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Amit e Eynat Sonnenfeld vão carregados de sacos e a transpirar, mas não têm tempo para parar um bocadinho, ou comer um gelado. Estão cheios de pressa. O ar é quente e húmido como em Telavive. A multidão acotovela-se nos passeios estreitos de Hackescher Markt. Seria bom partirem já, mas Eynat pega na lista do que ainda têm para fazer. O programa do dia inclui ainda duas etapas: Birkenstock e Sachsenhausen, o antigo campo de concentração ao pé de Oranienburg.
Amit faz 56 e adora os seus Birkenstock. Em Israel, esta marca vende em especial o "made in Germany" dos seus produtos. Como são mais baratos na Alemanha, decide comprar três pares. E fica na dúvida se não será bizarro ir ao memorial do campo de concentração com os sacos da Zara e da Birkenstock na mão.
Amit dirige uma fábrica de balões e a mulher é palhaço nos serviços de cuidados intensivos para crianças com cancro. São as primeiras férias que fazem ao fim de muito tempo e a primeira vez que estão na Alemanha. Eynat está encantada: "Berlim é completamente multicolor! Não tem nada que ver com as imagens da Alemanha que me acompanham desde a infância". "Custa-me a crer que o meu pai tenha sido deportado daqui para Sachsenhausen", acrescenta o marido.