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Camas para homens e mulheres

O feminismo libertaria os homens, se as mulheres deixassem.

Inês Pedrosa (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 2 de janeiro de 2010

Num almoço de Natal de um grupo de mulheres feministas, alguém às tantas evocava, num riso cortado por um travo de melancolia, os tempos felizes em que era, no seu dizer, "uma boa cama". Logo uma outra voz se ergueu como um muro: "As mulheres não devem usar essas expressões primárias tomadas de empréstimo ao léxico masculino". Respirei fundo, pensei três vezes no meu mandamento experimental de mulher madura ("Não responderás impulsivamente"), lancei os olhos para a janela e apaixonei-me de novo pela beleza estarrecedora de Lisboa, casario e Tejo e tudo, ali aos meus pés. Quando dei por mim, entontecida de felicidade pela redescoberta do meu amor louco pela minha cidade, já tinha respondido que sermos livres é podermos escolher o léxico que quisermos e que não percebia para que tinham andado as feministas a labutar tanto se afinal o gozo de falarmos de bom sexo, com mais ou menos primarismo, fantasia ou presunção, continuava interdito. Acho que ainda acrescentei o meu estribilho habitual: "Não foi para isso que se fez o 25 de Abril". A paixão acelera-nos os níveis de impulsividade e sucede que os meus já nasceram altos. É-me difícil refrear o hábito de dizer o que penso. Tenho-me treinado para o dizer com um recuo de tempo que me confira uns fumos de respeitabilidade, porque entre os mitos urbanos da nossa civilização refulge esse que associa as poucas palavras, e pronunciadas com um ar densamente meditado, a inteligência e saber. Em geral, os homens são melhores no uso deste mito do que as mulheres. Por duas razões: em primeiro lugar, porque foram eles que o criaram, e em segundo, porque têm sido educados para pensar em menos coisas e mais devagar. As menos coisas em que os homens são treinados para pensar são simples e seguras: eles próprios, e os seus interesses particulares. A vantagem política e social desta educação é óbvia, mas o preço a pagar por ela é altíssimo: as derrotas deles são pesadas e solitárias, a possibilidade de uma mudança estrutural aterradora, os apoios emocionais escassos e a capacidade de pedir socorro muito diminuta.

Sucede que a maioria das coisas não é simples nem segura e por mais que evitemos pensar nelas, elas acabam por vir ter connosco, embrulhadas e inseguras, com ar de mulher. Por isso os viúvos sobrevivem muito menos do que as viúvas, os aposentados se deixam encarquilhar diante da televisão até à morte e as taxas de homicídio masculino são muito maiores do que as femininas. Por causa do mito da concentração monotemática, e da solidão epidémica que ele convoca. As mulheres são treinadas para tomar as dores dos outros, o que não só as alivia das próprias como as conduz a interrogações permanentes, em catadupa, sobre o que são, o que sentem, o que querem, além do que é esperado delas. Agustina Bessa-Luís disse várias vezes que o facto das atenções e esperanças da família se concentrarem no seu irmão foi péssimo para ele e extraordinariamente libertador para ela que, na sua invisibilidade de menina pôde observar com minúcia as vidas alheias e inventar para si mesma um destino singular.

O feminismo poderia libertar os homens, se as mulheres deixassem. Agarram-se a ele como coisa delas, do mesmo modo que eles se agarram ao poder como coisa deles, e se protegem, e se entrecitam, e se disputam e se elogiam uns aos outros para se sentirem importantes, que é o seu modo específico de se sentirem vivos. O mundo lá vai mudando, apesar da repetição automática dos gestos humanos; os pais de hoje, à força do divórcio ou do medo dele, descobrem a alegria sublime do amor pelos filhos. É cada vez mais frequente encontrarmos homens prostrados de amor diante dos filhos, de um modo outrora considerado feminino - nos filhos despejam o carinho que não receberam e não souberam dar, com os filhos ensaiam a intimidade que não aprenderam a criar com amantes ou amigos, com os filhos descobrem, extasiados e amedrontados, que o coração pode ser um lugar luminoso. À revelia dos discursos e do aparente sossego das classificações vetustas, os papéis de mãe e pai contaminam-se, invertem-se, recriam-se. As mães tornam-se a imagem da ordem e da exigência, os pais transformam-se em colos quentes e transigentes - e nada disto é fixo, nem linear, porque a casa e o mundo estão imbricados de uma forma, também ela, nova e em mutação: quando o desemprego sobe escuta-se no espaço público a velha canção da importância da maternidade a tempo inteiro. São os homens quem precisa agora do feminismo. Para conseguirem a longevidade estereofónica das mulheres. É uma questão de impulso, e de verdade.

