Tony Blair e Gordon Brown, ambos ex-primeiros ministros britânicos e líderes do Labour, travaram na última década e meia uma acesa e conhecida luta pelo poder do Reino Unido. No final foi Brown quem levou a sua avante, conquistando o partido e o lugar de premier. Blair, remetido ao silencio durante três anos, voltou ontem à cena politica com o seu livro de memorias Tony Blair - A Journey criticando severamente o seu sucessor - Gordon Brown - um "politico brilhante", mas sem "inteligência emocional", um "desastre" como chefe de governo.
Além do reabrir das hostilidades com Brown que ontem abriu todos os telejornais britânicos, Blair toca ainda em muitos outros pontos sensíveis da sua governação. Sobre a invasão do Iraque o ex-primeiro ministro reforçou que voltaria a tomar a mesma decisão, repetindo o mesmo argumento que justificou a participação do Reino Unido na operação liderada pelos EUA: Saddam Hussein era uma ameaça e poderia desenvolver armas de destruição massiva. "Eu não me posso arrepender da decisão de ir à guerra. Refleti muitas vezes sobre se estaria errado. Peço que reflitam sobre se eu poderia estar certo", acrescentando que "chorei pelas vítimas de guerra".
Mas as passagens dedicadas à relação "quase impossível" entre Blair e Brown são as que mais interesse suscitam. Na entrevista que a BBC fez coincidir com a publicação do livro, Tony Blair admitiu que "nos últimos tempos as coisas foram extremamente difíceis", referindo-se aos últimos meses do seu mandato. Afirmando ainda que Brown funcionava como um "travão" às reformas do governo.
Em relação ao futuro do Labour Tony Blair não revela quem é o candidato que apoia na corrida à liderança do partido, mas adverte que o partido tem de manter-se progressista e voltar a ocupar o centro.