Cada vez fico mais surpreendido sobre em que acreditar ou não.
Se a realidade é uma, a forma como nos apercebemos dela usa canais de comunicação que podem ser alvo de imensas distorções. Ouvir um locutor na rádio não é a mesma coisa que estar a ouvi-lo falar ao vivo na mesma sala, mas com um bom sistema de Hi-Fi quase não noto a diferença. E por vezes, a voz até me parece melhor, mais pura no sistema Hi-Fi que na realidade.
Mas esta confiança total na tecnologia tem efeitos perversos. Quantas vezes o que vemos e ouvimos pode ou é mesmo manipulado?
A síntese de voz por computador ainda está nos primeiros passos e por isso ainda não é fácil sintetizar a voz de qualquer figura pública a dizer o que quer que seja. Temos que nos cingir ao que elas realmente dizem e, felizmente para o jornalismo popular, já há quem fale o suficiente, mas sempre verdadeiro, ninguém põe em causa que a voz seja sintetizada.
Os robôs humanóides tentam fazer a sua aparição mas há barreiras enormes a vencer até que um dia, um robô humanóide, qual teste de Turing, nos pareça difícil de distinguir de uma pessoa real. Felizmente aqui ainda estamos ao abrigo de situações eventualmente embaraçantes e que por agora apenas ocupam o mundo da ficção.
Mas em relação às imagens ... lamento mas já não há nada em que possamos acreditar. Deixem-me tirar o chapéu a Michael Elins e ao artigo "Seeing Is Not Believing" que saiu na Spectrum de Agosto passado. É que basta clicar aqui
para perceber que a imagem é tão perfeita como ... inverosímil.
Nota
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