O Partido da Liberdade (PDL) liderado por Silvio Berlusconi ganhou as eleições gerais em Itália, mas terá de esperar até às primeiras horas da noite de hoje para saber se poderá governar mais ou menos tranquilamente sozinho, por causa da votação no Senado. O resultado dos conservadores na Câmara Alta, que em Itália funciona como um duplo do Congresso, poderia ser por poucos lugares de diferença ou insuficientes para assegurar uma maioria efectiva em cada sessão. "Quero 20 senadores de maioria para governar com tranquilidade", tinha pedido Berlusconi aos eleitores.
De acordo com a terceira projecção, sobre uma base de 62% dos dados reais, o PDL obteria 46,4% dos votos contra 37,9% do progressista Partido Democrático (PD), liderado por Walter Veltroni. A actual lei eleitoral atribui aos partidos um prémio eleitoral que no Congresso é nacional, mas que no Senado é atribuído numa base regional, pelo que até conhecer os resultados por regiões também não é possível saber qual será o resultado final na Câmara Alta. Por agora, as projecções atribuem aos conservadores uma maioria, com uma média de sete pontos de diferença em relação aos progressistas.
As últimas sondagens à boca das urnas (exit poll), que são menos fiáveis do que as projecções, davam aos conservadores 44% no Congresso e 40%-44,5% no Senado. Segundo as mesmas sondagens, os progressistas (PD) obteriam 38%-42% no Congresso e entre o 37,5% e o 41,5% no Senado.
Os primeiros comentários dos políticos, ainda muito prudentes, sublinhavam que, perante o resultado final que se está a desenhar e a situação geral do país, principalmente do ponto de vista económico, o vencedor terá uma vida difícil.
"A situação do país não admite demoras", disse Giuseppe Pisanu, ministro do Interior do passado (2001-2006) governo de centro-direita. "O resultado é diferente, mas análogo ao de 2006, com um país dividido em duas partes. Talvez nos tenhamos de acostumar a que a partir de agora as vitórias eleitorais sejam por poucos votos de diferença", comentou Vittorio Felri, director do "Libero", jornal próximo de Berlusconi.
Paolo Gentiloni, ministro das Telecomunicações do governo progressista cessante, sublinhou que conservadores e progressistas polarizaram 70% dos votos nacionais, circunstância que se assemelha à situação da Grã-Bretanha e Alemanha. Ao mesmo tempo fez notar que as primeiras projecções desmentem a diferença de 10 pontos prognosticada por Berlusconi durante a campanha eleitoral.
Relativamente aos partidos singulares, as primeiras projecções atribuem 35,5% ao conservador PDL, 33% ao progressista PD, sete à Liga do Norte aliada de Berlusconi, cinco à Itália dos Valores (IdV) aliada dos progressistas e também cinco por cento à centrista União do Centro Democrático (UDC), que se separou de Berlusconi e se apresentou sozinha.
As projecções indicam que a direita da Aliança Nacional (AN), aliada de Berlusconi, teria sido castigada com uma hemorragia de votos para a extrema-direita da Direita. Por outro lado, a Esquerda ArcoIris (SA), onde se apresentavam juntos dois partidos comunistas e os Verdes, corre o risco de não entrar no Senado, já que as sondagens à boca das urnas lhes atribuíam entre 4% e 6%, inferior aos 8% necessários pelo menos numa região, para entrar na Câmara Alta. A União Democrática do Centro (UDC), que se separou de Berlusconi com o objectivo de lhe tirar votos, correria esta tarde o mesmo risco que a extrema-esquerda. Para ambos os partidos, o importante é agora saber se conseguiram quórum pelo menos numa circunscrição regional, para que tenham direito ao prémio nacional.
Durante a campanha eleitoral, Berlusconi tinha pedido aos eleitores que emitissem um voto útil", explicando que não deviam votar "nos partidos pequenos, porque isso significaria dar a vitória aos progressistas. Parece que os seus eleitores perceberam a mensagem.