As imagens dos três finalistas estão expostas no Museu Berardo
A tensão entre imagens idílicas e corpos perecíveis, o amor como força propulsora, e o território como lugar de exclusão e degredo são os temas explorados pelos três artistas candidatos à 6ª edição do Prémio BES Photo.
A exposição com os trabalhos de Patrícia Almeida, André Cepeda e Filipa César - finalistas da primeira fase do prémio - inaugura hoje à noite no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, parceiro do galardão instituído em 2004 pelo Banco Espírito Santo (BES).
Os trabalhos inéditos dos artistas - a avaliar por um júri internacional que escolherá o vencedor - foram apresentados ontem aos jornalistas durante uma visita guiada no museu.
O Prémio BES Photo, o maior galardão do país para a área da fotografia - ascende a 25 mil euros - já distinguiu anteriormente criadores como Helena Almeida (2004), José Luís Neto (2005), Daniel Blaufuks (2006), Miguel Soares (2007) e Edgar Martins (2008).
"All Beauty Must Die"
Patrícia Almeida concorre com o projeto "All Beauty Must Die", constituído por uma série de fotografias captadas em festivais de música realizados no verão em Paredes de Coura e na Ilha do Ermal, e ainda um vídeo sobre o mesmo tema e alguns textos de poetas ingleses românticos.
O título do trabalho, retirado de um poema de John Keats, revela "a tensão existente, e contradiz o que as imagens idílicas, quase beatas, mostram, com os corpos que um dia vão morrer, desaparecer", explicou a artista à Lusa.
As fotografias revelam paisagens paradisíacas onde jovens, sós ou em grupo, parecem apreciar descontraidamente a natureza, num contexto à margem dos concertos.
Estão presentes "ideias sobre a natureza, a adolescência, a relação com a paisagem, o romantismo, a ideia de comunidade", contextualizou, ressalvando que a relação do projeto com os festivais de música de verão "não é tanto temática, mas com o lugar onde se encontram pessoas com algo em comum".
"O que é importante na vida?"
No seu projeto - cujo suporte é um filme e uma série de fotografias - André Cepeda partiu de uma questão fundamental: "O que é importante na vida? O que nos faz lutar e estar onde estamos?".
"Cheguei à conclusão que é o amor, acreditar em algo muito forte que nos encoraja e que nos leva a continuar", explicou à Lusa sobre este trabalho, parte de um projeto maior, intitulado "Ontem" (2009), com 54 imagens que serão publicadas em livro em Março deste ano.
As fotografias, aparentemente, não têm uma ligação com o vídeo, "mas podem ter", segundo André Cepeda, que preferiu, propositadamente, não incluir qualquer texto explicativo a acompanhar o projeto, com o objetivo de "fazer as pessoas pensar".
As imagens de uma planta bonsai - com duas raízes que crescem separadamente, e depois se entrelaçam numa só - duas colunas de som juntas, e duas tomadas elétricas na parede, apontam para a ideia de união, do apoio mútuo e do amor.
"É um projeto mais ligado a um sentimento do que a uma ideia fechada, e deixa espaço para as pessoas interpretarem", comentou à Lusa.
Castro Marim, um lugar de degredo
Filipa César, também escolhida para a segunda fase do BES Photo, concorre com um projeto com dois filmes e uma série de fotografias do processo de censura do filme "As Lágrimas Amargas de Petra von Kant", do realizador alemão Rainer Werner Fassbinder.
Para um filme entrevistou várias pessoas em Castro Marim, e noutro é descrita a história e memória deste lugar no contexto português, apresentado "como um mapa, uma textura de memórias".
"Foi um lugar de degredo desde a fundação de Portugal até ao final do salazarismo", observou, um facto que atraiu a artista para aprofundar as questões do ostracismo e da deportação ligadas à memória e ao espaço.
A exposição com as obras dos três artistas foi inaugurada ontem, no Museu Berardo, CCB, onde ficará até 4 de Abril.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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