O Bloco de Esquerda de Lisboa espera que a Comissão Nacional de Protecção de Dados "chumbe" a instalação de videovigilância no centro da cidade e defende que o sistema não é suficiente para combater a criminalidade.
Num comunicado divulgado hoje, o grupo municipal do partido defende que a proposta de instalar o sistema entre a Baixa e a Praça do Chile, aprovada na quarta feira pela câmara, invade a "liberdade" da população.
"Admitimos a videovigilância em pontos concretos (tais como transportes públicos, postos de multibanco, bombas de gasolina), mas recusamos a sua instalação em zonas alargadas da via pública, numa lógica de 'big brother' e de desrespeito pela privacidade da generalidade dos cidadãos", afirma o partido.
Não aumenta segurança
Em causa estão, segundo os bloquistas, "políticas do medo e da insegurança" que podem "servir o negócio das empresas de fabrico", mas não conseguem combater com eficácia o aumento de criminalidade e restituir o sentimento de segurança aos lisboetas.
Como alternativa, os deputados municipais do Bloco de Esquerda apontam soluções de médio e longo prazo, como, no âmbito do planeamento da cidade, "um desenho urbano que evite a criação de impasses ou zonas de difícil controlo visual", com boa iluminação e através da requalificação dos espaços públicos.
Repovoar a cidade e aproximar os cidadãos
Por outro lado, é proposta a adoção de políticas sociais que evitem a "degradação e guetização", promovam o repovoamento da capital e combatam a toxicodependência, bem como uma maior aposta no policiamento de proximidade, "em contraponto às super-esquadras", e na Polícia Municipal.
"Defende-se ainda a reconstituição de um corpo de guardas-noturnos, próximos dos cidadãos, deles conhecidos, e que possam desempenhar funções tanto no domínio do combate à criminalidade como na sua prevenção", acrescenta o grupo.