A instalação e renovação daquele espaço custou 120 mil euros e o presidente da autarquia lisboeta gostaria que o jardim Bordalo Pinheiro "chegasse" ao Museu homónimo, que fica em frente, utilizando o espaço público da parte fronteira do jardim Campo Grande.
É a peça "O Lobo e o Grou" que recebe os visitantes à entrada do Jardim do Buxo do Museu da Cidade situado à entrada do Campo Grande, na cidade de Lisboa. Mais à frente é uma fonte com rãs, esta a única da autoria do filho de Rafael, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, que decora o jardim. Não faltam as vespas gigantes que surgem junto ao buxo ou o gato assanhado que ameaça saltar para apanhar um bando de andorinhas junto à chaminé do museu.
No Lago, são várias dezenas de caranguejos, tartarugas, mexilhões, lagostas e cavalos marinhos que encantam miúdos e graúdos e que agora dão uma nova vida àquele espaço verde que até então estava menos acessível ao público. Nas árvores há macacos pendurados e sobre um buxo, sardões gigantes parecem tomar conta daquele recanto natural. Há também pavões vivos que se passeiam pelas zonas ajardinadas.
Ao todo são 1205 peças que adornam o jardim, resultado de um projecto que teve início há um ano quando se temia pelo encerramento das portas da Fábrica de Faianças caldense.
Catarina Portas, que tem animado Lisboa com várias iniciativas empresariais e culturais, teve a ideia de criar um Jardim Bordalo Pinheiro e escultora Joana Vasconcelos arregaçou as mangas, contactando a fábrica caldense, que já há uns tempos trabalhava na recuperação de antigos moldes e de peças centenárias criadas por Bordalo Pinheiro.
Sob coordenação de Elsa Rebelo, agora a directora artística da Fábrica, começaram a renascer lagostas, caranguejos e vespas gigantes, peças enormes que precisam de muito tempo para secar e de grande manobras técnicas para "renascerem".
"Era preciso que todos contribuíssemos para manter viva a obra de Bordalo Pinheiro", disse António Costa, presidente da Câmara de Lisboa que recebeu o projecto de criar em Lisboa um Jardim Bordalo Pinheiro de braços abertos. O edil contou que a ideia inicial era arranjar-se um espaço para apresentar uma exposição com peças da fábrica, mas logo se deu a volta ao projecto, para se "criar uma exposição permanente com as suas grandes peças num jardim de Lisboa".
Esta iniciativa integra o programa de comemoração dos 100 anos do Museu da Cidade. António Costa quer que este espaço museológico seja um espelho da história e das pessoas que fazem parte da cidade capital do país. Quer também que este seja um museu vivo e visitado "onde as pessoas se podem apropriar do próprio espaço", acrescentou.
Segundo o edil, "a Visabeira, tal como a cidade de Lisboa, foi também beneficiária da crise: nós ficámos com o Jardim e a empresa ficou com a fábrica", disse.
Câmara de Lisboa disponível para parceria em eventos bordalianos
António Costa diz que a recuperação do Jardim e a instalação de peças de Bordalo Pinheiro custaram 120 mil euros. Questionado pela Gazeta das Caldas se estaria disponível para realizar projectos com as entidades caldenses sobre Bordalo Pinheiro, António Costa mostrou-se disponível para participar em futuras iniciativas em parceria.
O vereador do Ambiente e Espaços Verdes, José Sá Fernandes congratulou-se com a conjugação de esforços entre as várias entidades e que permitiu continuar a dar viabilidade à Fábrica de Faianças e deixou o desafio para no futuro ser arranjado o Campo Grande e "conseguir uma forma de ligar este Jardim Bordalo Pinheiro ao museu com o seu nome que fica do outro lado do Campo Grande". O vereador propõe assim que se liguem os dois espaços museológicos, da Cidade e Bordalo Pinheiro e "assim adquirir uma mais-valia turística, boa para a cidade e para a freguesia".
Para este autarca é importante que a Câmara de Lisboa continue a adquirir à fábrica caldense mais peças bordalianas e desta forma a ir sempre melhorando o Jardim do buxo que a partir de agora se designa Bordallo Pinheiro.
