Costas partidas e estruturas arrancadas. Durante esta semana, enquanto se preparava o Estádio Algarve para receber o Rali de Portugal (de 2 a 5 de Abril), ainda houve quem apanhasse com o rescaldo da polémica final da Taça da Liga. Foi o caso de Pedro Magalhães e Mário José, funcionários do estádio, a braços com a manutenção das bancadas, após alguns incidentes no encontro Benfica-Sporting.
"Aqui deste lado, partiram para aí umas quatrocentas cadeiras. E ainda bem que no final ganharam, senão acho que tinham partido isto tudo", relata Pedro Magalhães, da manutenção do estádio, referindo-se à bancada sul, onde se encontravam várias claques benfiquistas.
Do lado do Sporting, terão sido 46. E há muitas outras, localizadas em sectores não ocupados pelas claques, que não se sabe quem foi. "Também é verdade que há muitas cadeiras que se partem facilmente, porque estão aqui ao sol sem serem usadas, mas neste caso vemos mesmo a marca dos pés, foram partidas a pontapé", admite.
"Felizmente tínhamos aí suplentes, senão não sei se teríamos cadeiras agora para o rali, porque vêm da Holanda...", acrescenta Mário José, também ele funcionário do estádio.
Até ao final da semana, Mário trocou o habitual corta-relvas, que agora não é necessário - o estádio está asfaltado - pelas cadeiras das bancadas, não para se sentar, mas para dar assistência aos que estão a repará-las.
Contactada pelo Expresso, a Liga de Clubes minimiza o problema e diz que tudo já está a ser resolvido: "Os sectores dos clubes estão perfeitamente identificados e os clubes já assumiram as responsabilidades", garante António Ramos, coordenador das operações da Taça da Liga no Algarve.
Ramos explica que de acordo com os regulamentos da Liga relativos à segurança, os clubes são sempre responsabilizados por eventuais danos dos adeptos e das claques, oficiais ou não. "Na Liga, é assim que funciona. Foi uma lição que ficou com o Euro2004", adianta.
Elogiando a actuação das autoridades durante o evento, António Ramos salienta que do ponto de vista operacional o encontro no Estádio Algarve foi "excelente", admitindo mesmo o regresso da competição a terras algarvias em 2010.
Questionado sobre o valor total dos prejuízos, o responsável da Liga não quis adiantar valores, mas referiu que "não são significativos".