Texto publicado na Única de 24 de Dezembro de 2009
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O principal mito do feminismo...
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 10:28 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
... é o de que os homens são uns desgraçados infelizes que morrem cedo. Esse mito contamina o artigo supra em boa medida (tirando a parte em que a autora refere um almoço que espero bem que tenha sido de ficção, para bem da sua sanidade espiritual). E leva, inclusivamente, à insólita conclusão que os homens precisam do feminismo "para conseguirem a longevidade "estereofónica" (seja lá o que que for isso) das mulheres".
Francamente, não sei que espécie de cogumelos de estufa é que a cronista conhece como homens - partindo do princípio que os conhece e não os reduziu a uma categoria do seu próprio mundo ficcional. Os homens que eu conheço só são uns desgraçados infelizes por questões estratégicas e ao pé das suas próprias mulheres. Longe delas rodopiam tanto de contentamento que parecem peões. Os homens que eu conheço morrem cedo porque passam a vida em excessos de comezainas, bebedeiras e outros que não vêm ao caso (quero ver se baixo o meu nível médio de "posts" censurados). Os homens que eu conheço precisam tanto de feminismo como um vampiro precisa de alho. Inclusivamente, os homens que eu conheço, se estivessem no restaurante onde a cronista almoçava com o seu grupo de "mulheres feministas", das duas uma: se já tivessem começado a almoçar e, por consequência, já estivessem bêbados, teriam feito tudo para avacalhar o almoço do mulherio; se não tivessem começado a almoçar piravam-se para bem longe! A velocidade "estereofónica"!!!
 
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aquitoueu (seguir utilizador), 1 ponto , 18:35 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Que raio de almoço
sara09 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 13:23 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Olhe um grupo de mulheres feministas a almoçar juntas...deve ter sido uma chatice.

Que raio de trama...

Os homens são uns malvados.
As mulheres são péssimas (salvo raras excepções).

Mas será que ainda não encontrámos a capacidade de criar a nossa identidade como mulheres?

Escreva lá uma crónica mais realista s.f.f. porque esta tem muita ficção...

Sara
 
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Conversas de quando PH ainda tinha o lugar de F
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 10:21 | Sábado, 2 de janeiro de 2010

De que gajos é que estas gajas estão a falar???
Ainda há pouco deixei um blogue que aqui tem honras de primeira pagina (a vida em saltos altos) com um endereço onde as suas duvidas podiam ser desfeitas.
Nunca pensei que o fosse voltar a deixar tão depressa e em relação ao mesmo post!

http://fuckingbylordbyron...

Lá está a explicação para tanta asneira!!!

PS. Para aqueles/as que me vierem com a superior ideia que estávamos a falar de homens, cavalheiros e não de gajos. A explicação também lá se encontra, tal com aquela que fala de senhoras, damas ou gajas.
Não fica aqui tudo escarrapachado de uma vez porque para desmistificar tanta asneira na milenar guerra dos sexos são necessários mais de 1500 caracteres e associação alguns deles podia até levar ao censurar de toda uma ideia.
 
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A malvadez masculina
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 12:38 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Pois está claro, os homens são uns malvados, responsáveis pelo movimento feminista, culpados de morrerem mais cedo e, ainda, da heresia cometida pelas aderentes de não discutirem bom sexo. São treinados, os marotos, para se prejudicarem, pensam pouco e devagar, falam menos e gagueijam demasiado, encarquilham-se frente à televisão e tem uma taxa de homícidio mais alta, ou será de suicídio. Por tudo o que escreve, sou levado a pensar que a ilustre autora, também pensa que "uma boa cama" é o melhor sítio para os homens e mulheres se encontrarem e praticarem bom sexo, que não é pecado, nem criação masculina, penso, acto tão maravilhoso só pode ter um toque feminino. Para mim teria feito muito melhor, sem ofensa e sem me sentir importante, que tivesse almoçado com um grupo de homens, com toda a certeza seria mais agradável para eles que conviviam com alguém que é dotado de grande beleza, é assim o feminino e para si sempre poderia falar de bom sexo, na boa cama sem problemas. O único contra era ter de ouvir alguns feitos, mentirosos de algum dos presentes, alguns amantes no masculino são, como os caçadores e os pescadores, muito mentirosos. O tema está a confudir-me e não esgoto o número de caracteres convencionado, para não me estender ao comprido. Continue a amar a sua, a nossa Lisboa, embora seja aldeão e a fazer as suas boas camas, sem as feministas que atormentam os homens.
 
