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| O avião Basler a reabastecer na «bomba de gasolina» do Pólo Sul antes de seguir viagem para a Base McMurdo |
Olá José, como estás?
Desta vez demorei um bocado, mas houve um atraso nos primeiros aviões, por causa do tempo na
Estação Rothera
(a base britânica na Península da Antárctida).
Andámos a ultimar as coisas, nomeadamente a colocar as bandeiras que servem para marcar a pista de aterragem. As bandeirolas estão postas em estacas de bambu, que temos de esperar bem fundo no gelo. Lá andámos nós no nosso veículo de lagartas LMC a pô-las novamente, depois de as termos retirado no início do Inverno para não se rasgarem.
Foi engraçado, porque a pista está a cerca de 3 kms da nossa Base do Pólo Sul. Foi a maior distância a que fui desde que cá cheguei, em Fevereiro. O planalto polar é tão plano e tão vazio que nos sentimos tão pequeninos...
Bom, mas voltando aos aviões: foi ontem, dia 13, que aqui aterraram à tardinha no Pólo Sul os primeiros dois aviões, da companhia Kenn Borek Air, uma empresa canadiana.
O primeiro era um Basler. Aterrou, meteu 3500 litros de combustível e partiu imediatamente para a Estação McMurdo. Daqui da Base Amundsen-Scott até à Base McMurdo são cerca de 1300 kms. O Basler leva cerca de 5 horas a fazer a viagem e o Otter cerca de 6.
O segundo avião aterrou uns 20 minutos depois. Era um Twin Otter. Meteu 2700 litros de combustível mas, quando tentou levantar, teve problemas mecânicos. Acabámos por ter de o levar para o "estacionamento Otter", onde temos ferramentas e dispositivos eléctricos que podem ser ligados ao avião para o aquecer. Os pilotos e mecânicos ficaram cá na noite passada e hoje já estão a trabalhar novamente no avião. Felizmente, vão conseguir resolver o problema rapidamente. É que temos uma tempestade prevista para a zona, o vento já começou a soprar...
Tem sido muito interessante ver as reacções das pessoas aos recém-chegados. No jantar de ontem, quando os dois pilotos - duas mulheres! - e o mecânico de bordo entraram na sala de jantar, houve reacções muito diferentes.
Alguns foram muito calorosos e foram logo apresentar-se. Outros ficaram a olhar, os cantos,para os recém-chegados. Outros ignoraram-nos completamente. Alguns dos nossos homens mais "machões" sentaram-se logo ao pé das duas mulheres-piloto. Foi muito engraçado vê-los a disputar as novas atenções femininas...Acho que para alguns homens da Amundsen-Scott o Inverno foi muito longo...
Cá por mim, foi uma agitação ver chegar os aviões. Ficámos um passo mais perto de termos a equipa de Verão que nos vem revezar.
O primeiro avião que vem cá à base do Pólo Sul com passageiros e carga deve chegar amanhã. Mas se o aparelho Otter ainda estiver avariado, este primeiro voo terá de ser adiado. E, é claro, se o vento se agravar os voos serão novamente adiados.
Mas não há problema. Sei que já faltam poucas semanas para o fim - e estou muito excitada por voltar de novo ao mundo da comida fresca, das árvores e dos animais...
Um beijo e até breve
Emily
A vida de Emily no Pólo Sul
O dia-a-dia da norte-americana Emily Wampler no local mais inóspito da terra, a base Amundsen-Scott, onde até Outubro é sempre de noite e a temperatura é de 60 graus negativos