As quatro potências designadas pelo acrónimo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), juntamente com os Estados Unidos, são os cinco principais destinos de investimento direto no estrangeiro eleitos pelas transnacionais e pelas agências de promoção do investimento para 2010-2012, segundo uma sondagem da UNCTAD (acrónimo em inglês para Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) junto de mais de três centenas e meia de empresas transnacionais e agências de promoção e atração de investimento.
Nos vinte principais destinos encontram-se cinco na zona euro (Reino Unido, em 7º, Alemanha, em 10º, Polónia em 12º, França em 14º e Espanha em 20º). O México (apesar da turbulência interna, é o 6º destino eleito), bem como o Vietname, Indonésia, Tailândia, Austrália e Malásia encontram-se entre os 15 primeiros destinos. Em África, o único destino escolhido, neste grupo de elite de 21 países nomeados, é a África do Sul. Na América Latina, de destacar, ainda, o Chile e o Peru.
A corrida às commodities
O papel das commodities exploradas em muitos destes países referidos como destinos de eleição é crucial nas estratégias das transnacionais. Aliás, os respondentes da sondagem consideraram o setor primário - principalmente as indústrias extrativas - como o alvo principal do investimento internacional nos próximos dois anos, a distância significativa do setor dos serviços e da indústria de transformação.
Por outro lado, na opinião daqueles protagonistas da internacionalização ouvidos pela UNCTAD, os dez principais investidores no mundo nos próximos dois anos serão os Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido, França, Índia, Canadá, Espanha, Rússia e Itália - de sublinhar que o gigante asiático é considerado o número dois nas estratégias de projeção global. De chamar à atenção, ainda, para o papel crescente da Índia, Canadá, Espanha e Rússia.
Apesar de Espanha ser incluída nos chamados PIIGS, com situação crítica na zona euro em termos de dívida soberana e sistema bancário, a sua afirmação global é reconhecida, e avaliada com otimismo, pelas transnacionais.
Esta mudança geoeconómica relevante - no destino dos investimentos diretos no estrangeiro e na subida da China a número dois nos emissores desse investimento - ocorreu após o pânico financeiro de 2008 e a aceleração da Grande Recessão que projetaram para a ribalta as potências emergentes, apesar de uma quebra de mais de 50% dos fluxos de investimento internacional em 2008 e 2009 e de o nível em meados de 2010 permanecer abaixo dos montantes anteriores à explosão recessiva.
A UNCTAD só prevê que os fluxos de investimento internacional retomem o nível de 2007 - o patamar dos 2 biliões de dólares (triliões, na designação americana) - daqui a quatro anos.
Uma opinião relevante
O World Investment Prospects Survey
2010-2012, realizado por uma equipa daquele organismo das Nações Unidas, toma o pulso às estratégias de projeção externa de 236 transnacionais, mais de 1/3 das quais são hoje verdadeiramente globais, e 116 agências, um exercício que é feito desde 1995, como trabalho de casa para a publicação anual World Investment Report. A sondagem, agora divulgada, foi realizada entre fevereiro e maio, e ouviu, ainda, 30 peritos.
A opinião das mais de duas centenas de transnacionais é relevante, pois 72% desse universo projeta em 2012 ter mais de 50% das vendas a nível externo e quase 50% espera ter mais de metade dos seus investimentos e dos seus empregados fora das fronteiras nacionais. O otimismo dos entrevistados sobre 2011 aumentou em relação à opinião sobre 2009 e 2010 e é largamente maioritário para 2012.
Os resultados da sondagem revelam, ainda, que 68% não entraram num processo de desinvestimento e que preservaram a sua estrutura de projeção no estrangeiro, contrariando a ideia de um recuo na internacionalização durante a Grande Recessão em curso.