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Inversão dos papéis de mães e pais
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Minha cara, pelo menos espero que o almoço tenha sido bom, porque a conversa foi muito fraca.
Nunca haverá inversão de papéis, quanto muito poderá haver duplicação de algumas tarefas.
Há papeis que serão sempre dos homens e outros têm que ser das mulheres.
Não estou a ver um homem a dar á luz ou a dar peito a um filho?
 
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sou a rosa e fã da dona inês
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
ai dona inês como gosto de ler os seus desabafos e um momento que é o meu patrão a falar e ah ele diz que isso da boa cama é fora de moda porque as melhores já não são na cama e isto é que ele é um porco a dona inês não lhe ligue mas eu estou aqui porquê ah já sei é por causa dos viúvos viverem menos e é por causa da minha prima olga que vai casar com um viúvo que a reunião outra prima lhe arranjou mas a olga tem medo de casar e depois ele viver muito tempo e eu queria perguntar à dona inês se o que escreveu o ouviu a algum cientista como aqueles dos detergentes ou se conhece alguma amiga com experiência de enviuvar porque o resto das coisas que a dona inês escreve e um momento ah era o meu patrão a dizer mais um bacorada mas não ligue e continuando olhe eu vou mesmo garantir que o viúvo morre depressa para ver se ela casa mesmo e do resto que escreveu gostei muito e por isso sou sua fã e desculpe este meu desabafo
 
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Só pergunto
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
Sera que essas mulheres são felizes? qual seria o trauma a que foram sujeitas?
Boas festas Inês Pedrosa.
 
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natureza humana
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:44 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
!?
Que me perdoem, mas o texto é um sarrabulhada delico-doce de disparates, praticamente inintelegível.
Não se entendendo claramente qual é ponto, fica-se no entanto com a sensação que a articulista alude a uma espécie de evolução hormonal impulsionada pelo gene do feminismo...
Não podemos perder nunca de vista que antes das bandeiras e das causas está a condição inexorável da natureza humana.
 
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Novelas e Sarrabulho
tugamuga (seguir utilizador), 1 ponto , 2:31 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
O que mais me chama a atenção nesta opinião, de alguém dotado de evidente capacidade de observação de uma certa realidade, mas embrulhada num arrazoado de psicologês tipo Diciopédia e sociologia de algibeira, é a estereotipização professoral e a generalização de lugares comuns, femininamente/politicamente correctos. Que raio de homens são esses do seu saco de amostras laboratorial? Só conhece esse tipo? Não consegue sair do quente e cómodo laboratório de analista e perceber a diversidade imensa de seres humanos masculinos, tão longe do seu pobre e redutor retratinho. E esses de que fala: são ratos que nascem com o mau gene e, "coitados", precisam de uma injecção de feminismo libertador ... Iluminação afectiva, ternura redentora, carinho educador para uma nova era de masculinidade certa e orientada?
Que estereótipos tão entediantes e disparatados. Eu trabalho todos os dias com pacientes, homens e mulheres, e com muitos dos problemas de que fala, e não me parece - desde há muito - que o cerne esteja focado nessa arrogância de géneros em batalha pela superioridade da capacidade do "sentir", da "emoção" e do "amar". Todos estamos aprender, felizmente uns com os outros, e de formas únicas e específicas que estão muito para além dessa dicotomia básica que descreve. A dinâmica, fluidez, diferenças constantes e renovação nos confrontos e relações são o único denominador comum que encontro entre homens e mulheres. Tudo o resto é ficção de novela à força de querer ser realidade!
 
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Cara D. Inês Pedrosa,
Mclou (seguir utilizador), 1 ponto , 15:10 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
Não se preocupe, que, com a idade isso passa-lhe.
Um caldo de arroz integral também ajuda.
 
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D.INÊS DE CASTRO..!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
O SEU PEDRO UM DIA VOLTARÁ..ATÉ LÁ CUMPTS..KANTIFLAS.
 
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