Se a reflorestação da ilha não é uma urgência.

Não é uma canalhice pedir que seja explicado o que se perde e se ganha com a não declaração do Estado de Calamidade. O que se ganha para o turismo compensa o que se perde na ajuda directa às pessoas?

Não é uma canalhice perguntar o que raio tem a ver a Lei das Finanças Regionais com a ajuda que os madeirenses terão neste momento de receber. Se este recuo não resulta apenas do receio pelos efeitos políticos daquela posição num momento de natural simpatia e solidariedade nacional para com os madeirenses.

A Madeira precisa de ajuda. Mas não é legítimo lançar insultos contra quem tem dúvidas, faz perguntas e pede respostas. Elas são úteis para o futuro. Já as oportunistas carpideiras de serviço servem, como sempre, de muito pouco.

Incógnitas


Fernando Nobre parece jogar tudo na inexperiência e indefinição políticas. Nestes tempos, vir de fora parece ser uma qualidade. Mas entre as muitas vantagens deste candidato, estas são, na realidade, as suas maiores fragilidades. Porque quando se tratar de dissolver ou não um parlamento, de vetar ou não uma lei, são os valores políticos e não o "bom fundo" de cada um que contam.

Nobre defende que, mais do que na política, os portugueses acreditam "em pessoas com carácter e com coluna vertebral". Cunhal, Salazar, Sá Carneiro ou Eanes eram homens com coluna vertebral. Era indiferente o que pensavam? Não será apenas a seriedade de Nobre, da qual ninguém duvida, que terá de ser avaliada nestas eleições. Até porque uma campanha baseada apenas nisto teria de provar a falta de carácter e de coluna vertebral dos restantes candidatos. E não acredito que quem queira melhorar a qualidade do debate político vá por aí.

A outra incógnita é Manuel Alegre: reagirá à candidatura de Nobre como Soares reagiu à sua? Irá refugiar-se no colo de Sócrates? Se assim for, terá o mesmo destino de Soares. Alegre, que mostrou no passado autonomia em relação ao primeiro-ministro, não pode ficar em silêncio quando a democracia se degrada a olhos vistos. Vai optar pelo tacticismo, à espera da recompensa do PS, ou vai seguir as convicções que lhe garantiram o respeito de um milhão de eleitores?

Nobre e Alegre terão de clarificar as suas posições. Se um ficar à espera do voto do desespero e o outro do voto militante, Cavaco já está reeleito. Entre duas incógnitas e um presidente previsível, os portugueses jogarão pelo seguro.

Daniel Oliveira

Texto publicado na edição do Expresso de 27 de Fevereiro de 2010

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Canalhas e inimigos
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 11:35 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Todo e qualquer cidadão que questione os aspectos que tem a ver com o ordenamento do território, no dizer dos responsáveis políticos da Madeira, é um canalha e um inimigo a abater. Reagem assim, porque lhes dá jeito, atacam para condicionar os críticos, os técnicos que alertaram para a possiblidade de ocorrência de uma tragédia e que foram acusados de serem inimigos da Madeira, quando levantaram e demonstraram esta hipótese. O professor da UM que foi maltratado pelos políticos, era um obstáculo aos negócios dos construtores e aos interesses de quem vive destes esquemas. Pedir explicações, questionar o mérito desta ou daquela decisão que criou as condições para agravar um acontecimento destes, é um problema para os Jardins e os Ramos da Madeira, por isso encostam-se à parede acusando-os de serem insensíveis ao sofrimento dos madeirenses, quando o que pretendem e alcançam é o branqueamento das suas más políticas. Quanto às incógnitas, não passam disso, são incógnitas e ponto final, um o Dr. F. Nobre corre o sério risco de perder todo o capital de humanidade que lhe está associado e outro o Poeta M. Alegre nunca mais vai ter o milhão e oitocentos mil votos que teve na primeira candidatura, o PS prepara-se para lhe fazer a cama, aliás já a fez ao patrocinar, alguns dirigentes, o lançamento do presidente da AMI:
 
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Quem disse que os turistas fugiam da calamidade?
yourmag (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Domingo, 7 de março de 2010
Se houvesse especialistas sérios de turismo em Portugal, podiam ter explicado ao Dr Alberto João Jardim e à generalidade dos comentadores, que uma calamidade ou uma catástrofe natural não afastam os turistas. Antes pelo contrário. Uma doença epidémica, ou a sua ideia, como foi a gripe asiática sim. Mas destruição, catástrofes naturais, desde que estejam assegurados os serviços turísticos, alojamento, restauração, touring e por aí fora, só tornam a visita mais atractiva. Vejam as estatítisticas do tsunami asiático que matou 250 mil pessoas. Ademais os turistas sentem-se em missão, vão ajudar e ao jantar no seu belo hotel ou resort falam sobre a catástrofe, deixam cair uns dólares e saiem mais reconfortados. Dr Alberto João Jardim não me quer contratar? Está mal rodeado! A calamidade tinha-lhe trazido mais turistas!
 
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    Com calamidade ...    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 22:09 | Quarta feira, 10 de março de 2010
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