Luís Patrão, presidente do Instituto do Turismo de Portugal (que atribuiu as verbas), também estava satisfeito por a Câmara de Lisboa ter incluído a renovação deste jardim no projecto global de recuperação do museu. Considera excelente que possa existir um projecto de renovação do Campo Grande e que possa existir uma ligação entre os dois museus. "Uma boa cidade de turismo só melhora a qualidade de vida dos seus habitantes", disse este responsável.
Para Álvaro Tavares, um dos responsáveis da Fábrica de Faianças, considera que esta iniciativa é importante pela "grande visibilidade que dá à fábrica e aos nossos produtos". Segundo o administrador este Jardim poderá funcionar como uma "montra" e permite à empresa caldense "entrar num novo segmento de mercado ligado à intervenção em espaços públicos e interessar ao mundo dos decoradores e dos arquitectos paisagistas".
Renovar uma ideia do princípio do século XX
A jornalista e empresária Catarina Portas, a mentora da ideia para a construção deste jardim, contou que se inspirou em textos que tinha lido que referiam que estas grandes peças de Bordalo já tinham sido colocadas no Jardim de Estrela, também em Lisboa. "As peças tiveram que ser retiradas nos anos 30 pois já se encontravam muito partidas", contou acrescentando que há um ano quando a fábrica estava muito próximo da falência, se lembrou como "seria maravilhoso poder recuperar essa ideia das grandes peças para um jardim".
Como coincidiu com o trabalho de recuperação dos moldes e modelos centenários logo se proporcionou a concretização desta iniciativa, logo após ter exposta a sua ideia à artista plástica Joana Vasconcelos, que também abraçou a ideia.
"Tinha que ser num jardim interior pois apesar destas peças resistirem ao sol e à chuva, não resistem ao vandalismo", disse a artista plástica, satisfeita com a inauguração do Jardim Bordallo. Contou que este foi um processo moroso, em especial, porque foi necessário conjugar este jardim do século XVIII com as peças de Bordalo que são do século XIX. Segundo esta autora - que tem tido vários projectos com a fábrica - esta exposição serve também "para mostrar aos portugueses que podem ter estas peças nas decorações das casas, sobretudo no exterior, no jardim ou nas piscinas", disse.
Joana Vasconcelos vai inaugurar no próximo dia 1 de Março na colecção Berardo, no CCC, uma exposição antológica com 35 peças grandes obras, que reflectem o seu trabalho nos últimos 15 anos.
O Jardim Bordallo Pinheiro fica no Museu da Cidade, no Campo Grande, 245, em Lisboa. Tem entradas livres e pode ser visitado de terça a domingo, entre as 10 e as 18 horas.
Peças de artistas contemporâneos e novo site assinalam 125 anos da Fábrica de Faianças
A Fábrica de Faianças Bordallo Pinheiro está a celebrar este ano o 125º aniversário da sua fundação. Para tal convidou vários artistas contemporâneos para realizarem peças contemporâneas, inspirando-se em peças bordalianas.
Joana Vasconcelos criou centros de mesa que serão apresentados em breve, mas há mais peças, criadas por autores como o designer Fernando Brizio, a própria directora criativa da fábrica Elsa Rebelo ou a escultora e ceramista Bela Silva e que serão apresentadas ao longo dos próximos meses. "Vamos fazer uma apresentação faseada das peças e uma apresentação final de toda a nova colecção", disse Nuno Barro, director de Marketing da Visabeira. Acrescentou que a ideia "é que as pessoas possam ir descobrindo as novas peças" à medida que vão sendo apresentadas.
Segundo aquele responsável esta apresentação final contará com uma exposição itinerante que vai estar "próximo das pessoas", ou seja, marcará presença em galerias mas também em centros comerciais.
A Fábrica apresenta também um novo site. Mais apelativo e com várias ligações dedicadas à história, ao catálogo, ao museu e ao restaurante e ainda ao Clube dos Bordalianos. Segundo o site prometem dar a conhecer em primeira mão as últimas novidades e oferecer "condições especiais na aquisição de peças de colecção numeradas e desenvolvidas em exclusivo para o clube". Para conhecer em www.bordallopinheiro.pt