Os americanos estão a colher os primeiros frutos da obrigatoriedade de afixar as calorias nas ementas dos restaurantes das cadeias de fast-food de algumas cidades. Muitos clientes estão, progressivamente, a alterar os seus hábitos alimentares, optando por pratos confeccionados com ingredientes com menos calorias.
Esta medida, tomada há cerca de dois anos, em Nova Iorque, já serviu de exemplo na Califórnia. Outros Estados e cidades estão a estudar a implementação de regulamentos semelhantes, e soluções deste tipo não tardarão em chegar à Europa. A ideia é dar a conhecer em pormenor ao consumidor o valor em calorias escondidas nos seus hamburgeres, sandes, batatas fritas e sobremesas.
Se vier a ser adoptada a proposta de legislação apresentada ao Congresso norte-americano, a contagem de calorias poderá transformar-se num passatempo nacional e contribuir, segundo alguns especialistas, para a diminuição da obesidade no país. O Departamento de Saúde de Nova Iorque afirma que, se os restaurantes conseguirem reduzir uma média diária de 50 calorias por consumidor, isso poderá levar a uma redução de 150.000 casos de obesidade, em cinco anos, e 30.000 casos de diabetes.
"A indicação do valor em calorias nas ementas é uma forma prática e compreensível para as pessoas cortarem centenas ou milhares de calorias com uma simples decisão. É mais fácil do que correr durante duas horas", comentou ao jornal Financial Times, Margo Wootan, director de nutrição no Centro de Ciência para o Interesse Público, de Washington.
As indicações de calorias e outras informações nutricionais figuram nas embalagens de produtos alimentares há muitos anos (nos EUA, desde 1995), mas a maioria das pessoas consomem cerca de um terço das suas calorias fora de casa. Daí, a importância destas informações estarem, igualmente, disponíveis nas ementas dos cafés, pastelarias e restaurantes.
Inicialmente, a indústria da restauração reagiu mal a estas iniciativas, argumentando que a escolha seria impraticável, pelo facto da confecção de uma sandes (com uma média de 15 ingredientes) envolver um número considerável de variantes. Mas depois de constatar o sucesso da legislação aplicada em Nova Iorque e na Califórnia, a Associação Nacional de Restaurantes americana declarou que a medida contribuía para "dar a possibilidade ao cliente de fazer as melhores escolhas para si e para a sua família".
Os últimos estudos revelam sinais de que os consumidores estão a fazer escolhas mais saudáveis nos restaurantes ou, pelo menos, a digerir a informação colocada nas ementas. Um inquérito conduzido pelo Departamento de Saúde de Nova Iorque, efectuado junto de 1.600 clientes de 51 restaurantes, demonstrou que 60% estava informado desta medida e cerca de 25% admitiu que a mesma já tinha influenciado a sua escolha.
Um estudo paralelo promovido pela consultora Techtronics, revelou que 90% dos 935 inquiridos na cidade mostrou-se surpreendido com o valor em calorias dos pratos servidos nos restaurantes.